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Tensão
Estamos preparados para uma segunda onda de Covid?
Reportagem do Agora RN foi para as ruas conversar com potiguares e turistas sobre a recente alta no contágio e na propagação da Covid-19. Eles relataram preocupação com os novos casos, além de indicar possíveis soluções para frear o vírus
Redação
02/12/2020 | 08:54

A ameaça do coronavírus é latente e voltou a assustar. O Rio Grande do Norte registrou aumento de 17,61% no número de casos de Covid-19 em novembro. Foram 13.811 novas infecções até esta segunda-feira 30, segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap). A quantidade de novos doentes dentro de um único mês é a maior desde julho passado, durante o pico da doença entre os potiguares, quando 20.129 contágios foram diagnosticados.

Dezembro começou com um aumento significativo dos novos casos. Na segunda 30, eram 95.123 confirmados. Já na terça 1º, o número saltou para 95.660 – um acréscimo de 537 casos em 24 horas. O estado tinha 55,38% dos leitos ocupados até às 12h desta terça 1º. Ao todo, 108 pessoas seguem internadas em leitos de UTI Covid. O número de internações vem aumentando e é um reflexo também da desmobilização de leitos destinados aos infectados pelo vírus: o estado, que já teve quase 225 leitos críticos exclusivos para o tratamento da doença, agora dispõe de apenas 195 (7 bloqueados e 80 disponíveis atualmente).

O Agora RN foi para as ruas de Natal conversar com potiguares e turistas sobre a recente alta no contágio e propagação da Covid-19. A preocupação com uma possível segunda onda foi unânime entre os entrevistados. A reportagem flagrou as ruas cheias da Cidade Alta, um dos principais centros comerciais da capital potiguar. Ainda sob a ressaca da Black Friday, muitos natalenses aproveitaram para comprar produtos com preços mais acessíveis. Outros, precisaram resolver pendências.

Como foi o caso do jovem de 23 anos Luciano Figueira, que teve que ir ao banco. “Trabalho como assistente administrativo e estou em home office, só saio para resolver coisas realmente necessárias. Mas, infelizmente, vejo que as pessoas ao meu redor estão agindo como se tudo estivesse normal, estão indo para festas, encarando a pandemia como se fosse algo que já passou. Acho que nem saímos da primeira onda ainda”, indicou.

Mergulhado em desesperança, Luciano acredita que apenas uma vacina eficaz será capaz de conter novos casos. “As medidas sanitárias não são suficientes, tentamos a quarentena e não deu certo. Nem adianta mais falar para evitar aglomerações, parece uma recomendação em vão, da boca para fora. Não há mais consciência, só a vacina pode melhorar a situação”, pontuou o jovem.

Dayane Silva, de 21 anos, culpa a campanha eleitoral e a abertura “desregrada” do comércio. Ela observou que, após esses eventos, os casos de coronavírus voltaram a crescer em todo o estado. “Estou desempregada, só saio de casa para consultas e para ir ao supermercado. Tivemos os dias pré-eleições, que causaram muitas aglomerações, não só em Natal como também no interior. Agora, com as vendas de fim de ano, as lojas não estão seguindo a limitação de ocupação, por exemplo, principalmente no Alecrim e na Cidade Alta”.

Na praia, o clima é de tensão misturado ao alívio, de certa forma. Os banhistas relataram à reportagem que se sentem mais seguros ao ar livre, com as mesas distantes umas das outras. No entanto, poucos estavam usando máscaras por causa do calor da cidade do sol. “Trouxe a máscara, mas não estou usando neste momento porque estou comendo, bebendo, e estou sentado apenas com pessoas da minha família, que moram comigo”, contou Dorival Queiroz, vendedor de 48 anos.

A equipe do Agora RN encontrou alguns turistas na orla da Praia do Meio. A mineira Dalva Campos, de 66 anos, está em Natal há 5 dias e visitou várias praias do litoral potiguar. “Minha filha e eu decidimos viajar para aproveitar as férias dela. Não tivemos Covid, mas seguimos todas as recomendações. No hotel que estamos hospedadas, em Ponta Negra, os funcionários seguem à risca as medidas de segurança sanitária. Usam máscaras, luvas, sempre estão passando álcool nas mãos”.

As paulistas Sânia Maria, 69 anos, e Jussara Conceição, 59, estão fazendo um tour pelo Nordeste. A primeira parada foi o RN, depois será a Paraíba e, por fim, Pernambuco. “Havíamos comprado esse pacote antes mesmo da pandemia se tornar uma realidade no país. Estava tudo marcado para maio, mas foi adiado. Estamos apreensivas, muitas pessoas até desistiram da viagem. Mas resolvemos passear porque ficamos bastante deprimidas durante esses meses de isolamento social”, afirmou Sânia.

Para o ambulante potiguar Emanoel Udeilson, 58, o cenário é preocupante. “No começo da pandemia, eu via a fiscalização da prefeitura e do governo. Hoje não vejo mais. A maioria das pessoas não usa máscara por aqui, já eu uso até dentro de casa. Como passo o dia fora trabalhando, tento evitar o risco de me contaminar e passar para os meus familiares. Estou assustado com a segunda onda e tenho medo de que seja preciso fechar tudo novamente”, disse.

Aumento de casos entre jovens

Nas últimas semanas, jovens e adultos de 20 a 49 anos têm sido os mais acometidos pela doença no Rio Grande do Norte. Esta parcela da população representa, então, 41,9% dos casos confirmados entre os potiguares. O infectologista André Prudente, Diretor do Hospital Giselda Trigueiro, explica que o aumento de casos tem se dado em jovens e adultos de classes sociais mais favoráveis, em razão do retorno de algumas atividades.

“Nas últimas duas semanas, houve aumento de casos em jovens e pessoas de condições sociais um pouco mais favoráveis, de classe média e classe média alta, principalmente pelo fato dessas pessoas terem conseguido ficar em isolamento e distanciamento social por mais tempo. Então elas voltaram a fazer diversas atividades que faziam antes, como por exemplo frequentar shows e eventos onde há aglomeração”, disse.

Diferentemente do período do pico da doença – em meados de maio e julho -, onde idosos e pessoas de classes sociais mais baixas, hoje a queda aparente do número de casos fez com que as pessoas ficassem menos preocupadas com o coronavírus. “Como estava uma aparente queda do número de casos, as pessoas passaram a se preocupar menos, e as medidas de prevenção diminuíram, ou seja, nesse momento temos o aumento expressivo do número de casos em jovens e pessoas adultas”, relatou.

Os eventos decorrentes das eleições municipais e a realização de eventos tanto de pequeno como de grande porte foram cruciais para o aumento dos casos de Covid no estado. “As pessoas que adoecem são aquelas que entram em contato com outras que estão transmitindo. Então, todas as vezes que ocorrer algum evento, seja ele grande, seja pequeno, aumenta a chance de transmissão da doença”, sublinhou.

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