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Editorial
Cuidado, Mandetta
Redação
18/03/2020 | 00:08

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, chegou à pasta que atualmente ocupa apoiado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, colegas dele no DEM.

Defenestrado por conta de sua imensa incompetência da Casa Civil e da coordenação política do Planalto, Onix preferiu perder o refúgio quentinho no Ministério da Cidadania.

Já Caiado, que até agora era um dos poucos governadores alinhados a Bolsonaro, quase foi linchado em Goiás durante a manifestação em apoio ao governo só porque alwertou às pessoas presentes do perigo estarem reunidas em meio a pandemia do coronavírus.

Nesse mesmo dia, Bolsonaro saiu para cumprimentar apoiadores, contrariando diretamente a orientação de seu ministro da Saúde.

Representou-o na manifestação o presidente da Anvisa, usado – e a expressão é exatamente esta – para endossar a decisão do presidente de participar do ato, a despeito da recomendação contrária de Mandetta e de uma legião de médicos especialistas.

Agora, não precisa ser gênio para deduzir que, se pudesse, Bolsonaro se livraria de Mandetta, irritado que está com qualquer ser na constelação do Planalto que brilhe mais do que ele ou ouse contrariá-lo.

Sabe-se que o ministro da Saúde, que integra o núcleo inteligente do governo, ao lado de outros poucos, como a ministra Tereza Cristina, da Agricultura; da Infraestrutura, Tarcísio Gomes Freitas, ou mesmo da Economia, Paulo Guedes, nunca foi próximo de Bolsonaro nem compartilhou de suas bravatas ideológicas.

No fim do ano passado, segundo revelou o jornal O Estado de S.Paulo, ele chegou a confidenciar a antigos colegas da Câmara que trocaria o cargo no governo por uma candidatura a prefeito de Campo Grande (MS). No mesmo período, o contra-almirante que chefia a Anvisa dizia a aliados que estava cotado a assumir a pasta da Saúde.

Precisa dizer mais?

O problema é que Mandetta está se saindo melhor do que a encomenda. Suas ações são revestidas de tanto equilíbrio e competência que destoam completamente do resto, exceção feita aos ministros citados aqui.

Ser competente no governo Bolsonaro é um problema, já que a horda de bárbaros nas redes sociais e nas ruas, que não pouparam nem Ronaldo Caiado, esperam apenas um sinal para atacar o osso.

Em tempos de coronavírus, a fritura continua intensa no Planalto, indiferente ao avanço de uma crise épica nunca experimentada por nenhum governo que antecedeu ao atual.

Como já escreveu Lulu Santos, numa de suas letras mais conhecidas, “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”.

Ainda bem que completa:

“Tudo passa, tudo sempre passará”.

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