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Dia decisivo
Disputa nos estados-chave e risco de judicialização marcam reta final nos EUA
Parte dos americanos teme uma onda de distúrbios ativada por declarações antecipadas de vitória, que não sejam reconhecidas pelo lado adversário
CNN
03/11/2020 | 14:22

A disputa entre e pela Presidência dos Estados Unidos chega aos acréscimos do segundo tempo com a promessa de prorrogação.

O tão esperado dia da eleição acontece nesta terça-feira 3, mas os americanos estão diante da perspectiva de uma apuração judicializada, com muitas contestações e uma demorada contagem de votos.

O dia em que as urnas fecham acontece diante de um comparecimento pré-eleitoral recorde, com quase 100 milhões de americanos já tendo manifestado a sua preferência na corrida pela Casa Branca.

Apesar de tantos eleitores terem votado antecipadamente, ao fim e ao cabo a apuração tende a demorar mais, uma vez que muitos desses votos dados pelo correio ainda estão a caminho.

Pesquisas apontam que os eleitores democratas de Biden estão entre os que votaram antes, enquanto a maior parte dos apoiadores republicanos de Trump estava aguardando o ‘Dia D’.

O resultado dessa complexa equação é que o atual presidente e candidato à reeleição está ameaçando questionar a legalidade dos votos que chegarem aos locais de destino após o fechamento oficial das urnas.

Parte dos americanos teme uma onda de distúrbios ativada por declarações antecipadas de vitória, que não sejam reconhecidas pelo lado adversário.

A Casa Branca espera realizar um evento sobre as eleições já na noite de terça, enquanto a campanha de Joe Biden aguarda o resultado para quinta 5 ou sexta-feira 6.

O final de semana que antecedeu o dia decisivo da eleição evidenciou esse risco.

No sábado 31, um ônibus da caravana de Joe Biden foi cercado no Texas por apoiadores do presidente, o que levou o democrata a cancelar um evento no estado.

Mais tarde, no mesmo dia, cerca de 300 veículos bloquearam o trânsito na ponte que atravessa o rio Hudson, em Nova York, para demonstrar apoio a Trump.

Parte dos comerciantes novaiorquinos passou os últimos dias “blindando” suas lojas com barreiras de madeira, temendo episódios de vandalismo.

50 eleições

O sistema eleitoral americano já é por si só complexo, mas o pleito de 2020 acontece em torno de tensões e dificuldades adicionais causadas pelas características das campanhas e dos candidatos, além da própria pandemia do novo coronavírus.

Nos Estados Unidos, a eleição do presidente se dá por meio de um Colégio Eleitoral, formado com delegados definidos pelas votações estaduais.

Cada estado tem o seu peso nesse colegiado e cada estado escolhe seus representantes a partir de regras e processos próprios.

Na prática, o resultado é a transformação de uma eleição em 50 votações diferentes, em que algumas são mais decisivas do que outras.

Joe Biden lidera a média nacional por uma ampla margem — 54% a 42%, de acordo com a média de pesquisas da CNN.

Mas só é declarado vencedor o candidato que alcançar 270 votos no Colégio Eleitoral.

Nesse caso, sempre vale lembrar que na eleição presidencial passada Hillary Clinton teve 3 milhões mais votos que Trump em 2016, mas mesmo assim perdeu a eleição.

Estados-chave

Os olhos estão voltados para alguns estados, sobretudo para os muito populosos e que não são terrenos cativos de democratas ou de republicanos.

Entram na conta também estados decisivos nos quais Hillary perdeu para Trump, mas Biden supera o atual presidente nas pesquisas de opinião.

Estão na lista dos locais decisivos, principalmente, os estados da Flórida, Pensilvânia, Arizona, Michigan e Carolina do Norte.

Tão decisiva quanto controversa, a eleição na Pensilvânia é um dos principais exemplos de uma potencial judicialização.

Lá, até a noite de sábado 31, 2 milhões de eleitores já haviam votado antecipadamente, sendo a imensa maioria (em torno de 1,5 milhão) de eleitores registrados no Partido Democrata.

A Suprema Corte autorizou o estado a contar os votos até sexta-feira. O presidente, no entanto, segue contestando a contagem prolongada dos votos, que ele chama de “terrível”.

Os democratas têm frisado que essa modalidade é uma forma segura de votar em meio à pandemia, enquanto Trump e os republicanos apostam no voto presencial para uma virada de jogo.

“Assim que a eleição acabar, vamos entrar com nossos advogados”, declarou Trump a repórteres, sem dar mais detalhes.

A primeira e mais clara sinalização para os EUA e para o mundo sobre quem comandará o Salão Oval da Casa Branca deve vir do estado da Flórida.

Sede dos parques da Disney e do mundo de compras da capital Miami, a Flórida é um estado muito populoso e, por isso, tem peso decisivo no Colégio Eleitoral.

Em 2016, Trump ganhou lá. Com 49,02% dos votos, contra 47,82% de Hillary Clinton, o republicano levou sozinho os 29 votos do estado e pavimentou seu caminho para a Presidência — totalizando 306 votos no Colégio Eleitoral, ou 36 a mais do que o necessário.

Biden está na frente dessa vez, mas por pouco. O candidato democrata tem 48% das intenções de voto, contra 46% de Trump, segundo a média divulgada pela CNN considerando as principais pesquisas que seguem os seus critérios metodológicos.

A consultoria Trafalgar, que previu a vitória do presidente em 2016, o coloca na frente no estado, mas por uma margem quase ínfima (49,8% a 49,6%). O estado deverá ser um dos primeiros a divulgar seus resultados. Quem vencer aqui larga consideravelmente na frente na disputa.

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