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Editorial
Consequências vêm depois
Redação
20/04/2020 | 00:05

Mesmo tendo como referências a Itália, a Espanha e os EUA, só para ficar nesses três de inúmeros exemplos, o presidente Jair Bolsonaro convocou aglomerações por todo o País neste fim de semana contra o isolamento social imposto pelo coronavírus.

E foi atendido.

Para isso, usou sua imagem presidencial e as redes sociais que o apoiam fanaticamente na internet, subsidiadas em parte pelos filhos e pelo ideólogo de extrema direita, Olavo de Carvalho, de seu bunker no estado americano da Virgínia.

Milhares de pessoas, a pé ou motorizadas, então, saíram às ruas, com e sem máscaras de proteção, numa manifestação não apenas contra os efeitos econômicos do isolamento social, mas aproveitando para pedir o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal.

Ou seja, o retorno à ditadura militar, que durou entre 1964 a 1985.

Quase que simultaneamente, as baterias virtuais do bolsonarismo se voltaram contra os presidentes da Câmara e do Senado, não poupando nem a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, só porque ela pertence ao mesmo partido de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre.

Numa atitude inédita em tempos de paz, Bolsonaro ataca governadores e prefeitos e insufla sua militância contra o STF, a quem acusa de dar suporte à conspiração contra o seu governo democraticamente eleito.

Num momento em que o país vive uma pandemia de saúde pública sem paralelo na história recente do mundo, o foco do presidente sugere não apenas a falta de sintonia com o que acontece no resto do mundo, como contrata um problema ainda maior ao expor a população a um pico da transmissão da doença, sem que o País esteja preparado, já que historicamente nunca esteve.

Que o isolamento social deve ter um fim e rápido, não se discute. Em boa parte do mundo ele começa a ser relaxado, levando em consideração o número de pessoas testadas e recuperadas, a despeito dos milhares de mortos deixados pelo caminho.

Contudo, em nome de uma distante pretensão eleitoral, num país que já amargava um crescimento medíocre de seu PIB no ano passado, o presidente deflagra o confronto, semeando uma agenda insensata, como se as instituições ao seu redor não passassem de um bando de conspiradores, com governadores e prefeitos tramando sua queda pela via da extorsão de dinheiro público.

Como se o socorro econômico não fosse obrigação primordial do governo, que centraliza toda a arrecadação.

Sabe-se que a ideia de dividir para governar é ancestral.

Originalmente proferida pelo filósofo Epicuro, precursor do Estoicismo, inspirou muitos, como Caio Júlio César e Napoleão Bonaparte.
Bolsonaro segue apenas um script que ele não leu.

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