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Terror
Em fuga, autor de chacina invade fazenda, prepara comida e some
Informações preliminares apontam que ele arrombou a porta da propriedade, que estava vazia, comeu e deixou o local. São oito dias de buscas
Metrópoles
16/06/2021 | 09:21

Uma fazenda foi invadida na madrugada desta quarta-feira 16 por Lázaro Barbosa, 32 anos. A casa fica a cerca de 8km de Edilândia (GO). A propriedade estava vazia. Informações preliminares apontam que ele arrombou a porta, preparou comida e abandonou o local. Um forte aparato policial segue mobilizado na mata à procura do criminoso. As buscas chegaram hoje ao oitavo dia.

“Ele entrou lá para fazer comida. Ainda quebrou a porta, mas não tinha ninguém. Ele pegou o que quis, a casa estava abastecida de comida. Dá a entender que ele estava muito tranquilo. Agora, está cheio de polícia. Helicóptero pousando lá em casa”, afirmou uma das vítimas, que preferiu não se identificar.

Com medo, a família deixou a casa temporariamente.

Na tarde desta terça-feira 15, Lázaro baleou um policial durante troca de tiros. O autor de uma chacina no Distrito Federal também fez três reféns na cidade de Edilândia (GO).

Na fuga, Lázaro passou por uma chácara e escondeu reféns sob folhas para que não fossem vistos pelas buscas aéreas da polícia. No fim da tarde de terça 15, a polícia os encontrou com vida, e eles foram libertados. As vítimas eram pai, mãe e filha, de 48, 40 e 15 anos, respectivamente.

Procurado desde 9 de junho, o suspeito tem espalhado terror por onde passa. Os reféns foram soltos e, logo depois, Lázaro foi cercado por agentes de diversas forças de segurança em uma rodovia e abriu fogo contra a guarnição. Um policial militar de Goiás chegou a ser baleado de raspão no rosto e foi transportado para um hospital de Anápolis (GO), de helicóptero. O estado dele é estável.

Mais cedo, o chacareiro Rosinaldo Pereira de Moraes, 55 anos, que trabalha na fazenda onde Lázaro foi flagrado por câmeras de segurança, contou ao Metrópoles que chegou à propriedade por volta das 6h e se deparou com o suspeito.

“Ele estava com uma jaqueta, bermuda, uma blusa e uma botina. Estava com uma mochila nas costas, mas não vi qualquer machucado. Não havia nada aparente. Ele dormiu na cama que eu descanso e não ficou marca de sangue. Só suja de terra. Se estava armado, a arma estava dentro da mochila”, disse o chacareiro.

Desde a noite de segunda 14, após Lázaro trocar tiros com um caseiro em Edilândia (GO), havia a suspeita de que o homicida poderia estar ferido.

Rosinaldo também confirmou que Lázaro disse estar com fome e pediu um prato de comida. “Pedi para ele aguardar eu prender os bezerros e trazer as vacas que iria arrumar um prato de comida para ele. Cheguei a falar que comida não se negava a ninguém. A minha intenção era dar a comida para despistar e segurar ele. Mas ele não esperou. Eu o vi saindo pela mata. É muito esperto”, acrescentou.

Na tarde de ontem, a polícia faz um cerco ao suspeito próximo a um milharal na área de Edilândia, Entorno do DF. Lázaro tem sido visto com frequência na cidade e na área vizinha de Cocalzinho, também em Goiás.

Também na manhã desta terça, um caminhoneiro de frete da região de Edilândia (GO) relatou ter visto um homem atravessar a BR-070 e adentrar uma área de mata. Os policiais da base da operação montada na região e helicópteros das corporações seguiram para o possível local.

Chacina

Lázaro é suspeito de matar Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15. Ele ainda sequestrou Cleonice Marques de Andrade, 43 anos, esposa de Cláudio e mãe das outras vítimas. O crime ocorreu na madrugada do dia 8/6, no Incra 9, em Ceilândia.

O corpo dela foi encontrado nesse sábado, em um matagal. O cadáver estava sem roupa e com um corte nas nádegas, em uma zona de mata perto da BR-070.

Torturada, mutilada e possivelmente estuprada. A morte de Cleonice reflete a crueldade de Lázaro. O criminoso, autor da chacina que ainda tirou a vida do marido e dos dois filhos da mulher, permanece foragido há seis dias. Caçado por uma coalização de forças policiais, o maníaco arrancou uma das orelhas e executou Cleonice com um tiro na nuca.

Desde que matou a família Vidal, Lázaro vem entrando e saindo de propriedades, fazendo novas vítimas. Ainda no Incra 9, em Ceilândia, ele invadiu outros dois locais. Obrigou os chacareiros a cozinharem para ele e a, até, fumarem maconha com ele. Sempre agressivo, chegou a roubar um carro e incendiá-lo, próximo a Cocalzinho.

No sábado 12, ele invadiu a fazenda da família de um soldado do 8⁰ BPM, próximo à Lagoa Samuel. Ele fez o caseiro refém, quebrou tudo, bebeu e fumou maconha. Também obrigou o funcionário a consumir a droga.

Segundo a corporação, o soldado chegou à propriedade no início da noite, foi até a cancela e, provavelmente, ao abri-la, o homem fugiu, levando o caseiro como refém.

O criminoso seguiu para a fazenda ao lado, a cerca de 700 m, e baleou três homens. Havia no local uma mulher e uma criança. Testemunhas informaram que o suspeito da chacina colocaria fogo na casa e não o fez por causa das vítimas.

Troca de tiros

Na noite de segunda 14, ele trocou tiros com um caseiro na área de Cocalzinho (GO). “Acho que acertei [o Lázaro], porque ele gemeu, [disse]. ‘Desgraçado, você me atirou, eu vou te matar’, ele falou”, narrou o caseiro.

O funcionário da propriedade rural teria atirado pelo menos oito vezes contra o suspeito, que conseguiu fugir. Apesar do testemunho do trabalhador, não há confirmação oficial se realmente ele saiu ferido do embate.

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