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Depoimento
“Desconheço um gabinete paralelo”, diz Nise Yamaguchi à CPI da Covid
Médica foi convocada à CPI da Covid para falar sobre o tratamento precoce e o suposto "ministério paralelo" de aconselhamento do presidente
Metrópoles
01/06/2021 | 11:19

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid ouve, na manhã desta terça-feira 1º, a médica Nise Yamaguchi. A profissional de saúde foi convocada por sua ampla defesa ao tratamento de pacientes da Covid-19 com uso de cloroquina, medicamento sem comprovação de eficácia na recuperação de infectados.

A ida de Nise é uma demanda tanto da base governista do colegiado, que apoia o chamado tratamento precoce, quanto da oposição, interessada em saber se a médica é uma das integrantes do chamado “ministério paralelo” — grupo formado por autoridades e especialistas que prestaria assessoramento paralelo ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre medidas de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

A médica disse desconhecer o chamado gabinete paralelo que prestava auxílio ao Palácio do Planalto no enfrentamento da crise sanitária. “Desconheço um gabinete paralelo e muito menos que eu integre, sou uma colaboradora eventual. Participo como médica, cientista, chamada para opinar”.

Aos senadores, ela afirmou que “é uma colaboradora eventual de qualquer governo” e nunca teve encontros privados com o presidente Bolsonaro. “Tive um almoço com diversos integrantes, onde conversei sobre a importância desse tratamento precoce inicial”, disse.

O nome da profissional de saúde foi citado em depoimento pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta como sendo uma das integrantes do grupo. Segundo o ex-chefe da pasta, Nise foi uma das pessoas a tentar alterar a bula da cloroquina para que se recomendasse o uso do medicamento em infectados pelo novo coronavírus.

A informação foi confirmada pelo diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres. Coube a ele barrar a investida de médica.

Imunidade de rebanho

Nise afirmou ao relator Renan Calheiros (MDB-AL) que foi favorável à tese da imunidade na fase inicial da doença no Brasil.

“Tínhamos uma realidade diferente, imaginávamos que uma segunda, terceira onda, viesse com o mesmo vírus, então, nós teríamos, sim, uma imunidade. Eu digo que, para aquele momento, era pertinente essa discussão, para esse momento são novos algorítimos que tem que entrar. Para aquele momento eu mantinha sim a posição [favorável à imunidade de rebanho]”.

Ela negou ter discutido a tese com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Nunca discuti imunidade de rebanho com ele”, enfatizou.

Copa América

Além da cloroquina, outro assunto que estará na pauta do colegiado é a transferência da sede da Copa América para o Brasil. O ato teve anuência de Bolsonaro, conforme informado pela própria Conmebol, que sedia o torneio.

Para além dos discursos indignados, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apresentou requerimento para convocar o presidente da Confederação Brasileiro de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, a prestar depoimento à comissão.

Outro efeito prático deve ser a antecipação do novo depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para antes do início do evento, que está previsto para 11 de junho.

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), chamou a Copa América de “campeonato da morte” e classificou a atitude como “escárnio”.

“Não existe nenhuma lógica em aceitar a realização da Copa América em plena pandemia, com risco de terceira onda. A estupidez realmente não tem ideologia”, afirmou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

A Conmebol anunciou, na manhã desta segunda-feira, o Brasil como sede, após a desistência da Argentina por causa da situação da pandemia da Covid-19 e da Colômbia, em virtude da instabilidade política.

Diante da repercussão negativa, o governo recuou: o ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, disse, no início da noite dessa segunda-feira, que evento esportivo ainda não estava confirmado no Brasil.

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