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Saúde
Pandemia desacelera em agosto, mas infecções pela Covid-19 têm alta entre crianças, mostra estudo
Resultados inéditos indicam maior proporção de infectados entre crianças e idosos; estudo testou 33.250 pessoas para o coronavírus em 133 cidades de todo o país
Redação
17/09/2020 | 12:17

Dados mais recentes do estudo Epicovid19-BR, que mapeia a epidemiologia do coronavírus no Brasil, mostram desaceleração da pandemia no país. A quarta etapa nacional da pesquisa estima que a proporção de pessoas com anticorpos para a Covid-19 diminuiu de 3,8% em junho para os 1,4% de agosto.

“Ao contrário do que se pensava no início da pandemia, anticorpos detectáveis pelo teste duram apenas algumas semanas, ou seja, infecções mais antigas podem já não ser identificadas pelo exame. Isso vem acontecendo também em diversos países, e não somente em estudos com testes rápidos como os utilizados no EPICOVID-19”, diz o coordenade

A proporção de indivíduos que testaram positivo na última fase do EPICOVID-19 – 1,4% – representa, portanto, o percentual de pessoas que tiveram infecções relativamente recentes. “Muitas pessoas que foram infectadas há mais tempo passaram a apresentar resultados negativos no levantamento atual”, complementa o epidemiologista.

Essa redução já havia sido sinalizada pelo grupo de pesquisa no início de julho – o artigo científico será publicado esta semana na revista científica The Lancet Global Health (online first).

Os pesquisadores explicam que a diminuição dos níveis de anticorpos ao longo do tempo não significa que os indivíduos deixem de estar protegidos, pois o organismo “guarda” a memória imunológica para produzir anticorpos rapidamente em caso de uma nova infecção.

“Portanto, não está correto usar a estimativa atual para indicar uma possível ‘imunidade de rebanho’, tampouco para avaliar a probabilidade de uma ‘segunda onda’ da pandemia”, afirma Hallal.

A quarta fase do maior estudo epidemiológico sobre coronavírus no Brasil foi realizada entre os dias 27 e 30 de agosto, pouco mais de dois meses após a conclusão da terceira fase, que foi realizada entre os dias 21 e 24 de junho. A partir da quarta fase, o estudo passou a contar com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da iniciativa Todos Pela Saúde.

As diferenças entre regiões do Brasil seguiram marcantes na quarta fase, como já havia sido observado nas fases anteriores. O maior percentual de infecção foi observado na Região Norte (2,4%) e no Nordeste (1,9%). No Sul, Centro-Oeste e Sudeste, o percentual de infecção ficou em 0,5%. Ao final do arquivo, é apresentado o resultado para cada uma das 133 cidades estudadas.

Além da queda do percentual da população que apresenta anticorpos, o que confirma a desaceleração da epidemia na maior parte do país, a quarta fase do estudo destaca mais quatro mensagens principais: 1) interiorização da pandemia no Brasil; 2) mudança no padrão etário dos infectados, com predominância entre crianças e idosos; 3) maior vulnerabilidade de pretos e pardos à infecção; 4) risco de infecção duas vezes maior entre os mais pobres.

1) Interiorização: A interiorização da pandemia no Brasil foi confirmada. Houve mudança no perfil das cidades mais afetadas, com as maiores prevalências em duas cidades da Região Nordeste, Juazeiro do Norte e Sobral.

2) Perfil etário: Houve mudança no padrão etário dos infectados entre junho e agosto. Agora, a pandemia cresceu mais nas crianças e nos idosos e caiu entre adultos, que inicialmente eram mais afetados. As altas prevalências em crianças brasileiras difere do que tem sido relatado em outras regiões do mundo, como a Europa e a China.

3) Maior risco de infecção entre pretos e pardos: Confirmada a maior chance de infecção entre pretos e pardos, já identificada nas fases anteriores. Com a redução da pandemia na Região Norte, a prevalência entre indígenas caiu bastante.

4) Desigualdades socioeconômicas: Pessoas cujas famílias se encontram entre as 20% mais pobres da população, em todas as fases do estudo, apresentam prevalência mais de duas vezes superior à observada entre os 20% mais ricos.

Estudo de Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19

O Estudo de Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil (EPICOVID19-BR), coordenado pela Universidade Federal de Pelotas, é a maior pesquisa populacional em andamento no mundo a estimar a prevalência de coronavírus. As três primeiras etapas foram realizadas de 14 a 21 de maio, 4 a 7 e 21 a 24 de junho.

Para a coleta de dados da quarta etapa, entrevistadores do IBOPE Inteligência realizaram 33.250 entrevistas e testes rápidos, entre os dias 27 e 30 de agosto, em 133 cidades distribuídas por todos os estados do país. Em cada cidade, 250 moradores foram selecionados por meio sorteio aleatório, utilizando dados censitários do IBGE como base. Ao todo, as quatro etapas da pesquisa já testaram mais de 120 mil pessoas.

A quarta etapa da pesquisa tem financiamento do programa Todos pela Saúde, fundo criado pelo Itaú Unibanco para apoiar o enfrentamento da Covid-19 no Brasil, e a quinta e sexta fases, previstas para acontecer em setembro e outubro, contarão com recursos da FAPESP.

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