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Representatividade
Dia Internacional das Pessoas com Deficiência: Ivan Baron conta sua história e pede fim do preconceito
Jovem ganhou destaque durante a pandemia da Covid-19 assim que começou a gravar vídeos bem-humorados sobre acessibilidade para publicar na internet
Ivan Baron
03/12/2020 | 06:38

Olá, tudo bem? Me chamo Ivan Baron, tenho 22 anos, sou estudante de pedagogia e sou popularmente conhecido como o “influenciador da inclusão”, isso porque crio conteúdo sobre pessoas com deficiência de uma maneira leve e descontraída na internet. Nasci uma criança “típica”, expressão usada para pessoas sem deficiência, mas aos 3 anos tive meningite bacteriana. A gente sabe quando essa doença não mata, mas deixa sequelas. Eu não morri, porém, fiquei com a paralisia cerebral que tenho até hoje.

Meus pais me contaram na época que o médico, ao revelar o diagnóstico, decretou que eu provavelmente não iria andar nem falar pelo resto da vida. Aquilo foi um grande baque para eles, mas não foi uma justificativa para desistirem do meu tratamento. Iniciei todo meu processo de reabilitação através da rede pública de saúde, e graças ao SUS e pela fé que hoje tenho uma vida com muito mais independência. Acredito que as pessoas precisam entender que deficiências não precisam de cura, milagre ou qualquer outro tipo de negacionismo.

Nós, pessoas com deficiência, precisamos mesmo de oportunidades. Desde criança vejo que a sociedade não nos permite amar os nossos próprios corpos porque eles não pertencem ao padrão que imposto, mas quem deu autorização para a sociedade ditar algo? Culpa disso tudo está no capacitismo enraizado. O capacitismo é um termo que define o preconceito com pessoas com deficiência, é um sentimento violento e excludente.

Tive minha primeira experiência capacitista na escola, quando eu era superestimado pela minha professora e subestimado pelos colegas de sala, que acreditavam que eu não seria capaz de realizar qualquer atividade. O preconceito tem dessas coisas: não naturaliza a pessoa e coloca ela em situações de extremos. Somos bonzinhos demais ou somos os vilões da história. São vários os tipos de violência que nós sofremos, engana-se quem pensa apenas em falta de rampas ou agressões físicas. São tantas agressões que não caberiam nesta página de jornal.

Isso se dá ao fato de sermos diversos. Cada pessoa com deficiência possui sua individualidade. Sabe aquele papo de “somos todos iguais”? Precisamos desconstruir essa conversa a partir de agora se queremos realmente uma sociedade inclusiva. Nós não somos iguais e nossas diferenças devem ser valorizadas e respeitadas. Enfim, falar de inclusão deve causar reflexões, precisamos mostrar a realidade. Nosso país já avançou muito em leis, mas só elas não são suficientes. Não podemos retroceder: o momento agora é de mudar pensamentos!

Conheça mais

O jovem Ivan Baron ganhou destaque durante a pandemia da Covid-19 assim que começou a gravar vídeos bem-humorados sobre acessibilidade para publicar na internet. Agora, o perfil dele no TikTok (@oitortinho) já acumula mais de 133 mil seguidores espalhados por todo o Brasil.

Através de piadas nada ofensivas, o jovem potiguar aborda temas como diversidade e capacitismo – termo utilizado para descrever a discriminação, opressão e abuso oriundos da noção de que pessoas com deficiência são inferiores às pessoas sem deficiência. Com o objetivo de desconstruir preconceitos, Ivan usa as próprias experiências para enaltecer a representatividade e compartilhar conhecimento.

Para ele, pessoas com deficiência não são coitadas ou especiais e devem ocupar todos os lugares que querem e que merecem. Ivan sempre viu pessoas famosas em diversas áreas, apoiando várias vertentes, mas raramente encontrava alguém que falasse de conquistas das pessoas com deficiência. Foi por isso que ele decidiu ocupar essa lacuna criando um conteúdo consistente e informativo nas redes sociais.

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