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Educação
Dia do Idoso: potiguar enfrentou câncer e se formou em Engenharia Civil aos 58 anos
Busca por qualificação e vida profissional ativa são cada vez mais comuns na terceira idade; especialistas avaliam comportamento como saudável, mas orientam cuidados necessários
Redação
01/10/2021 | 11:20

Sempre um aluno muito dedicado, Joais Tavares de Morais, 60 anos, não deixou que a idade fosse um empecilho na sua jornada educacional. Em 2018, aos 58, concluiu o curso de Engenharia Civil na Estácio, após trabalhar quase 30 anos no setor de geoprocessamento da Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) com o diploma do curso de Estradas da antiga Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte, hoje Instituto Federal (IFRN).

“Como minha formação na área era de nível técnico, eu sempre tive interesse em adquirir mais conhecimento e me aperfeiçoar. Passei anos trabalhando no interior, em Pau dos Ferros, e pela distância e pela falta de oferta do curso que eu queria fazer, cursei Economia na UERN, mas continuei com o sonho da Engenharia Civil”, lembra. Anos depois, com a nota do Enem, ele seguiu a indicação do chefe de seu setor e fez a inscrição no curso na Estácio, onde se formou com louvores, mesmo diante de outras dificuldades que surgiram.

“Em 2017, eu fui diagnosticado com um tumor maligno no colo do intestino grosso e em novembro do mesmo ano, veio a cirurgia, e posteriormente a quimioterapia. Durante o tratamento da doença, passei um ano e dois meses usando a bolsa de colostomia que dificultava um pouco assistir aula, mas sempre fui muito aplicado, não sou de faltar às aulas, e tive muito apoio da família, dos colegas de curso, dos professores e da coordenação da unidade para que eu não desistisse”, conta.

Joais faz parte de uma parcela da população que está aproveitando a melhor idade para voltar aos estudos. Segundo o último Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o número de idosos matriculados em cursos de graduação aumentou 46,3% entre 2013 e 2017. E a tendência é que o comportamento aumente com o crescimento da população idosa no país.

Depois da formatura, ele já completou uma pós-graduação em Patologia, terapia e reforço de concreto armado, e considera fazer segunda em Cálculo Estrutural. “Gosto de aprender e, justamente na área de Engenharia, é uma realização pessoal muito grande”, afirma o engenheiro.

Vida profissional ativa é cada vez mais comum após os 60 anos

Segundo dados mais atualizados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar dos idosos serem uma parcela ainda pequena da população ativa no mercado, os números vêm aumentando, saindo dos 5,9% em 2012 para 7,2% em 2018, o que representa algo em torno de 7,5 milhões de brasileiros idosos na força de trabalho do país.

“Empresas mais atentas estão se dando conta que a diversidade de gerações dentro de uma companhia é algo saudável e gera maior produtividade. Nossos idosos hoje são das gerações baby boomer e X. São pessoas, que no geral, têm mais disciplina, são regradas e se sentem úteis ao passar seus conhecimentos e experiências. Se este entendimento for captado pelas corporações, certamente a empresa terá bons resultados, destinando parte de suas vagas para profissionais da terceira idade”, avalia a psicóloga e professora da Estácio, Jocely Burda.

Segundo a professora, ainda temos uma sociedade um tanto preconceituosa em relação à terceira idade por, limitadamente, achar que pessoas nesta faixa etária são mais lentas, menos ligadas à tecnologia ou por não fazer muitas atividades ao mesmo tempo, desconsiderando a valiosa experiência de vida que esses idosos possuem. “Cabe às empresas quebrarem essa barreira e extrair o que há de melhor dentro das gerações. Se dispostas, precisam entender como melhor acolher esse público bem como preparar o ambiente para que o mesmo possa ser acessível às pessoas da terceira idade”, lembra ela.

O Estatuto do Idoso, que neste dia 1º de outubro completa 18 anos, trata dos direitos dos idosos, incluindo aqueles relativos a trabalho e renda. Não é preciso encarar o documento como algo punitivo, mas sim como uma lei de orientação que permite valorizar o ser humano. “Respeitar essas regras não é somente fundamental pelo respeito às pessoas idosas, mas é também uma forma de preparar nosso próprio caminho, que converge para uma vida após os 60 anos”, diz a professora.

Saúde em dia

Para a médica e coordenadora de pós-graduação em Geriatria da Estácio, Dra. Menila Barbosa, ter uma vida profissional ativa após os 60 anos é algo benéfico. Porém, a pessoa precisa também ter a consciência de que o seu pique e ritmo não estão mais nos patamares de quando ela tinha seus 30 ou 40 anos. “Para que a profissão esteja alinhada à qualidade de vida nesta altura do campeonato é preciso uma rotina desacelerada, visando utilizar o máximo de sua experiência para a resolução das demandas. Nada de jornadas longas, exaustivas e sem folgas”, diz a geriatra.

Sabe-se ainda que na sociedade contemporânea muitos idosos são os provedores das famílias brasileiras. Logo, trabalhar acaba não sendo uma opção, mas sim uma necessidade efetiva para que se possa manter a renda familiar.

É preciso ter espaço na agenda para a realização de refeições saudáveis, exercícios físicos de rotina, lazer com a família e amigos e um tempo para si. Hoje, essas moedas são extremamente caras para a geração que se encontra no mercado de trabalho. “O idoso que está na ativa, por necessidade ou por opção, deve buscar fugir dessa correria, senão o efeito pode ser contrário e menos benéfico devido a uma demanda exaustiva”, explica a geriatra completando ainda, que “exames de rotina e consultas ao médico não podem sair da agenda por eventuais desculpas de uma agenda apertada devido ao trabalho”.

Já a psicóloga Jocely Burda faz um alerta com relação à socialização necessária nesta idade. “É saudável a pessoa manter o seu relacionamento com amigos, parentes e comunidade, isso faz a pessoa se sentir mais feliz, incita a compartilhar ideias e manter uma mente saudável. A rotina de um trabalho na terceira idade não pode comprometer essa convivência. Por isso é necessário sempre colocar na balança e buscar o equilíbrio”, ressalta.

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