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Covid-19
Como a variante delta avança e quais são os perigos para o Brasil?
Reino Unido, Israel, México e Bélgica já apontam a delta como responsável pela maioria dos casos e, nos EUA, essa já é uma estimativa do CDC. No Brasil, especialistas alertam que é hora de prevenção
G1
08/07/2021 | 07:49

A variante delta do coronavírus já é considerada predominante em ao menos mais quatro países além da Índia, onde ela foi descoberta: Reino Unido, Israel, México e Bélgica.

Nos Estados Unidos, já há estimativas de que ela seja a responsável pelo maior número de casos. A delta foi identificada no Brasil há cerca de um mês e provocou duas mortes. Nesta semana, ela foi identificada pela 1ª vez em um paciente da cidade de São Paulo.

Abaixo, nesta reportagem, entenda:

Como a variante se comportou nos em países em que ela se tornou dominante?
Brasil: total de vacinados e disputa com variante gama farão a diferença?

Delta pelo mundo

A cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Soumya Swaminathan, alertou no mês passado que a variante delta tem se tornado a cepa dominante em todo o mundo. Segundo ela, o alto ritmo de transmissão desta variante identificada tinha um papel importante na sua predominância, mas que as vacinas continuavam eficazes no combate ao vírus.

Reino Unido: Os países do Reino Unido foram os primeiros a reconhecer que a variante delta havia ultrapassado a alfa. No começo de junho, ela já era responsável por mais de 70% dos novos casos. A alta taxa de vacinação e a manutenção de medidas de distanciamento social evitaram altos índices de casos e mortes pela doença. No começo deste ano, o país teve picos de mortes acima de 1,2 mil vítimas a cada 24 horas, mas mantém sua média abaixo dos 20 óbitos diários por Covid-19 desde o final de abril.

Israel: Mesmo com 60% da população vacinada, Israel readotou restrições por conta da disseminação da variante delta. A preocupação aumentou após registros de mais de cem novas infecções por dia, sendo zero o número no começo do mês. A maioria dos novos infectados são jovens e crianças em idade escolar – que ainda não foram vacinados. Ainda que o número de casos tenha aumentado, o país segue com a pandemia sob controle e as vacinas utilizadas conseguem proteger a população de casos mais graves da doença. As mortes se mantêm próximo de zero desde o início de junho.

México: Apenas 1/4 da população recebeu a 1ª dose da vacina e as autoridades mexicanas se preocupam com a variante delta, dominante nas maiores cidades. Dados do governo mexicano apontam um aumento de 64% das infecções por Covid-19 em apenas 3 semanas de junho.

Bélgica: Uma projeção feita pela universidade belga de Hasselt/Leuven aponta que mais de 50% das novas infecções registradas nesta primeira semana de julho já sejam da variante delta do coronavírus. No início do mês passado esse número não chegava a 25% de todas as infeções do país, o que aponta uma rápida transmissão desta cepa principalmente em pessoas mais jovens. O país também avança lentamente na sua campanha de vacinação, e apenas 44% da população adulta recebeu as duas doses da vacina.

Estados Unidos: O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) apontou uma estimativa de que, em 3 de julho, a delta representava 52% dos casos no país. As mortes no país estão em queda desde fevereiro, com uma forte campanha de vacinação puxada pelo governo de Joe Biden. O problema agora é convencer parte da população que se recusa a vacinar, o que fez com que os EUA não cumprissem a meta dos 70% vacinados até o dia da independência (em 4 de julho).

Para listar os países onde a delta é predominante, o G1 considerou dados disponíveis na plataforma Our World in Data, projeto ligado à Universidade de Oxford. Além disso, a Bélgica foi adicionada porque um estudo local apresenta a predominância da delta nos novos casos de Covid.

E como fica o Brasil? Veja as perspectivas em três tópicos:

1 – Total de vacinados e vulneráveis: Com ritmo lento de vacinação, o país tem 37% da sua população vacinada com a 1ª dose. O número fica em 13% quando se avalia a parcela da população que foi completamente imunizada.

Para tentar agilizar o processo, o Acre e algumas capitais, como Recife, Goiânia e Fortaleza, estão adiantando a aplicação da segunda dose da AstraZeneca. Anteriormente, o prazo estabelecido entre uma aplicação e outra do imunizante era de 90 dias. Com a mudança nessas regiões, o intervalo caiu para pelo menos 60 dias.

A chefe do programa de emergências da OMS, Maria van Kerkhove, explicou que as vacinas são eficazes contra casos graves da delta – se as duas doses forem aplicadas.

Isso quer dizer que mais de 70% da população adulta do país ainda segue vulnerável a esta variante – e mesmo quem já foi vacinado, pode ainda carregar o vírus.
Além disso, um estudo recente do governo inglês apontou que população jovem não vacinada e pessoas acima dos 50 anos que não receberam a 2ª dose são as que mais correm risco de se infectar. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o Brasil tem ao menos 47 milhões de jovens – de 15 a 29 anos – que ainda estão longe de poder se vacinar.

2 – Momento diferente da Índia: Ester Sabino, imunologista e pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), avalia que a situação do Brasil no momento é diferente da que a Índia encontrou quando surgiu a delta. Segundo ela, acabamos de passar por um pico da doença, o que pode contribuir para menos infecções da nova variante.

“Quando a Delta começou na Índia era mais ou menos como estava Manaus, em uma fase de perda de anticorpos depois de 7 meses com o vírus em baixa. Então, as pessoas vão perdendo a imunidade (adquirida após a doença) com o tempo. Aqui, agora, as pessoas acabaram de se infectar e muita gente se infectou. Ela [delta] está chegando num momento em que a pandemia está alta”, explicou Ester Sabino. “A gente ainda não sabe ainda quanto tempo dura a imunidade, mas existe sim uma imunidade gerada, a pessoa não se reinfecta rapidamente”, completou.

Camila Malta Romano, pesquisadora do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da USP e do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, tem uma opinião parecida com a de Sabino e também acredita que vivemos um contexto epidemiológico diferente da Índia diante da nova variante.

“Agora, os países, nem tanto o Brasil, estão aumentando o número de pessoas vacinadas e completamente imunizadas. A depender da rapidez que a delta começar a se espalhar por aqui, eu acredito que talvez a gente não enfrente uma nova onda muito severa”, avalia.

“A gente pode ter um quadro da variante delta mais brando do que teria se não tivesse a vacinação”, analisa Camila.

Apesar disso, ela afirma que a vacina sozinha não será suficiente. Ambas as pesquisadoras afirmam que os mais vulneráveis serão os brasileiros que ainda não completaram o ciclo vacinal e/ou não foram infectados pelo coronavírus anteriormente. Por isso é urgente manter as regras de distanciamento e o uso de máscaras eficazes e bem ajustadas.

3 – Disputa com a variante gama: ainda é cedo, segundo Sabino, para dizer se a delta poderá passar a dominar o país no lugar da variante gama, antes chamada de P.1. Estudo europeu com pesquisadores da Organização Mundial da Saúde e do Imperial College London apontam que, em comparação com a variante original do coronavírus, a gama é cerca de 50% mais transmissível. Já a delta, é 100% mais.

“É cedo para falar se a delta vai passar a P.1., mas tem sim a possibilidade. Em todas as regiões que a P.1. chegou antes, a delta acabou pegando e expandindo mais rápido que a P.1.. Mas aqui no Brasil é um pouco diferente porque a P.1. está muito alastrada. Por isso, pode ser que ela não tenha uma expansão tão grande, mas é difícil hoje falar, a gente vai saber daqui a algumas semanas”, resume Sabino.

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