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Resposta
Devo ou não mandar meu filho para a escola antes de vaciná-lo contra a Covid? Especialistas explicam
Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira (5) as regras para a vacinação de crianças de 5 a 11 anos e abriu mão da exigência de receita médica para imunização dessa faixa etária
g1
06/01/2022 | 12:30

O Ministério da Saúde informou nesta quarta-feira (5) que a previsão é que as crianças de 5 a 11 anos de idade comecem a ser imunizadas contra a Covid-19 neste mês. Como o ano letivo deve começar nas próximas semanas, surge uma dúvida entre pais e responsáveis: afinal, é preciso esperar até que uma criança esteja vacinada para mandá-la à escola? Para especialistas, a resposta é não.

O governo divulgou as regras de vacinação desse público e abriu mão da exigência de receita médica para imunização dessa faixa etária.

De acordo com o ministério, a vacinação será feita em ordem decrescente de idade (das crianças mais velhas para as mais novas), com prioridade para quem tem comorbidade ou deficiência permanente.

Até o fim de janeiro, a estimativa é que 3,7 milhões de doses cheguem ao país. No entanto, segundo o IBGE, o Brasil tem cerca de 20,5 milhões de crianças nessa faixa etária.

A aplicação da vacina da Pfizer para este público está autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 16 de dezembro.

Para Marcelo Otsuka, pediatra e infectologista, a resposta é não. “Se não há nenhum quadro respiratório na família, se uma criança está clinicamente saudável, se não para uma criança com quadro de câncer ou alguma doença imunossupressora, acredito que ela deva ir à escola, sim”.

Segundo o especialista, que coordena o Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), os prejuízos em deixar os estudantes fora da escola vão além da questão educacional.

“As crianças precisam ir para a escola. Elas são extremamente prejudicadas por não irem. Grande parte delas não tem o acesso adequado à internet ou sequer acesso à internet”, explica.
“Para muitas crianças, a refeição mais importante do dia é a que fazem na escola. E, mais do que isso, os casos de agressão contra a criança aumentaram muito nos últimos meses. Então, é muito ruim falar que ela não deve ir pra escola porque o prejuízo que já teve é ​​irremediável “, completa.

Além disso, na opinião dele, aguardar até que a criança está com o esquema vacinal completo – duas doses da vacina e aguardar duas semanas após a aplicação da segunda dose -, pode aumentar ainda mais o abismo educacional que já evoluiu nos últimos dois anos.

Para a pediatra e professora da Faculdade de Medicina da USP Ana Escobar, a escola pode ser um ambiente mais seguro “do que a própria casa das crianças, portanto não há razão para não mandar seus filhos para a escola”.

“A escola é segura no momento em que professores, funcionários, estão vacinados e seguindo os protocolos de segurança, como uso de máscara, lavagem de mãos, e como escolas estão fazendo isso”, afirmou em entrevista ao programa GloboNews em Ponto na terça- feira (4).

A epidemiologista e professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Ethel Maciel, avalia que o ambiente escolar deve ser mais seguro para o ano letivo de 2022.

“Com a comunidade adolescente e adulta já vacinada, a não ser que os indicadores municipais sejam muito ruínas e haja muita contaminação nas escolas, vamos ter um ambiente muito mais seguro do que no ano passado”, analisa.

Otsuka concorda que manter os cuidados contra a doença, principalmente por parte dos adultos, mas também das crianças, é importante para fazer ida à escola mais segura possível. Manter o distanciamento, revezar os horários de intervalo, estimular que as crianças lavem as mãos e não troquem material escolar são alguns destes cuidados.

“As secretarias de educação já determinaram estes protocolos e várias outras medidas que proporcionam uma chance da criança contra uma doença, portanto este risco não deve ser usado como desculpa para não mandá-la a escola”, finaliza ele.

Imunizar crianças da faixa etária entre 5 anos e 11 anos vai colaborar com a redução de formas graves e óbitos pela doença , além de ser capaz de reduzir a transmissão do vírus, diz nota técnica divulgada pela Fiocruz em 28 de dezembro.

De acordo com a nota divulgada pela Fiocruz, “embora crianças adoeçam menos por Covid-19 e menos frequentemente desenvolvam formas graves da doença, elas transmitem o vírus na comunidade escolar e também fora dela”.

Além disso, a taxa de mortalidade da doença também é preocupante. Um levantamento recente da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19 revelado que, do início da pandemia no Brasil até 6 de dezembro, 301 crianças de 5 a 11 anos morreram após serem diagnosticadas com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid. Ou seja, uma morte infantil foi registrada a cada dois dias desde 2020.

Segundo Otsuka, existe nenhum cronograma de vacinas para crianças a imunização contra doenças que são menos letais. “O Programa Nacional de Imunizações (PNI) adota várias vacinas para doenças que não matam tanto quanto coronavírus matou, como uma meningita, que é gravíssima, mas mata muito menos”, compara.

Neste panorama, para o especialista é fundamental que as crianças sejam vacinadas neste momento pandêmico, e, se necessário, volte a se vacinar contra a Covid periodicamente.

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