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Alerta
Desleixo no uso de máscaras de proteção preocupa autoridades em Natal
Todo mundo tem uma história diferente para contar, mas que acaba sempre com uma desculpa para não usar a proteção
Marcelo Hollanda
28/09/2020 | 04:58

Máscara abaixo do nariz, no queixo, pendurada no pescoço ou displicentemente balançando em uma das orelhas, prestes a cair. Máscara no bolso, na bolsa ou no porta-luva do carro. Abaixada toda vez que se começa uma conversa. Um sinal de consideração e para que a voz seja mais bem ouvida.

A proteção, que ficou conhecida no Brasil com a Gripe Espanhola, em 1918, tem defensores ferrenhos no bairro do Alecrim, campeão absoluto em aglomerações e ausência da máscara tão solicitada pelas autoridades sanitárias como a prevenção mais fácil e barata contra o novo coronavírus.

Seja lá quem for perguntado, dirá que é importante usar. Só que poucos usam. E quem usa confessa que só troca uma vez por dia, contrariando todas as recomendações dos especialistas.

Na última sexta-feira 25, no calor do meio da manhã, já beirando 30 graus, amigos caminhavam por quadras para fazer a vacinação de animais domésticos na região. Estavam totalmente paramentados, com capotes, luvas, óculos, máscara e proteção de cabeça, EPI completo. Um deles comenta: “É como se ninguém estivesse nem ai com essa doença”.

O cruzamento da Caícó com a Antônio Basílio foi escolhido por acaso, como ponto de observação da reportagem. Enquanto em outros pontos da cidade o uso da máscara é quase absoluto, já que é imperativo para que as pessoas ingressem em lojas e supermercados, já na informalidade do comércio de rua o perigo é desafiado constantemente. E todo mundo tem uma história diferente para contar, mas que acaba sempre com uma desculpa esfarrapada para não usar máscara de proteção.

Carlos Eduardo Valentim, 48 anos, por exemplo, esqueceu a dele em casa, mas já ligou pedindo para que a mulher saísse correndo de casa com uma. “Nem eu e nem ela contraímos o vírus”, explica ele, sem nunca ter feito qualquer teste, apesar da rotina na mesma banca de frutas e verduras há 12 anos.

Ele é tão conhecido que um dos clientes chega de carro com a máscara arriada no queixo, pedindo isto ou aquilo, alguns (não é o caso) falando mais alto para serem ouvidos.

Morando só ele com a companheira, Valentim conta ter sabido de casos de Covid 19, sem nunca ter sido apresentado pessoalmente a um contaminado. “Se a pessoa tem e vem aqui e não sabe que tem, a gente também não fica sabendo”, raciocina o feirante.

Ao passar nesse momento pela banca de frutas, o porteiro Marcelo de Assis, 53 anos, exibe com orgulho a máscara retirada do bolso, toda dobrada para caber na palma da mão. E explica que não usa porque teve Covid em julho, ficou afastado do trabalho por 14 dias, não sentiu absolutamente nada e agora é vida que segue.

A razão para não usar máscara de proteção, mas portá-la no bolso, tem uma explicação comum para quase todo mundo que age da mesma maneira: sem a proteção não se pode entrar nas lojas, que mantém protocolos rígidos de segurança da porta para dentro. Mas da porta para fora é como se a pandemia não existisse.

Para o eletricista de automóveis Assis de Paula, 33, no entanto, o coronavírus trouxe um conjunto de más notícias que ele dificilmente esquecerá, embora tenha como hábito não usar máscara quando inspeciona a fiação de um carro ou fala com os colegas, alguns com máscaras e outros sem.

Depois de perder o emprego que tinha com carteira assinada e esconder o fato da mulher por quase uma semana para não piorar o clima em casa, Assis sentiu um conjunto de sintomas igualzinho o da Covid, só que não comprovados por exame.

“Tive muita dor de cabeça, dor no corpo, febre e o paladar sumiu e não voltou até agora”, diz ele, que também não conseguiu receber nenhuma parcela do auxílio emergencial do governo até agora. Durante o tempo de convalescença, com três filhos em casa – a caçula de um ano e três meses – ele diz que foi buscar bicos na rua quase todos os dias. “Parei de trabalhar não, chefe, mas fiquei com muito medo de tudo”, confessa.

Máscaras: tem que cobrir o nariz e a boca

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e publicado pela New England Journal of Medicine, constatou que o uso de máscara de proteção contra o novo coronavírus pode gerar uma resposta imunológica e reduzir a gravidade da doença nas pessoas garantido que a maioria das alterações são assintomáticas.

Na semana passada, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) reforçou a orientação para o uso correto da máscara de proteção. Mas para ter uma ação eficaz e evitar a transmissão, ela deve ser usada cobrindo o nariz e a boca ao mesmo tempo.

“Mascara não é adereço para o queixo! E mesmo quando uma pessoa é contaminada, usando uma máscara, ela se protege, podendo ter um quadro mais leve ou assintomático”, explica o secretário estadual de saúde Cipriano Maia.

Até a última quarta-feira 23, segundo a Sesap, o Rio Grande do Norte tinha 2.356 mortes causadas pela Covid-19. Isso representou um aumento de 298 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus até a última quinta-feira, com o número total de contágios elevado para 68.059 no Rio Grande do Norte.

Segundo a Sesap, a taxa de transmissibilidade (Rt) no Rio Grande do Norte está em 0,92. O número representa a capacidade de contágio do vírus. Hoje, 128 municípios estão em situação de perigo ou risco, significando que a taxa está em 1,03. Ou seja, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para mais de um indivíduo.

Não esqueça

• Use a máscara sempre que sair de casa;
• Ao sair, leve uma máscara reserva para realizar a troca a cada 02 horas de uso;
• Leve uma sacola para guardar uma máscara, caso seja preciso trocar;
• Evite tocar ou ajustar uma máscara, enquanto estiver usando;
• Use máscara quando estiver tossindo e espirrando, assim você evita transmitir o vírus para outras pessoas;
• Faça uso da máscara caso, cuidando de uma pessoa com doenças respiratórias;
• Além de usar uma máscara, realize uma limpeza frequente das mãos com água e sabão ou higienize com álcool em gel 70%;
• Após usar a máscara, descarte-a em local adequado e lave bem as mãos;
• Utilize uma máscara do tipo cirúrgico ou de pano (com pelo menos duas camadas de pano, como algodão, tricoline ou TNT). A máscara N95 é de uso dos profissionais de saúde;
• Lembre-se: uma máscara é de uso individual e deve cobrir totalmente o nariz e a boca, ficando bem ajustada ao rosto.

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