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Entrevista
Como vai ficar o trabalho depois da pandemia?
Para consultora de recursos humanos, mudanças são históricas e vão mudar profundamente relações entre empresas e trabalhadores
Marcelo Hollanda
11/01/2021 | 07:04

Diz o ditado que se conselho fosse bom a gente não dava, vendia. Mas quando uma crise extrapola todos os limites, como a gerada pela pandemia do novo coronavírus no mercado de trabalho, qualquer boa dica vale ouro, especialmente quando o futuro imediato não é dos mais auspiciosos.

Com o desemprego e o crescimento da informalidade já contratados para 2021, a ideia de que a vida de muita gente vai mudar, independentemente de vontades pessoais, já habita os pesadelos de muitos trabalhadores, sejam eles veteranos ou de primeiro emprego.

Para clarear as coisas, o Agora RN foi ouvir a consultora Adriana Cavalcante, dona de um currículo pessoal diversificado, que vai da docência no ensino técnico superior a um longo caminho como coordenadora de conteúdo em fóruns sobre gestão de pessoas, formação em coaching de executivos e psicanálise. Tudo isso para ajudar pessoas a se encontrarem profissionalmente.

Com experiência na elaboração de programas de treinamentos para trabalhadores em qualquer área, Adriana fala das tendências do mercado de trabalho na pós-pandemia.

Agora RN – A pandemia mudou muita coisa para o trabalhador?
Adriana Cavalcante
– Põe muito nisso, a pandemia alterou toda a dinâmica do mercado de trabalho.

Agora RN – À primeira vista, quais os setores menos prejudicados?
AC
– Entre os setores que se destacaram positivamente nesse ano turbulento estão a logística, o de bens de consumo de giro rápido, como material de limpeza, alimentação, bebida e farmácia, logística – todos eles direta e indiretamente relacionados à distribuição, transporte, logística. De fato, essas áreas definiram um celeiro fértil entre as posições mais técnicas, operacionais, até posições de alta e média gestão.

Agora RN – Se a senhora tivesse que consagrar um setor sobre todos os outros, qual seria?
AC
– A área de Tecnologia da Informação, sem dúvida, especialmente por permear vários processos ligados a serviços, vendas e distribuição nas empresas e que dependem de um bom processo de gestão. São analistas, desenvolvedores, gerentes de projetos e cujas funções devem continuar com bastante oferta no mercado de trabalho.

Agora RN – Irônico, não, se olharmos o baque que representou a pandemia junto ao ensino…
AC
– Educação, apesar do declínio do modelo tradicional, devido a ausência das aulas presenciais, abriu espaço para a educação à distância. Aqui, a TI também está presente, abrindo espaço a gestores de educação com habilidades ligadas ao ensino à distância. E, falando em TI, não se pode esquecer-se da Telecom, cujo aumento de vagas é expressivo.

Agora RN – Qual outra área profissional a senhora destacaria na pós pandemia?
AC
– A de saúde como um todo é outra área em ascensão. Os profissionais de saúde estão sendo requisitados em todo o país. Depois de uma crise sanitária de dimensões colossais, é até compreensível que a sociedade se aparelhe melhor para eventos futuros, valorizando os profissionais que ficaram na linha de frente da pandemia.

Agora RN – Há outros setores se reposicionando?
AC
– Sim, alguns mais e outros menos. Não precisa ir longe, os eletricistas, por exemplo, têm sido muito requisitados por conta do isolamento social. Especialista em controle de qualidade.

Agora RN – E as profissões em declínio?
AC
– Pelo menos, nesse momento, eu citaria postos no turismo e na hotelaria; na aviação, no lazer, eventos, estética – enfim, serviços não essenciais. A aviação, aliás, vive o pior cenário desde a Segunda Guerra.

Agora RN – Então, pelo que dá para entender, tudo que se refere à tecnologia da informação está em alta?
AC –
Correto, inclusive suas extensões, como o comércio eletrônico, vão demandar novas posições. Transformação digital do tipo cibersegurança, analitics, clouding, inteligência artificial são metodologias ágeis que beneficiarão os profissionais envolvidos nessas áreas. Muitas posições foram criadas a partir dessas frentes.

Agora RN – O trabalhador deve continuar cuidando da sua capacitação profissional?
AC –
Com a mais absoluta certeza. A capacitação, aliás, sempre foi elemento de primeira ordem. Mais do que nunca é preciso que esses profissionais a busquem como elemento de educação continuada, justamente para interagir com essas novas dinâmicas produzidas pelo coronavírus.

Agora RN – Há uma razão que a senhora qualificaria como fundamental nesse processo?
AC –
Se a transformação digital permeia todo esse processo de retomada da economia e o profissional, independentemente da área dele, não tiver intimidade com esse novo mundo, ai as coisas ficam difíceis. O trabalhador terá dificuldade até de participar de um processo seletivo. Portanto, é fundamental que ele invista na formação, na qualificação, principalmente para aqueles que ainda buscam o primeiro emprego, já que estes demandam mais aprendizado e experiência.

Agora RN – Mais alguma outra dica?
AC –
Melhorar as redes de relacionamento, colegas, gestores, e comunicar a busca do novo emprego. Trata-se de um processo construído gradualmente, mas não significa que não deva ser startado. Outro caminho é ter um currículo atrativo, mas principalmente robusto, vendável. Fazer o currículo circular pela rede de relacionamento de primeira e segunda conexão. Amigo recebe, encaminha para o outro amigo, essas coisas.

Agora RN – Tem algum cuidado especial na hora de fazer um currículo?
AC –
O currículo ideal é o objetivo, didático, bem redigido, oferecendo informações que o recrutador precisa. Histórico profissional, empresas, funções, com detalhamento do que fez e as responsabilidades assumidas. Não enfeite.

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