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Respiradores
Empresário que falou em sigilo na CPI já havia denunciado parte do esquema na Bahia
Empresário Paulo de Tarso ficou em silêncio na CPI do RN, mas na Bahia ele já havia falado sobre o esquema na compra dos respiradores
Alessandra Bernardo
12/11/2021 | 08:07

O empresário Paulo de Tarso, que denunciou um esquema responsável pelo desvio de R$ 48,7 milhões referentes à aquisição de 300 respiradores pelo Consórcio Nordeste durante sessão secreta na CPI da Covid da Assembleia Legislativa, nesta quarta-feira (10), saiu calado da reunião, sem falar com a imprensa potiguar. Entretanto, já havia revelado detalhes do seu envolvimento no caso em diversas ocasiões, para emissoras de fora do Rio Grande do Norte, tendo dito, inclusive, que havia percebido irregularidades na atuação da empresa HempCare Pharma desde o início do contrato, firmado no início da pandemia em 2020 e que denunciou o fato ao então secretário da Casa Civil da Bahia, Bruno Dauster. Ele disse ainda que não irá devolver nenhum centavo dos R$ 24 milhões que recebeu da HempCare para fabricar os respiradores.

“Quando uma empresa recebe dinheiro, coloca no fluxo de caixa. O dinheiro foi utilizado para compra de peças para respiradores, para tudo. Compramos muitas peças, bastante equipamento. Todo o dinheiro foi gasto com ventilador e caixa da empresa. A empresa tem margem de lucro. Não fico com o dinheiro parado. Não tenho que devolver dinheiro. Primeiro porque não fiz negócio com o Consórcio do Nordeste. Prometi entregar para o governo do estado, que se recusou a receber”, disse à emissora baiana.

Paulo, que se comprometeu a dar novas informações sigilosas à CPI da Covid no RN perante o procurador geral da República Augusto Aras, afirmou que não tem como devolver os R$ 24 milhões recebidos da HempCare para produzir os equipamentos, pois gastou tudo com insumos para a produção dos respiradores. Os equipamentos, segundo ele, foram entregues, mas o governo da Bahia se recusou a recebê-los após a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter informado que a Biogeoenergy não possuía registro para fabricá-los.

Na ocasião, ele disse que os respiradores produzidos por sua empresa não são autorizados pela Anvisa, mas que possuem qualidade compatível aos vendidos por empresas internacionais. “Nosso respirador não possui design moderno, mas tem tecnologia avançada. Não tem nada defasado. Pegamos uma Ferrari e fizemos um Fiat. Fizemos um negócio para ter redução de custos”, afirmou Paulo de Tarso.

O empresário foi preso em junho do ano passado durante a Operação Ragnarok, quando também foram detidas a proprietária da HempCare Pharma, Cristiana Prestes e seu sócio, Luiz Henrique Ramos. Os três foram liberados após cinco dias. Em depoimento à Polícia Federal, Cristiana explicou que toda a negociação foi feita pelo ex-secretário da Casa Civil da Bahia Bruno Dauster, já que o governo baiano preside o Consórcio Nordeste e que este teve participação apenas no pagamento dos recursos.

Bruno Dauster foi convocado para prestar depoimento à CPI potiguar no último dia 4, mas fez uso do direito ao silêncio, graças a um Habeas Corpus do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJ-RN). Para o presidente da comissão, deputado estadual Kelps Lima (Solidariedade), o depoimento dele poderia esclarecer o caso da compra dos respiradores pelo Consórcio Nordeste, que não foram entregues ao Estado.

“É importante explicar à sociedade que todos os convocados sobre o contrato do Consórcio tentarão não vir. O secretário Carlos Gabbas, que é pago com dinheiro do contribuinte, veio e também permaneceu em silêncio. O senhor Paulo de Tarso se comprometeu a dar mais informações sigilosas e trouxe dados importantes que envolvem agentes públicos de fora do RN. Isso interessa a toda a população do Estado”, disse o deputado.

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