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Saúde
Distanciamento e uso de máscaras contra a Covid-19 derrubam casos de outras doenças
Medidas contra o coronavírus fizeram praticamente desparecer ocorrências de doenças como a influenza
O Globo
08/10/2020 | 05:45

O combate da Covid-19 surtiu um efeito positivo no controle de doenças respiratórias. Dos causadores de resfriados àqueles que provocam pneumonias letais, todos os vírus respiratórios comuns no Brasil até o ano passado praticamente desapareceram em 2020. E o motivo, dizem especialistas, são as medidas de distanciamento social, hábitos de higiene e máscara contra o coronavírus Sars-CoV-2.

Os casos de influenza, coronavírus brandos (HKU1, 229E, NL63, OC43), vírus sincicial respiratório, parainfluenza, adenovírus, rinovírus, metapneumovírus e outros causadores de infecção respiratória, até 2019 muito comuns, despencaram em 2020, afirma o vice-chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz, Fernando do Couto Motta.

“Nunca vimos isso ocorrer desde que foi estabelecida a rede nacional de vigilância de influenza, em 1999. Todo ano a gripe mata em torno de 2 mil pessoas no país. Este ano isso certamente não vai acontecer” destaca Motta.

Dados do InfoGripe/Fiocruz mostram que, até setembro, o Sars-CoV-2 foi a causa de cerca de 99,2% das mortes e 97,4% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no Brasil. A influenza, que até 2019 matava cerca de 6 mil pessoas por ano no Brasil, em 2020 atingiu até agora 1.672 (somadas influenza A e B).

O coordenador do InfoGripe/Fiocruz, Marcelo Gomes, diz que 2020 começou no Brasil com a influenza em alta. Até 22 de fevereiro, havia mais casos do que a média dos anos anteriores. Na análise dos epidemiologistas, isso ocorreu em função de uma temporada de gripe severa no Hemisfério Norte, que acabou obscurecida pela pandemia de Covid-19.

Mas, a partir do fim de fevereiro, tudo mudou drasticamente. E só se viu Covid-19.

Os epidemiologistas detectaram seus sinais não apenas pelos resultados de testes moleculares de vítimas de SRAG quanto pelo perfil populacional. Houve mudanças significativas na faixa etária. Na Covid-19, há predominância de adultos e menos crianças de até 4 anos, diferentemente do que se vê na influenza.

Sem outros vírus

Entre 20 e 26 de setembro, período com os dados mais recentes disponíveis, não houve casos de SRAG registrados no Brasil provocados por qualquer um dos vírus influenza, segundo o boletim do InfoGripe.

“Praticamente, não temos encontrado os demais vírus em casos de SRAG, mesmo os influenza tiveram uma queda impressionante. Realmente, uma queda assombrosa e não natural. As medidas de distanciamento são eficazes e, aparentemente, surtiram efeito muito expressivo sobre os outros vírus” diz Gomes.

Segundo Motta, não existem números precisos de quantos casos de resfriado e infecções respiratórias acontecem por ano no país. Mas, a convicção dos especialistas, com base no que se observa em casos graves, é que houve redução brutal nos leves e moderados.

“Esses vírus ainda circulam em pequena escala, mas são pouquíssimos casos. Isso é muito positivo porque vírus respiratórios causam as infecções mais comuns e, mesmo que não provoquem doença grave, levam à perda de qualidade de vida e de dias trabalhados” enfatiza Motta.

Lição de 2020 fica

Distanciamento social, máscara e higiene foram fundamentais na redução dos demais vírus respiratórios. Motta, no entanto acredita que outros fatores também pesaram. Um deles é que as pessoas com sintomas dessas infecções, que antes continuavam a circular, se resguardaram mais e isso bloqueou a disseminação.

Outro fator é que o Sars-CoV-2 tomou o lugar dos demais vírus. Existe um fenômeno conhecido como interferência viral, pelo qual dificilmente uma célula infectada dará conta de produzir outros vírus. A coinfecção pode ocorrer mas, no caso, o Sars-CoV-2, levará vantagem.

O infectologista Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e diretor médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, afirma que os outros vírus respiratórios este ano quase não apareceram. Inclusive os influenza, que costumavam ser muito comuns esta época do ano. A temida dupla epidemia de gripe e Covid-19 não aconteceu.

“Os vírus respiratórios não foram erradicados. Mas ao menos este ano não tivemos que também sofrer com eles”, ressalta Motta. “Medidas de higiene e de educação sanitária, como uso de máscara em caso de sintomas, podem ajudar a termos menos dessas doenças, mesmo depois da pandemia. É uma boa lição, que devemos aprender.

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