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Efeito colateral
Covid-19 pode afetar fertilidade em homens, mostra estudo da UFMG
Pesquisa realizada em parceria com rede hospitalar foi feita com pacientes que morreram; cientistas vão ampliar o trabalho
R7
10/03/2022 | 18:19

A Covid-19 pode afetar a fertilidade masculina. É o que aponta um estudo conduzido por pesquisadores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e da Rede Mater Dei, de Belo Horizonte, com pacientes que morreram vítimas da doença.

A pesquisa mostrou que 100% deles tiveram os testículos comprometidos e que o vírus ainda tinha a capacidade de infectar mesmo após bastante tempo de contaminação.

“Um dos pacientes morreu 26 dias após o início dos sintomas e havia vírus infectante no testículo, o que não era esperado”, diz o urologista e especialista em fertilidade masculinha Marcelo Horta Furtado, um dos coordenadores do estudo. Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e da Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, também colaboraram com o trabalho.

A pesquisa foi submetida a uma revista científica internacional em fase de pré-print, quando ainda não foi revisada por outros cientistas, mas já recebeu comentários de pesquisadores de diversos países. Um estudo conduzido pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, encontrou resultados semelhantes em macacos.

Os pesquisadores mineiros estudaram, com autorização das famílias, os testículos de onze homens com idade entre 40 e 88 anos que tiveram a forma gravíssima da Covid-19. Todos ficaram internados em CTIs e faleceram em 2021. Foram retirados os dois testículos de cada paciente.

Agora, eles querem saber se o vírus pode comprometer a fertilidade também de pacientes que tiveram a forma leve ou moderada da doença. Os estudos estão sendo feitos com dois grupos de homens que tiveram a doença — em um houve apenas isolamento domiciliar e no outro os pacientes foram internados em hospital.

No primeiro grupo as amostras de sêmen são colhidas entre 15 e 30 dias após os sintomas, três e seis meses depois. No segundo, a coleta é feita seis meses depois da alta. “Há indícios de que esse comprometimento possa ser transitório”, diz Furtado. A pesquisa deve mostrar o grau de comprometimento e quanto tempo os efeitos duram. Os resultados devem ser conhecidos em até dois anos e serão importantes para casos de inseminação artificial, fertilização in vitro e tratamento de infertilidade.

O estudo partiu da constatação de que diversos vírus se alojam nos testículos e de artigos que mostravam que o Sars-Cov 1, vírus da mesma linhagem do novo coronavírus que causou uma epidemia na Ásia em 2006, também comprometia a fertilidade dos homens.

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