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Confira a coluna “Desenrolando a Língua” de quinta-feira

14/01/2021 | 07:07

MAGÉRRIMO?

Quando queremos expressar qualidades em um grau muito elevado, recorremos ao superlativo. E “macérrimo” é o correspondente do adjetivo “magro”. Claro que todos nós ouvimos muito mais as formas populares “magérrimo” ou “magríssimo”. O caso de “macérrimo” é igual a “paupérrimo” (pobre). Isso ocorre quando a raiz do adjetivo se volta para a língua de origem, o Latim, por exemplo. Outros casos interessantes: superbíssimo (soberbo); dulcíssimo (doce); nobilíssimo (nobre).

MEIA – MEIO

É bom ter cuidado ao usar a palavra “meio”, já que ela sofre variações. Quando é numeral, “meio” é variável e significa metade. Ao dizermos “Já é meio-dia e meia”, temos o masculino (meio) referindo-se a “dia” e o feminino (meia) concordando com “hora”. Se “meio” é adjetivo, modifica o substantivo e é variável: “O funcionário adotou uma meia medida”, “Meias palavras bastam”; agora, quando é advérbio – uso mais comum – , “meio” significa um pouco e é invariável: “A atleta está meio cansada”, “Os alunos estão meio preocupados”.

O FAMIGERADO “QUE”

Não é de hoje a implicância dos professores de redação em relação ao “que”, pois, como pertence a muitas classes gramaticais, ele aparece muito, deixando a frase monótona, pouco atraente. Sem contar o fato de que (olha aí, mais um) dá a impressão de inexperiência, descuido e, claro, pobreza vocabular. Existem algumas formas de se livrar desse inconveniente. Vamos a elas: troque a oração adjetiva por um adjetivo ou substantivo: animal que se alimenta de carne (carnívoro), homem que não sabe ler nem escrever (analfabeto); mude a oração adjetiva por aposto: Brasília, que é a capital do Brasil,(capital do Brasil)completou 50 anos. Lula, que foi metalúrgico, (ex-metalúrgico) chegou à presidência; substitua a oração pelo termo nominal correspondente: ninguém duvidava de que o professor viria (da vinda do professor), todos querem que o jovem seja punido (a punição do jovem).

PALAVRAS-ÔNIBUS

Com amplo uso na linguagem coloquial, as palavras-ônibus são aquelas que comportam tantos significados que é impossível delimitar o que se pretende, de fato, dizer. O maior exemplo é, sem dúvida, a palavra “coisa”. “No início, Deus criou as coisas…” e, a partir daí, “coisamos” tudo: vem cá, coisinha (para chamar alguém); traga as minhas coisas (para solicitar um material), estou coisando (para indicar uma ação), a lista é infindável. Quem diz coisa não diz coisa com coisa. Outra bastante comum é “usuário”, palavra que devemos usar somente quando não houver outra para substituí-la, geralmente na área da informática. Nos demais casos, ela deve ser evitada: “usuário” de ônibus, trem, metrô, avião, etc., é passageiro; de rodovia, é motorista; de drogas, é consumidor; de praias, é banhista.

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