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Reino Unido
Desfecho do Brexit deve trazer volatilidade às moedas, em especial à libra, nesta semana
Reino Unido definiu a próxima quarta-feira como limite máximo para estabelecer um acordo comercial com a União Europeia, mas com o prazo chegando, temor é que nenhum pacto seja firmado
Estadão
14/10/2020 | 09:46

A expectativa pelo desfecho de um acordo comercial entre União Europeia e Reino Unido pós-Brexit toma a atenção do investidor nesta semana. Mesmo às vésperas do prazo limite para o impasse, as negociações devem, assim como já aconteceu nas últimas semanas, impactar o câmbio, com a libra esterlina sob pressão de baixa a depender do desfecho, e ainda causar oscilação nas bolsas europeias.

Além da proximidade da data limite imposta pelo premiê britânico, Boris Johnson – dia 15 de outubro -, a semana tem na agenda a divulgação de dados da economia do Reino Unido em um contexto de restrições mais duras na região para conter uma segunda onda da Covid-19. Na última segunda-feira, 12, o primeiro-ministro anunciou um novo conjunto de medidas para reduzir a propagação do vírus. Além de classificar as regiões do país em três níveis de alerta – médio, alto e muito alto -, anunciou um novo pacote financeiro no valor de 1 bilhão de libras para apoiar as áreas mais afetadas pela Covid-19. As medidas anunciadas pelo governo britânico serão votadas hoje e, se aprovadas, devem entrar em vigor amanhã, às vésperas da data limite em torno do Brexit.

No mercado, há esperanças de um acordo entre Reino Unido e União Europeia, ainda que não concluído nesta semana, mas também há preocupações em torno do conteúdo desse acerto. Como reflexo, a libra deve ficar à mercê do andamento das conversas, com alguma influência na cotação do dólar no exterior – afinal, a divisa da rainha corresponde a 11,9% do Dollar Index (DXY), que mede a variação da divisa americana ante uma cesta de seis rivais fortes. Desde que teve início o processo do Brexit, com o plebiscito de junho de 2016, a libra apresentou a maior volatilidade de sua história, chegando a ser comparada com moedas emergentes devido às fortes oscilações.

“O comportamento geral da libra reflete as esperanças de que as negociações do Brexit no final desta semana possam progredir em direção a um acordo comercial ilusório”, diz o analista de mercados da americana Western Union, Joe Manimbo.

Se não houver consenso nesta semana e Johnson desistir de um pacto, a libra esterlina pode ser ainda mais penalizada. Por outro lado, um acordo na reta final ou um adiamento do prazo estabelecido por Londres podem dar força à moeda local. É acreditando nisso que o americano JP Morgan elevou sua projeção para a libra, de US$ 1,28 para US$ 1,31 no final do ano. “A perda de impulso econômico no Produto Interno Bruto (PIB) de agosto do Reino Unido, juntamente com a probabilidade de aumento das restrições, são preocupantes e, no mínimo, servirão para superar qualquer recuperação da libra esterlina, caso o Reino Unido e a UE finalmente reduzam o risco de um não-acordo perturbador”, afirma o estrategista do JPMorgan, Paul Meggyesi.

Para o analista-sênior de câmbio do Brown Brothers Harriman (BBH) baseado em Londres, Ilan Solot, a resposta da libra se deve à precificação da quantidade de estímulo a ser injetada pelo Banco da Inglaterra (BoE, o BC inglês), a depender do cenário à vista. “Se o risco de um ‘hard Brexit’ aumentar, o BC terá de responder”, avalia ele, ao Estadão/Broadcast.

Atualmente, o BoE estabelece a taxa básica de juros em 0,1% ao ano e não descarta a adoção de juro negativo, mas garante que, se isso ocorrer, não será no curto prazo. Já o programa de relaxamento quantitativo (QE) está em 645 bilhões de libras esterlinas.

Para o economista-chefe do Commerzbank, Jörg Krämer, “riscos consideráveis” para a libra continuam no radar. “Não é certo se finalmente haverá um acordo. A França agora se opõe veementemente a concessões de direitos de pesca, e ainda precisam ser encontradas soluções para outras questões importantes, como a fronteira com a Irlanda do Norte”, diz o analista do banco alemão. “Neste contexto, valeria a pena considerar o uso da volatilidade mais favorável da libra para se proteger contra o pior cenário”, completa.

Mas alguma oscilação nas bolsas europeias também não deve ser descartada, sobretudo pela influência do câmbio em ações de empresas exportadoras.

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