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Informação e opinião
Confira a coluna “Por trás da Notícia” de Ney Lopes de quinta-feira 7

07/01/2021 | 06:14

Crime contra a democracia

Na tarde desta quarta, 6, foram inadmissíveis, chocantes e inacreditáveis as cenas exibidas nas TVs, com os apoiadores do presidente Donald Trump, incentivados por ele, invadindo o Capitólio (Congresso americano). Ocorrência típica de republiqueta de “terceiro mundo”, manchando a história de um país maravilhoso e exemplo de preservação das liberdades políticas. Milhares de apoiantes de Trump, que não aceita a derrota, depredaram corredores, gabinetes parlamentares e até o plenário do Parlamento, que é um dos prédios mais vigiados do mundo. A sessão de ratificação dos votos das eleições presidenciais teve de ser interrompida, devido aos distúrbios. O último lance, antes da invasão, foi o telefonema do presidente ao seu vice Mike Pence, a quem caberia presidir o senado, apelando para que ele não permitisse o reconhecimento da eleição. A reação do republicano foi incisiva, ao dizer que o resultado deveria ser reconhecido e que prestou juramento de apoiar e defender a Constituição. Trump, ensandecido, o qualificou de “covarde” e partiu em direção aos seus correligionários, que chegavam aos arredores da Casa Branca. Em seguida, declarou que “nunca” admitirá a derrota nas eleições presidenciais. Nunca iremos desistir. Nunca iremos ceder”. Não há como negar a tipificação clara de crime contra a Democracia.

Abismo

O presidente Joe Biden, com serenidade e equilíbrio, considerou em pronunciamento “ataque inédito a democracia americana”. Lamentou que os EEUU, sendo o farol da democracia, tenha chegado a esse momento. Mostrou-se empenhado na restauração das liberdades e pediu que os manifestantes suspendessem o ataque.

Enfrentamento
Nos corredores do Capitólio e no plenário, manifestantes entraram em ‘luta livre’ com a força de segurança do próprio parlamento. Vidraças e móveis destruídos.

Terrorismo
Democratas e republicanos, em absoluta concordância, qualificaram os vândalos de “terroristas”.

Sagrado
O autor do texto, como deputado federal, visitou o Capitólio. A certa altura da visita lhe foi esclarecido, que o plenário era o único local “sagrado”, com acesso exclusivo a parlamentares e poucos assessores. Acompanha por “telões”. O plenario se transformou em “praça de guerra”.

Crime
Comenta-se que Donald Trump deve ser julgado pelo “crime de sedição”, dado o seu papel inflamatório, na ação dos manifestantes. Pena prevista de “não menos 20 anos”.

O crime de sedição, um dos mais graves da legislação federal, raramente será invocado. Está previsto para situações extraordinárias Ocorre, quando “duas ou mais pessoas em qualquer estado ou território, ou em qualquer lugar sob a jurisdição dos EUA, conspiram para derrubar ou destruir à força o Governo dos Estados Unidos da América”. Por exemplo: conspirações que causem perigo iminente para a segurança nacional.

Onde?
A grande interrogação é onde andava a guarda nacional, durante o momento crítico da invasão do Capitólio. A guarda obedece a ordens do presidente e chegou depois. Foi decretado ‘toque de recolher’ em Washington DC, após 18 horas. Carros e pessoas ficaram proibidos de acesso a locais públicos.

Resgate
O vice Mike Pence foi retirado às pressas do prédio. Distribuíram-se máscaras ante gás aos parlamentares e funcionários, que tiveram de permanecer no recinto, sob risco de vida

Brasil
Rodrigo Maia, Câmara Federal; David Alcolumbre, senado e Luis Roberto Barroso, STF, protestaram pelas cenas degradantes. O Palácio do Planalto informou, que não comentava o fato. Razões obvias.

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