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Rio Grande do Norte
Complexo Oiticica avança com implantação das agrovilas rurais
Além do assentamento de trabalhadores rurais sem terra que vivem na região, as agrovilas têm ainda como objetivo promover processo de produção em transição agroecológica
Redação
05/08/2021 | 09:44

A governadora Fátima Bezerra (PT) assinou ordem de serviço para implantação do reassentamento rural denominado Agrovila Jucurutu destinado a abrigar famílias de trabalhadores rurais em decorrência da conclusão da Barragem Oiticica, na bacia hidrográfica Piranhas/Açu. O assentamento das famílias é a última etapa do projeto da transposição na Bacia Piranhas/Açu, e ocorre paralelamente ao processo de finalização da obra, diferentemente do que houve com a Barragem Armando Ribeiro, inaugurada em maio de 1983. Na época, os trabalhadores rurais passaram anos morando em casas improvisadas e lutando pela desapropriação das terras onde pudessem retomar as atividades agrícolas.

A Agrovila Jucurutu é a primeira das quatro unidades previstas para o Rio Grande do Norte a ter a ordem de serviço emitida pelo Governo do Estado. Localizada na comunidade conhecida como Lagoinha, tem área total de 276,8 hectares. O projeto prevê a construção de 37 unidades habitacionais e a demarcação de lotes de aproximadamente cinco hectares por família para a produção de alimentos.

“A implantação das agrovilas em Jucurutu, São Fernando e Jardim de Piranhas tem um simbolismo especial para nós. Não só porque representa o processo final das obras físicas da Barragem Oiticica, mas, e principalmente, por proporcionar o início de uma nova vida para agricultores e trabalhadores rurais sem-terra em condições de vulnerabilidade social. Lá eles vão produzir alimentos, gerar renda para a família. Isso é inclusão social e quis Deus que eu, como governadora, estivesse à frente desse processo”, disse Fátima Bezerra.

A governadora cobrou do governo federal, mais uma vez, a conclusão das obras da transposição para que as águas do São Francisco possam chegar ao RN. “Quando a presidenta Dilma deixou o governo, as obras estavam avançadas, com mais de 90%. Já se passaram cinco anos e até agora, nada. O Rio Grande do Norte é o último estado a receber essas águas. Estamos cobrando o início do ramal de Mossoró.”

O projeto das agrovilas é pautado na agricultura familiar e no desenvolvimento sustentável. As unidades habitacionais são compostas por dois quartos, sala, cozinha, banheiro, varanda e lavanderia externa. Os assentados poderão obter renda através do que produzirem, além de terem acesso a todos os equipamentos sociais e serviços públicos como escola, posto de saúde, energia elétrica, água tratada.

Segundo o secretário do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, João Maria Cavalcanti, “as agrovilas são fruto da luta por justiça social do Movimento dos Atingidos e Atingidas pela Construção da Barragem Oiticica, e está sendo possível a partir do diálogo aberto pelo Governo do Estado, que vem desenvolvendo com muita responsabilidade o trabalho de desapropriação e de implantação das agrovilas.”

De acordo com o secretário, além do assentamento de trabalhadores rurais sem terra que vivem naquela região, as agrovilas têm ainda como objetivo promover processo de produção em transição agroecológica, visando garantir alimentos saudáveis e respeito à biodiversidade da Caatinga com glebas de terras familiares e coletivas, respeitando a área de reserva legal e área de proteção ambiental; garantir trabalho e renda, segurança e soberania alimentar e nutricional.

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