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Artesanato
Conceito e afeto pintados à mão
Natalense Lane Vasconcelos, 33 anos, representa a luta feminista e o movimento negro através de camisetas autorais criativas
Nathallya Macedo
28/08/2020 | 05:37

A natalense Lane Vasconcelos, de 33 anos, sempre teve uma veia artística. Na verdade, uma família toda: o avô confeccionava anéis, a avó fazia crochê e a mãe ainda costura. “A ancestralidade afetiva é parte importante da minha vida e é presente no meu trabalho artesanal autêntico”, contou em entrevista ao Agora RN.   

Lane faz camisetas pintadas à mão há cerca de 9 anos. “Comecei a personalizar as roupas que usava para ir à faculdade, mas só fabricava algumas reproduções de desenhos conhecidos. Depois de um tempo, eu parti em busca de uma produção mais autoral, que representasse minhas vivências”. Desde então, a artista visual simboliza a luta feminista e o movimento negro nas blusas e em ecobags – que são costuradas pela mãe dela.  

Lane Vasconcelos, de 33 anos, sempre teve uma veia artística. Foto: Arquivo Pessoal

O processo é 100% manual. “Não uso máquinas. Desenho com um lápis, passo pelo papel carbono, e pinto diretamente no tecido”, explicou. Lane já elaborou linhas focadas nos anos 1990 e no significado da regionalidade típica nordestina. “Acredito que a forma de vestir também é uma maneira de expressão. E podemos passar uma mensagem positiva através da moda”.  

A ideologia acerca da representatividade é, para ela, um diferencial. “Meu projeto se destaca quando entendo meu lugar no mundo, como mulher negra, e compreendo tudo que veio antes de mim. Com esse conhecimento em mente e em mãos, me esforço e exerço a minha parcela da função para alcançar a mudança social e, finalmente, promover a igualdade”, afirmou. 

Lane, aliás, defende o consumo consciente por meio do slow fashion, que propõe um modelo de produção que incentiva quem faz e valoriza a matéria-prima, além de respeitar o tempo efetivo de produção e a cultura local. E ela realmente vive o que prega. “Fujo de grandes empresas que são marcadas por trabalho análogo ao escravo. Até os brincos que uso são frutos de artesãs”.  

Como empreendedora, a natalense espera atingir a maior quantidade de pessoas possível com as redes sociais. “Antigamente, eu pensava em ter uma loja física porque sempre que participava de feiras de exposição aqui na cidade, muita gente perguntava sobre. Mas hoje, observando os efeitos da pandemia da Covid-19, vejo que é mais viável realizar vendas pela internet”.    

Mesmo assim, ela considera extremamente relevante fomentar a economia criativa em todo o estado, com a ajuda do poder público e de iniciativas privadas. “A Feira Garajal, por exemplo, me ajudou muito a ter visibilidade. E é interessante porque reúne obras tanto dos artistas mais jovens, quanto das senhoras mais experientes”, garantiu.  

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