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Racismo
Esposa de homem morto no Carrefour relata ter sido impedida de ajudá-lo
Imagens do espancamento circulam pelas redes sociais desde a manhã desta sexta e vem causando comoção nacional
Redação
20/11/2020 | 19:12

A esposa de João Alberto Silveira, homem negro de 40 anos assassinado em um Carrefour de Porto Alegre na noite desta quinta-feira 19, disse que foi impedida pelos seguranças quando tentou ajudar o marido. A declaração de Milena Borges Alves, de 43 anos, foi dada em entrevista à Rádio Gaúcha nesta sexta-feira (20/11).

Ele fazia compras no supermercado com Milena quando gesticulou para uma fiscal de caixa. Ela, então, chamou a segurança, que o levou para o estacionamento, onde começaram as agressões. As imagens do espancamento circulam pelas redes sociais desde a manhã desta sexta e vem causando comoção nacional. 

“Eu estava pagando no caixa, daí ele desceu na minha frente. Quando eu cheguei lá embaixo, ele já estava imobilizado. Ele pediu: ‘Milena, me ajuda’. Quando eu fui, os seguranças me empurraram”, relatou ela.

Os dois suspeitos de 24 e 30 anos foram presos em flagrante. Um deles, por ser policial militar, foi levado para um presídio militar. O segurança da loja está com a Polícia Civil. O crime está sendo tratado como homicídio qualificado.

Morte por asfixia

Análises iniciais do Instituto Geral de Perícias do RS (IGP-RS) apontam para a possibilidade de asfixia como causa da morte de João Alberto.

O corpo foi liberado na tarde desta sexta, mas os laudos definitivos devem ser concluídos apenas nos próximos dias, após serem submetidos a outros exames laboratoriais.

O que diz o Carrefour:

“O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário.

O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente. Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais.”

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