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Repercussão
Dia do Orgulho Hétero, aprovado pela Câmara de Cuiabá, causa polêmica nas redes sociais
Data seria comemorada em dezembro, conforme o parlamentar, que já se manifestou contra possibilidade de banheiro unissex na capital goiana
Metrópoles
23/12/2021 | 15:48

Após a aprovação em primeiro turno do Projeto de Lei que cria o Dia do Orgulho Hétero em Cuiabá dividir opiniões, a câmara de vereadores decidiu adiar a segunda votação, que ocorreria nesta quinta-feira, para fevereiro, no retorno do recesso parlamentar. A informação foi divulgada pela vereadora Edna Sampaio (PT), única a votar contra o PL de autoria do vereador Tenente Coronel Marcos Paccola (Cidadania). O projeto de lei, aprovado na terça-feira por 15 votos a 1, é visto como desnecssário por parte dos internautas, que apontam “masculinade frágil” de defensores.

Em vídeo divulgado em seu perfil no Instagram, Paccola afirmou que criou o PL após o filho e os sobrinhos relatarem que para participar de determinados grupos na escola eles tinham que “beijar meninos e meninas”. O parlamentar ressaltou ainda que o forte ativismo LBGTQIA+ tem incentivado os jovens a terem um “comportamento bissexual” e causando uma desestruturação no “modelo conservador de família que está escrito na bíblia”.

— Eu não tenho nada contra, muito pelo contrário, tenho amigos, pessoas do meu convívio direto que são homossexuais. Mas não vejo o motivo pelo qual nós somos atacados ao ponto de estarmos ouvindo de crianças que eles não podem declarar o seu orgulho de ser heterossexual. Então vejo que esse parlamento tem sim que demonstrar pra todos que o respeito à liberdade e a opção sexual é a todo tipo de opção, inclusive a opção de ser heterossexual — declarou Paccola, que complementou:

— Você pode ter orgulho de ser lésbica, pode ter orgulho de ser gay, mas não pode ter orgulho de ser hétero. É assim que eles estão tentando fazer com que a imposição chegue em nossos filhos — concluiu.

Em reposta ao vereador, internautas se posicionaram contra e a favor da instituição do Dia do Orgulho Hétero. Um rapaz disse: “coragem viu, vai trabalhar pra ajudar as pessoas que estão dormindo na fila pra comer osso”. Outro comentou: “Que masculinidade frágil, tenente!”. Entre os que defendem a ideia, os comentários foram de apoio a Paccola. “Ainda bem q (sic) existe gente como vc! Avante! Em prol da família”, escreveu um homem. Já uma mulher opinou que também tem orgulho de ser heterossexual, acrescentando que “princípios divinos jamais serão aniquilados”.

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Rebatendo a proposta de lei, a vereadora Edna Sampaio definiu a medida como “vergonhosa” e afirmou que não há do que se orgulhar, já que o Brasil é o país que mais mata LGBTQIA+ no mundo.

— Quem sofre violência com sua orientação sexual? É a pessoa heterossexual? Quem é expulso da casa quando os pais e a família descobrem a sua orientação sexual? Quem pode ser abordado por violência na rua e até morto se encontrar alguém que odeia pessoas LGBTQIA+? Não são os héteros, gente. Nossa sociedade é uma sociedade violenta contra as pessoas LGBTQIA+, que aliás esse crime já está inscrito nas nossas leis. Mesmo assim, aqui na Câmara Municipal nós tivemos a capacidade de aprovar agora no final do ano um Dia do Orgulho Hétero, daqueles que deveriam ter responsabilidade sobre os corpos que são vitimados por serem LGBTQIA+ — defendeu.

A criação do “Dia do Orgulho Hétero”, previsto para o terceiro domingo de dezembro, garante o direito de todo cidadão afirmar o “orgulho em ser heterossexual”, de acordo com Paccola.

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