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Coluna
Combinado não sai caro, mas o governo Bolsonaro não combinou o valor da fatura que pediria em troca
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta sexta-feira
Marcelo Hollanda
06/08/2021 | 09:22

Falta gente nesse protesto

Combinado não sai caro. É assim na vida e é assim na política. Ao comprar a preço de ouro o apoio do Centrão no Congresso, o governo Bolsonaro não combinou o valor da fatura que pediria em troca.

Por mais absurda que sejam algumas exigências do Centrão, como o controle absoluto do orçamento federal e da emissão de cheques em branco para gastar nos estados de parlamentares, isso ainda pode ser ainda muito barato perto do que Bolsonaro pode cobrar nesse escambo bilionário.

Ontem, numa demonstração de boa vontade para com o Planalto, o presidente da Câmara, Arthur Lira, condenou a interferência do TSE no debate sobre o voto impresso, essa excrescência inventada por Bolsonaro para melar as eleições do ano que vem.

A cada hora que passa vão se esvaindo as esperanças de que essas ameaças não passem de bravata. Na verdade, as instituições estão convencidas de que o presidente eleito em 2018 fala muito sério quando ameaça o País de usar uma saída a La Chaves para resolver sua queda de popularidade.

Embora as condições atuais sejam adversas para uma aventura dessa natureza no Brasil, o Centrão tenta acompanhar como pode o presidente ensandecido, num país em que parte da elite habituou-se a mamar nas tetas do Estado e a fechar os olhos aos princípios clássicos da livre iniciativa.

Um documento assinado por importantes empresários e intelectuais e divulgado nesta quarta-feira contra o golpismo tem muitos nomes de peso, mas também se ressente da falta de muitos bons e velhos conhecidos.

Por onde andarão esses patriotas?

O fato de Bolsonaro ameaçar ministros de maneira ostensiva só mostra que ele se sente reconfortado com o apoio de setores das Forças Armadas e do Congresso, que ainda estão na fase de contabilizar os lucros.

Bolsonaro vai esticar a corda e não vai parar até que uma de suas forças de apoio – o Congresso, preferencialmente – resolva reavaliar toda a negociação.

Fechar o Parlamento com um cabo e um soldado, como já chegou a sugerir um dos filhos do presidente, é um delírio com implicações que podem terminar em cadeia e sanções internacionais para muita gente.

Ontem, o presidente Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal deixou de lado a ilusão e cancelou a reunião entre poderes com a qual havia sonhado.

Falta agora o Congresso e demais elites desembarcarem dos delírios golpistas de Bolsonaro.

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