BUSCAR
BUSCAR
Medicina
Entenda o que é o mieloma, câncer que matou a jornalista Cristiana Lôbo
Doença é rara e não tem cura, apenas controle; jornalista tinha 64 anos e estava internada no hospital Albert Einstein, em São Paulo
g1
11/11/2021 | 15:01

A jornalista e colunista de política Cristiana Lôbo morreu nesta quinta-feira (11), em decorrência de um mieloma múltiplo. Ela tinha 64 anos e estava internada no hospital Albert Einstein, em São Paulo.

O mieloma múltiplo é um tipo de câncer da medula óssea, que afeta os plasmócitos, glóbulos brancos que ajudam a proteger nosso organismo contra infecções. Produzidos na medula óssea a partir da transformação dos linfócitos B, os plasmócitos fabricam as imunoglobulinas, anticorpos que combatem vírus e bactérias.

“É um tipo de câncer da medula óssea que pode ter um comportamento muito diferente, dependendo do tipo de paciente. Ele pode ser muito agressivo ou o paciente pode conviver com o câncer sem tratamento nenhum por muito tempo”, explica Fernanda Lemos Moura, médica do A.C.Camargo Câncer Center.

A doença surge justamente a partir de alterações no processo de formação dos plasmócitos. Devido à mutação de um ou mais genes, começam a ser produzidas células defeituosas. Em vez dos anticorpos necessários para garantir a saúde do nosso corpo, elas geram imunoglobulinas anormais, chamadas proteínas monoclonais ou proteínas M.

Os plasmócitos doentes podem se acumular dentro ou fora da medula óssea, formando os plasmocitomas, lesões que interferem no funcionamento das células saudáveis do sangue e podem danificar a estrutura óssea, inclusive provocando fraturas.
Os cânceres hematológicos são mais raros. O mieloma múltiplo corresponde a cerca de 1% dos tumores malignos e 10% dos cânceres hematológicos (das células do sangue). A doença afeta, principalmente, pessoas com mais de 60 anos. No Brasil, muitos pacientes têm em torno de 40, 45 anos.

Segundo informações do A.C.Camargo Cancer Center, a doença não costuma apresentar sintomas em seus estágios iniciais, o que dificulta o diagnóstico nessa fase. Nas manifestações sintomáticas podem ocorrer:

O mieloma não tem uma causa específica, não existe um fator de risco específico. Por isso, não há como prevenir o desenvolvimento desse câncer.

“Não é como um câncer de pulmão, que está relacionado ao tabagismo. Em 99% dos casos é esporádico. Não tem relação com nenhuma atividade ou exposição”, explica Fernanda Lemos Moura.
Como a doença costuma não provocar sintomas, é difícil conseguir o diagnóstico precoce. A suspeita de mieloma múltiplo surge a partir do resultado de um hemograma, um exame de rotina, que aponta alterações em células importantes do sangue.

A doença não tem cura, mas tem controle. Para definir a melhor estratégia de tratamento, o médico levará em consideração diversos fatores, como a quantidade de plasmócitos anormais encontrados, a agressividade do câncer e se há ou não outras doenças associadas.

A médica explica que o mieloma é um dos tipos de câncer com mais novas drogas em estudo e aprovadas. “Hoje, o paciente com mieloma vive muito mais do que vivia há 10, 15 anos. Tenho pacientes que correm, jogam tênis, apesar do diagnóstico, do tratamento”, diz Fernanda.

Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.