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Exemplo
“É um remédio necessário”, diz piloto que enfrenta o 3º isolamento
Mauro Hart esteve no epicentro do coronavírus na China, em Wuhan, ficou isolado no retorno ao Brasil, em Anápolis, e está em quarentena em Natal
Redação
08/04/2020 | 05:00

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou o isolamento social como a principal medida de proteção ao novo coronavírus, mas não é difícil encontrar pessoas desobedecendo a orientação, seja por razão profissional ou por descrença na gravidade da doença.

Para o piloto comercial Mauro Hart, de 59 anos, que está no terceiro isolamento social voluntário em virtude da Covid-19 e acompanhou de perto o surgimento do surto em Wuhan, na China, a quarentena é “um remédio amargo, mas que é necessário tomar para acabar com a pandemia”.

Casado, pai de três filhos e atualmente residente em Natal, Mauro trabalha em uma companhia área chinesa há cinco anos, que lhe concedeu licença das atividades profissionais desde quando a quarenta foi instituída na cidade, no dia 24 de janeiro. “Meu primeiro isolamento foi um pouco assustador, pois fui pego de surpreso. Estava diante do desconhecido”, revela.

O piloto conta que Wuhan mudou o ritmo e se transformou. Ficou vazia, silenciosa, sem pessoas nas ruas. Neste período, os metrôs e trens já não circulavam e a falta de máscara era uma realidade. Dois dias depois, os automóveis particulares estavam proibidos de trafegarem.

“Neste tempo, permaneci em casa porque, além de ser mais seguro, não existia nenhuma outra opção. O comércio e os shoppings estavam fechados, só alguns supermercados ainda funcionavam”, conta Mauro.

Ele relembra que não foram definidos os dias da quarentena e, por isso, se preocupou em estocar alimentos para dois, três meses. “Durante cinco dias foi indo ao supermercado para não faltar nada, mas notei que já havia um certo desabastecimento”, relembra.

Mauro, que vivenciou a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), quando estava em Taiwan, em 2003, diz que o importante é manter a temperança nestas situações e aproveitar o tempo para desenvolver a solidariedade.

“Aproveitei o momento para me dedicar aos estudos, conversar com amigos e familiares, além de iniciar a um novo projeto, que é um livro que estou escrevendo sobre a pandemia”, aconselha.

Com o desejo de retornar ao seio familiar, em Natal, Mauro juntou-se aos integrantes do grupo “Brasileiros em Wuhan” para organizarem e elaborarem uma carta aberta destinada ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, a fim de serem resgatados pelo governo brasileiro.

Com a aprovação da Missão Regresso à Pátria Amada Brasil, executada pela Força Aérea Brasileira (FAB), Mauro e outros 58 brasileiros foram resgatados e chegaram em 9 de fevereiro em Anápolis, Goiás, onde passaram 15 dias em uma Base Aérea. “A recomendação era ficar nos quartos, mas podia sair para realizar uma atividade física, por exemplo, desde que se respeitasse o distanciamento social”, detalha.

Os repatriados fizeram exames para diagnosticar a presença da Covid-19 no primeiro, sétimo e décimo quarto dia de confinamento. Todos os resultados deram negativo. “Diariamente eramos monitorados pela equipe médica”, conta.

Ao receber a notícia que poderia seguir viagem para capital potiguar, Mauro sentiu-se aliviado, pois “a maior preocupação de todos os repatriados era não trazer o vírus. Não queríamos contaminar amigos, familiares e a nação”.

O piloto chegou em Natal no dia 24 de fevereiro e tentou seguir a vida normalmente até o momento em que o vírus chegou ao Brasil. “Com a confirmação de casos aqui no país, segui as orientações do governo e das entidades sanitárias e iniciei meu terceiro isolamento social com o objetivo de conter o avanço do vírus”, pontua.

As visitas e os passeios com as família foram cancelados e Mauro só sai de casa em cenários de necessidade, como ir ao supermercado. Tal ação é sempre acompanhada de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como máscara.

“É muito importante as pessoas seguirem a orientação de ficar em casa e terem cuidados com a higiene. A China teve que adotar medidas drásticas. A Europa demorou um pouco mais. Nós, brasileiros, tivemos tempo para analisar o poder do vírus e meios de enfrentá-lo”, pondera.

O piloto reconhece que o impacto financeiro e o distanciamento do convívio social e familiar são pontos negativos da pandemia e, por isso, ele tem “esperança que nossos governantes achem o ponto de equilíbrio entre o isolamento social para impedir o avanço do vírus e a retomada das atividades de trabalho, para que a sociedade não entre em colapso econômico”. Mas Mauro pontua que o momento lhe proporcionou a oportunidade de reavaliar conceitos e “aprender que a vida pode mudar de uma hora para outra”.

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