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Coluna
Desunião da classe política responde pelo atraso no RN
Confira a coluna de Alex Viana desta sexta-feira 2
Alex Viana
02/07/2021 | 08:21

A desunião da classe política norte-rio-grandense é o que mantém o estado refém do atraso. É essa a avaliação de dez entre cada dez analistas políticos do Estado. A polarização entre esquerda e direita no país, azeitada pelo próprio presidente da República, que, eleito e empossado, continuou a política da raiva e do ódio contra seus adversários, termina aprofundando ainda mais o abismo existente no estado entre grupos políticos antagônicos.

Costuma-se dizer que, no Ceará, um estado bem mais evoluído e unido que o nosso, os políticos brigam internamente, mas que, na hora de defender o estado lá fora, sobretudo em Brasília, se unem em favor do desenvolvimento daquela unidade federativa.

Os números não mentem. A economia cearense é a terceira mais forte do Nordeste. Seu PIB em 2018 foi de R$ 155 bilhões, enquanto que a Bahia, o estado líder, de R$ 286 bilhões e Pernambuco, o segundo colocado, de R$ 186 bilhões. Mesmo com potencial enorme, o Rio Grande do Norte teve PIB de R$ 66 bilhões.

Embora à frente de Alagoas (R$ 54 bi), Paraíba (R$ 64 bi), Sergipe (R$ 42 bi) e Tocantins (R$ 35 bi), o RN tem potencial gigantesco e, não fosse a perda de tempo com querelas políticas, poderia usufruir de mais benefícios desenvolvimentistas. Sobretudo se focasse em projetos e na criação de ambiente favorável à atração de empresas e indústrias. E isso não é só papel do Estado. Mas da classe política como um todo.

Além de pouca modernização gerencial, devido à inexperiência administrativa de governos sucessivos, o desalinhamento político entre o Estado e o governo federal sempre dificulta a soma de esforços para o crescimento estadual. Foi assim em períodos como nos governos de Rosalba Ciarlini, quando a presidente era Dilma Rousseff, e, agora, na gestão Fátima Bezerra, com Bolsonaro como presidente.

Alguns anos atrás, a arenga política era mais disfarçada, quando Dilma Rousseff costumava dizer que seu governo era “republicano”, não discriminando politicamente os estados – o que sabemos não ser toda a verdade. Agora, porém, na gestão Bolsonaro, a dissenção política é escancarada, com o presidente fazendo questão de tratar adversários com medidas diferentes, beneficiando aliados em detrimento daqueles governantes que considera opositores.

Mas o pior é que os que deveriam ser os maiores interessados no desenvolvimento do RN, a bancada federal (no caso a do Rio Grande do Norte composta por oito deputados federais mais os três senadores), atuam geralmente descompassadamente, com os adversários políticos do governo estadual fazendo de tudo para prejudicar esse mesmo governo, no afã de desgastá-lo e sucedê-lo nas próximas eleições.

O resultado de tudo isso é que o Estado fica sem foco em suas prioridades e perde força em seus pleitos. Melhor seria que sempre houvesse, após as eleições, uma trégua política, em favor do Estado. Nosso Rio Grande do Norte tem histórico antigo de ser feudo político de famílias e de grupos que se revezaram sempre no poder. E que usaram o Estado e ainda o usam para manterem-se nesse mesmo poder, dificultando um desenvolvimento inteligente e pautado no interesse da maioria de sua população.

Se a moda pega
A moda agora é CPI. Não como instrumento para apuração de fatos. Mas como forma de enfraquecer o executivo e barganhar dividendos. Após a aprovação da CPI na Assembleia, vereadores de Natal desejam abrir uma CPI para investigar o governo Álvaro Dias (PSDB).

Adiamento
O plenário da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte acatou ontem, por 13 votos a 10, requerimento de autoria do deputado Francisco do PT, líder do Governo do RN na Casa Legislativa, adiando por cinco sessões a nomeação dos membros, fixação de data para reunião e eleição dos cargos de presidente e vice-presidente e designação de relatoria da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para fiscalizar contratos do governo do RN durante a pandemia da Covid-19. “Estou aqui exercendo um direito regimental, que nos garante, enquanto parlamentar, bancada e líder do Governo, que possamos nos utilizar desse expediente”, argumentou Francisco.

Esfriamento
O pedido de Francisco do PT foi questionado pelo deputado Getúlio Rêgo (DEM). “Estranha a movimentação do deputado Francisco ao dizer que houve intervenção de fora para dentro na Casa. Isso deixa claro que o Governo se preocupa com a instalação da CPI nesta Casa”, disse Getúlio Rêgo. Para o parlamentar, na prática, o objetivo do requerimento do líder do governo é o adiamento dos trabalhos da CPI da Covid, que visa investigar os atos do Governo do Estado durante o combate à pandemia do novo coronavírus com recursos do Governo Federal.

Movimento
O deputado José Dias (PSDB) demonstrou surpresa com o pedido do parlamentar. “Estou há 35 anos aqui e durante todo esse tempo não vimos nenhum Governo fazer movimento como o que a administração estadual está fazendo, para a não instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito nesta Casa”, frisou.

Defesa
Sobre o assunto o deputado Vivaldo Costa disse que a hora é de união e não de radicalismo. “Nós precisamos de uma trégua. Nós precisamos confiar na ciência. Temos que nos unir para enfrentar a pandemia que não acabou. Temos que nos unir para enfrentar uma seca que toma conta desse Estado, mas infelizmente o que vemos é um clima de radicalismo ideológico nesta Casa”, lamentou.

Protagonismo
A deputada federal Natália Bonavides (PT) assumiu protagonismo nacional na provocação dos tribunais superiores contra possíveis malfeitos do governo Jair Bolsonaro, ao qual tenta fazer uma oposição ferrenha. Nesse quesito, a parlamentar federal do RN acerta um veio importante, mas apenas com repercussão no cenário nacional.

Encaminhamento
A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu encaminhamento ontem à denúncia de Natália, enviando à Procuradoria Geral da República o pedido de investigação apresentado contra o presidente do Jair Bolsonaro e o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias.

Caso concreto
Na notícia-crime, a congressista potiguar afirma que Bolsonaro cometeu o crime de prevaricação, enquanto Dias estaria enquadrado nos crimes de associação criminosa, corrupção passiva e advocacia administrativa. Dominguetti afirmou que procurou o ministério para oferecer uma remessa de 400 milhões de imunizantes fabricados pela AstraZeneca e que Roberto Dias teria exigido US$ 1 de propina para cada dose de vacina negociada.

Distanciamento
Se por um lado Natália Bonavides se destaca no cenário nacional pela atuação junto ao Supremo – esta não foi a primeira vez que ela acionou a Corte Maior de Justiça do país -, por outro, a parlamentar tem sido apontada por analistas políticos como muito distante do Rio Grande do Norte. À exceção de sua base política, alimentada por suas redes sociais, Natália praticamente não tem nenhuma atuação junto às entidades representativas e setoriais do Estado, estas, órfãos de representantes políticos em Brasília.

Teatro de volta
Boa notícia para os requentadores de espaços destinados à arte, cultura e ao entretenimento: o Teatro Riachuelo Natal reabrirá a partir desta sexta-feira, 02 de julho, com o espetáculo “Zé Lezin – As Férias do Matuto”, seguindo rigorosamente todos os protocolos de distanciamento e higiene sugeridos pelo órgão municipal de saúde.

Distanciamento
O mapa da sala de espetáculos estará com assentos bloqueados seguindo o distanciamento obrigatório, será aferida a temperatura de todos os clientes na entrada, e o bar não estará em funcionamento para que os clientes possam manter suas máscaras enquanto permanecerem no local. Além disso, álcool em gel será disponibilizado aos clientes, as equipes de trabalho serão reduzidas, e a saída dos clientes será escalonada por setores e andares. As medidas adotadas visam maior segurança e também serão acatadas tanto pelo artístico quanto pelos profissionais do Teatro.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
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