BUSCAR
BUSCAR
Coluna
Direita democrática desembarca de vez do bolsonarismo
Confira a coluna de Alex Viana desta sexta-feira 9
Alex Viana
09/07/2021 | 09:27

O movimento Brasil Livre está na borda se não estiver no epicentro do terremoto das manifestações de rua que ajudaram a derrubar a presidente Dilma Rousseff em agosto de 2016 pela via do impeachment.

Agora, depois de engrossar o coro também do impedimento do presidente Jair Bolsonaro, que por enquanto não deve ser votado no Congresso, o mesmo MBL negocia em bloco sua migração para o PSL, partido pelo qual Bolsonaro se elegeu.

Depois de inviabilizar o Aliança pelo Brasil mais por suas conveniências de ajustar o Centrão ao governo do que propriamente de criar seu próprio partido de referência, o presidente é hoje mais do que uma liderança isolada – é refém de poderosa parcela do Congresso Nacional que manda no orçamento da União.

O interessante na decisão do MBL e que mostra bem o momento em que vive o Brasil é a exigência do movimento ligado à direita liberal para se mudar de mala e cuia para o PFL: a expulsão de todos os bolsonaristas que ainda permanecem no partido.

Isso acontece depois que finalmente o grupo decidiu que voltaria às ruas para pedir o impeachment do presidente com o objetivo de disputar as eleições de 2022 e lançar o deputado estadual Arthur Do Val (o “Mamãe Falei”) ao governo paulista.

Até o momento em que esta coluna era escrita não havia saído o resultado da reunião realizada nesta quinta-feira, 8, entre a cúpula do MBL e o deputado federal Luciano Bivar (PE), presidente nacional do PSL.

Sabe-se apenas que a legenda fez um acordo com o MBL e entregou ao grupo o comando do seu diretório municipal. E assim oficializou o divórcio da direita liberal do governo Bolsonaro ainda chancelada por figuras desmoralizadas como o ministro Paulo Guedes, da Economia, e demitidas, como Sérgio Moro, da Segurança Pública.

Nesse meio tempo, o Patriota abriu as portas para senador Flávio Bolsonaro (RJ) aguardando que o presidente da República e seu grupo venham a reboque.

A estratégia, no caso da migração do MBL para o PSL, é atribuída ao presidente do PSL-SP, deputado Junior Bozzella, integrante da executiva nacional do partido e um principal articulador da transferência de Arthur Do Val e do apresentador José Luiz Datena, que assinou recentemente a ficha de filiação do PSL depois de deixar o MDB.

Embora seja notória a instabilidade de Datena, não é segredo para ninguém que o apresentador que já foi ligado a Bolsonaro é um poderoso fator de consenso contra o governo, que só esbarra na intransigência de um insignificante movimento de extrema esquerda financiado pelo fundo partidário chamado Partido da Causa Operária.

Conhecidos por alinhar-se a causas bolsonaristas, como o armamento da população, militantes do PCO agrediram tucanos do PSDB durante a última manifestação de rua contra o presidente e foram proibidos de participar da próxima por vários sindicatos de esquerda, exceto pela Central única dos Trabalhadores (CUT).

Mas a ideia de que o processo ferrugem, aquele que consome de dentro para fora a lataria, começa a consumir o carro do bolsonarismo, já começou. E ainda não se sabe se uma funilaria de urgência por meio de um aumento no Bolsa Família vai resolver.

Somadas às novas denúncias contra o presidente e seu derretimento nas pesquisas, os especialistas avaliam que os ventos mudaram de lado no PSL, que projeta um novo formato a partir do tsunami de 2018, quando elegeu 52 deputados federais.

Novas ameaças de Jair

Para variar, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez nesta quinta-feira 8 novas ameaças em relação ao pleito de 2022, quando ele deve disputar a reeleição ao Palácio do Planalto
Afirmou: “Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”.
A frase foi dita a apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada, e transmitida por um site bolsonarista.

Panos quentes

Um dia após ser cobrado a defender o Senado diante de críticas feitas pelas Forças Armadas à CPI da Covid, o presidente do senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que o episódio não passou de um “mal-entendido”. Segundo o senador, ele e o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, conversaram nesta quinta-feira, 8, sobre o ocorrido no dia anterior. “O episódio de ontem já foi suficientemente esclarecido e o assunto está encerrado”, disse Pacheco, em suas redes sociais. Revendo o episódio, não dá pra entender onde exatamente Aziz faltou com respeito à instituição Forças Armadas.

Na mira do PSL

Depois do apresentador José Luiz Datena e de todo o MBL, o PSL esticou os olhos para cima do general da reserva e ex-ministro Carlos Alberto Santos Cruz.
Ontem, o general disse ao GLOBO que já recebeu convites de siglas como PSL, Podemos e MDB. No entanto, nega ter tratado de candidatura específica ou formação de chapa.

Desnecessário dizer

Para fechar a semana “Unidos contra Bolsonaro”, representantes de oito partidos de centro, adeptos de uma candidatura alternativa a Bolsonaro e Lula, voltaram a se encontrar nesta quarta-feira em Brasília. No encontro, segundo registrou O Globo, ficou decidido que os partidos iriam elaborar um documento conjunto contra o aumento de impostos e a proposta de reforma tributária feita pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Pediu pra sair

A Companhia Docas do Rio Grande do Norte (CODERN) informou oficialmente nesta quinta-feira que o Almirante de Esquadra Elis Treidler Öberg não é mais Diretor-Presidente da Companhia desde o dia 26 de junho, tendo o Conselho de Administração (CONSAD) já efetivado o ato. Para variar, ele não conversou com a imprensa para explicar a decisão.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - redacao@agorarn.com.br
Comercial: (84) 98117-1718 - publica@agorarn.com.br
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.