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Em meio a crise na Petrobras, Prates encontrará Lula para explicar resultados e tentará liberar dividendos

Encontro acontece depois de as ações da estatal caírem mais de 10%; conselheiros divergiram de Prates e decidiram aplicar metade dos dividendos em um fundo, que agora Prates quer liberar
Redação
11/03/2024 | 18:43

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, tentará destravar o pagamento dos dividendos extraordinários da companhia depositados em um fundo de remuneração dos acionistas por decisão do conselho de administração da estatal.

Segundo conselheiros e fontes do governo, há um momento de instabilidade inédito na petrolífera, onde estão de lados opostos Prates — e a diretoria escolhida por ele — e os outros cinco nomes escolhidos pelo governo Lula para compor o conselho da companhia.

Em meio a crise na Petrobras, Prates encontrará Lula para explicar resultados e tentará liberar dividendos / Foto: divulgação
Em meio a crise na Petrobras, Prates encontrará Lula para explicar resultados e tentará liberar dividendos / Foto: divulgação

Há um temor, por parte do conselho, que a instabilidade na relação entre o presidente escolhido por Lula e os conselheiros também escolhidos por ele e pelos seus ministros possam impactar em cinco debates e projetos estratégicos para 2024: as negociações sobre ações da Braskem, o investimento em gás, a transição energética, o novo planejamento estratégico e as negociações para a gestão da refinaria de Landulpho Alves, na Bahia.

À CNN, Jean Paul Prates negou que haja rompimento entre ele e os conselheiros, e afirmou que divergências são naturais. Reconheceu, no entanto, o que chamou de ‘estresse’ na alta cúpula.

Prates entende que, por serem parceiros de trabalho, indicados separadamente e independentemente, não há motivos para se falar em “rompimento”.

A escalada da crise começou na última quinta-feira (7), quando a discussão sobre a distribuição de dividendos extraordinários (ou seja, não previstos inicialmente) opôs os representantes dos acionistas minoritários e do governo federal.

Fontes ouvidas afirmaram que um estudo técnico mostrando que distribuir todos os dividendos imediatamente aos acionistas poderia causar risco de endividamento para a Petrobras.

Ainda assim, os representantes de bancos e pessoas que tem ações da estatal avaliaram que o risco era baixo e votaram pela distribuição de 100% do valor a acionistas.

Esse também era o plano de Prates que, ao ver os emissários do governo torcendo o nariz para a ideia, se absteve na votação. Unidos, os cinco conselheiros do governo, impuseram derrota a Prates e aos enviados do mercado, com a decisão por guardar metade do dinheiro em um fundo.

Representante dos trabalhadores no conselho, Rosângela Buzanelli aderiu à tese governista e foi o sexto voto a favor de não entregar os valores a acionistas, contrariando o plano de Prates que, tendo ele se recusado a votar, ficou com apenas quatro votos.

“Não voto contra esse ou aquele. Voto no melhor interesse da Petrobrás e os dividendos extraordinários não fazem parte de minhas aprovações desde que assumi o primeiro mandato”, disse Rosângela.

O dia seguinte da decisão, sexta-feira, foi de intensas movimentações dos dois lados. Enquanto aliados do governo cantaram vitória, afirmando que a política de “raspar o tacho” da Petrobras havia finalmente acabado, aliados de Prates falavam em “sabotagem”, porque a retenção de dividendos ofuscaria os bons resultados da companhia mesmo sem vender ativos, o que gerou recordes de lucros em 2023.

Em meio à crise, veio a divergência entre Prates e os representantes do governo que, segundo a CNN apurou, mantiveram interlocução com três ministros: Alexandre Silveira (Minas e Energia), Rui Costa (Casa Civil) e Fernando Haddad (Fazenda).

Posta a notícia da não distribuição de todos os dividendos, as ações ordinárias da Petrobras caíram 10,57% na sexta-feira (8/3).

Tudo acontece a sete semanas da Assembleia Geral da Petrobras, marcada para o dia 26 de abril. Nela, poderão ser trocados conselheiros. Uma lista enviada pelo Ministério de Minas e Energia em fevereiro mantém os nomes de Prates e dos outros cinco já ocupantes das cadeiras do governo. No entanto, fontes do governo federal reconheceram que ainda é possível a troca de nomes até a assembleia, embora não acreditem que isso seja, neste momento, provável.

O primeiro sintoma da relação estremecida veio no segundo semestre do ano passado. Interlocutores do governo ouvidos pela CNN afirmavam que o plano inicial de investimentos para a Petrobras estava orçado em US$ 80 bilhões e que o governo teria incluído três itens: os investimentos em parques de refino, na indústria do gás e na produção de fertilizantes, fazendo o montante de dinheiro investido até 2028 subir para US$ 102 bilhões. Prates nega que tenha havido alteração no plano.

Com a crise já imposta e a relação estremecida, Prates participou da reunião do conselho de quinta-feira por videoconferência, mesmo estando a metros da sala de reunião onde os conselheiros de reúnem, na sede da empresa, no centro do Rio de Janeiro. Ele afirma que é comum e corriqueiro participar das reuniões da sala dele, onde tem mais liberdade para receber assessores e despachar outros assuntos durante a reunião do conselho.

Representantes dos acionistas minoritários – em geral, bancos e fundos de investimento – ouvidos pela CNN temem uma maior intervenção do governo Lula (PT) nas políticas da estatal. Eles dizem, no entanto, que esse movimento também foi percebido na gestão dos indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Brasília parece não aceitar que a Petrobras tem acionistas, tem obrigação de dar lucro, tem uma nova governança pós-Lava Jato e já está investindo tudo o que consegue, não pode ser a qualquer custo”, disse um conselheiro dos minoritários.

A reportagem apurou que o responsável por dar as diretrizes do governo aos conselheiros é o ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia. Procurado, ele não quis comentar o assunto.

A crise deflagrada no alto escalão tem incomodado os conselheiros, que se disseram pegos de surpresa com a divergência da última reunião. Rosângela defende que cada conselheiro quer o melhor pra companhia e nega que tenha votado em bloco com o governo.

“Acho que reduzir a posição do conselho a uma disputa política contra esse ou aquele é desrespeitoso para com seus membros, além de fazer um jogo que não interessa à Petrobrás nem ao Brasil, pode até atender interesses outros, com os quais eu não tenho compromisso”, disse à CNN a representante dos trabalhadores.

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