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Pesquisa
Estudo alerta que comer um cachorro-quente pode custar 36 minutos de vida saudável
Segundo pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, uma porção de nozes, por sua vez, contribui com mais 26 minutos
O Globo
27/08/2021 | 16:34

Um estudo eaborado por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, calculou que as pessoas podem perder 36 minutos de vida saudável ao consumirem um cachorro-quente, enquanto, por outro lado, se oparem por uma porção de nozes, poderão ganhar 26 minutos. A pesquisa, publicada recentemente na revista “Nature Food”, avaliou cerca de 5,8 mil alimentos para classificá-los de acordo com os impactos nutricionais para os humanos e efeitos ao meio ambiente.

“Geralmente, as recomendações dietéticas carecem de uma direção específica e prática para motivar as pessoas a mudar seu comportamento”, disse a pesquisadora Katerina Stylianou, do Departamento de Saúde Ambiental e Ciências na Escola de Saúde Pública da instituição referida.

Os resultados mostraram que substituir 10% da ingestão calórica diária de carne bovina e carnes proessadas por uma mistura de frutas, vegetais, nozes, legumes e frutos do mar pode reduzir sua pegada de carbono na dieta em um terço. Além disso, contribui com acréscimo de 48 minutos de vida saudável por dia.

Para chegar a essas conclusões, o trabalho usou o Health Nutritional Index (HENI), um novo índice nutricional baseado em epidemiologia, que visa a calcular a carga líquida benéfica ou prejudicial à saúde em minutos de vida saudável associada a uma porção de comida consumida.

Foram considerados 15 fatores de risco dietéticos e estimativas de carga de doenças, de acordo com alimentos consumidos nos Estados Unidos, usando dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Avaliação Nutricional do país. Desta forma, quando alimentos apresentam pontuações positivas, minutos de vida saudáveis são somados, enquanto os que têm pontuações negativas ficam associados a malefícios para a saúde humana. Os pesquisadores também estão em contato com parceiros na Suíça, Brasil e Cingapura para desenvolver sistemas de avaliação semelhantes, com o intuito de depois expandir o sistema a nível global.

“Estudos anteriores muitas vezes reduziram suas descobertas a uma discussão de alimentos de origem vegetal vs. animal”, disse Stylianou. “Ainda que tenhamos descoberto que os alimentos à base de plantas geralmente têm um desempenho melhor, existem variações consideráveis tanto nos alimentos à base de plantas quanto nos de origem animal”.

A partir do que o estudo mostrou, os pesquisadores elencaram algumas recomendações, como diminuir os alimentos com os impactos ambientais e de saúde mais negativos, incluindo carnes altamente processadas, bovinos, camarões, seguidos por carne de porco, cordeiro e vegetais cultivados em estufas. Por outro lado, enxergaram benefícios em preferir alimentos como frutas e vegetais cultivados no campo, legumes, nozes e frutos do mar de baixo impacto ambiental.

Impacto ambiental

Stylianou, que atua como diretora de Estratégia de Dados e Informações de Saúde Pública no Departamento de Saúde de Detroit, destacou que as recomendações nutricionais raramente abordam os impactos ambientais.

Olivier Jolliet, autor sênior do artigo e professor de ciências da saúde ambiental na Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan, reforçou a importância de se considerar o impacto ambiental.

“A urgência de mudanças na dieta para melhorar a saúde humana e o meio ambiente é clara”, afirmou Jolliet. “Nossas descobertas demonstram que pequenas substituições direcionadas oferecem uma estratégia viável e poderosa para alcançar benefícios significativos para a saúde e o meio ambiente, sem a necessidade de mudanças drásticas na dieta”.

Para avaliar o impacto ambiental dos alimentos, os pesquisadores utilizaram o IMPACT World +, um método para avaliar o impacto do ciclo de vida dos alimentos — envolvendo produção, processamento, manufatura, preparação ou cozimento, consumo e resíduos — e desenvolveram pontuações para 18 indicadores ambientais, levando em consideração receitas de alimentos detalhadas, bem como o desperdício de alimentos previsto. Em seguida, classificaram os alimentos em três zonas de cores: verde, amarelo e vermelho, com base em seus desempenhos nutricional e ambiental combinados, em alusão ao funcionamento de um sinal de trânsito.

A zona verde representa alimentos que são recomendados por trazerem benefícios à saúde humana e terem baixo impacto ambiental. Eles são predominantemente: nozes, frutas, vegetais cultivados no campo, legumes, grãos inteiros e alguns frutos do mar.

A zona vermelha inclui alimentos que causam impactos nutricional e ambiental consideráveis , portanto, devem ser reduzidos ou evitados. Eles são principalmente: carnes bovina, suína e de cordeiro e as processadas.

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