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Crise econômica
Com pandemia, “novo normal” é desafio para os empresários do RN
Para uma parte do setor produtivo, já está claro que o futuro será de controle rigoroso dos custos, com aumento de qualidade num ambiente de negócios extremamente agressivo. Levantamento do IBGE mostra que, apenas no mês de junho, 522 mil empresas fecharam as portas por causa dos efeitos da pandemia do novo coronavírus
Redação
17/07/2020 | 23:59

Voltar para o escritório ou ficar em casa? Comprar na loja ou buscar mais produtos pela internet? Andar de carro ou adotar de vez os aplicativos? Programar compras ou se valer de oportunidades em leilões virtuais? Alugar ao invés de empatar capital ou, ao contrário, aproveitar a queda dos juros para comprar?

O Agora RN foi buscar respostas ou, pelo menos, saber o que pensam alguns empresários e observadores do setor de serviços de Natal sobre o momento de pandemia do novo coronavírus. Afinal, em meio a uma crise econômica sem precedentes, a economia virou a palavra de ordem tanto entre os donos de negócios como entre os trabalhadores, que não suportarão mais os gastos rotineiros do dia a dia.

De um lado, nesse tabuleiro de ganha e perde, está o empreendedor, que pensará mais agora nos custos de aluguel, água, luz, manutenção do ponto e tributos; e, de outro, o trabalhador, que terá de reduzir despesas com transporte, gasolina, refeição e tempo.

Experiências que ensinam

No ano passado, quando nem se sonhava como a pandemia da Covid-19, o engenheiro Silvio Bezerra, presidente do Sindicato da Construção Civil no RN (Sinduscon), foi ver de perto em São Paulo, em um galpão de metalúrgica desativado há cinco anos no bairro Vila Leopoldina, um projeto apto a abrigar mil profissionais de inovação de cerca de cem grandes empresas e startups.

Conhecido como State, o empreendimento instalado no terreno da Votorantim foi lançado oficialmente no fim do ano passado, num primeiro momento, para ocupar 7 mil m², com perspectivas de chegar a 20 mil m².
“Uma coisa colossal do tamanho de dois campos de futebol”, lembra Silvio Bezerra, há anos um defensor de soluções profissionais e habitacionais como “coworking” e o “coliving”, uma tendência já consolidada em vários países.

Anos atrás, quando o iPad era uma grande novidade da Apple, inovação depois largamente explorada pelo sistema Android, Silvio, que voltava de Paris na época, distribuiu uns 15 desses equipamentos para seus gerentes e corretores principais e mandou fazer um software que permitisse monitorar à distância a evolução de cada negócio que seu pessoal ia fechando.

“Naquele momento, percebi as vantagens da operação à distância e em tempo real”, lembra.

Quando a pandemia finalmente estourou no Brasil, em março último, ele não teve qualquer dúvida: despachou todo mundo para casa, mantendo a produtividade igual à da pré-pandemia.

“O que interessa aqui é o que o profissional vai entregar, e não quantas horas ele gastará para isso”, resume.

Mas, a respeito desse assunto, o que pensa outro empresário do setor imobiliário que, 10 anos atrás, chegou a ter 600 corretores ao se associar a ousada oferta pública de ações, junto a 16 imobiliárias brasileiras?

Hoje, com 100 corretores, depois de recomprar de volta empresa da família, Ricardo Abreu não tem dúvida: nada será como antes. “Agora, que os negócios começaram a receber autorização para reabrir gradualmente, muitos espaços aqui na sede já não existem mais na preparação para o novo normal”, admite.

Por exemplo, a sala de treinamento passou a abrir espaço para o mobiliário dos escritórios desativados, depois que muitos profissionais passaram a fazer o trabalho de casa. Uma base de café, onde clientes e colaboradores podem se servir, deu lugar ao atendimento de recepcionistas encarregadas, entre outras coisas, desse serviço.

“Estamos nos preparando para um atendimento mais informal focado no resultado e não na aparência”, decreta o empresário, conhecido por introduzir inovações importantes também no mercado de administração imobiliária.

Para Abreu, caberá a cada player do setor de serviços decidir se vai aderir a esses novos tempos de pós pandemia ou se continuará atendendo nos padrões de antigamente. “Vai depender de cada negócio e da abordagem que o empresário quiser manter”, acrescenta.

Mas ele adverte para uma brutal eficiência da concorrência a partir da queda vertiginosa na queda da taxa de juros, o que obrigará empresas e agentes financeiros a acrescentarem sempre uma vantagem ao oferecerem seus produtos.

“A agressividade nos negócios é um subproduto da crise e a eficiência das empresas a partir de agora passará por uma profunda reavaliação de governança”, prevê.

Para o empresário Caio Fernandes, há décadas no segmento de compra e venda de imóveis, com a pandemia do coronavírus, muitas empresas precisarão rever seus conceitos.

“Se as pessoas conseguirão aceitar essa nova realidade, se conseguirão trabalhar em casa, mantendo o trabalho e a convivência em família, vai depender de cada caso. O que eu posso dizer que as empresas precisarão racionalizar tremendamente seus custos, pois a pandemia já está exigindo esse esforço”, sinaliza.

Mas Caio Fernandes também é otimista. Segundo ele, os resultados das vendas de imóveis de sua prateleira no mês passado já superam ao do mesmo período do ano passado.

E a explicação, segundo ele, é simples: quem tem dinheiro está indo às compras, já que os resultados do mercado financeiro têm deixado a desejar, pelo menos para a grande maioria de potenciais investidores, que é conservadora e avessa a riscos, sobretudo agora.

“Com a taxa de juros temporariamente em queda inédita, que a não sabe quanto tempo vai durar, a possibilidade de se fazer um excelente negócio é imensa e as pessoas que podem estão aproveitando”, afirma.

Um levantamento realizado pelo banco Credit Suisse em julho aponta outros fatores que reforçam o otimismo desse mercado. Entre as razões estão as vendas registradas de imóveis residenciais, que ficaram em torno de impressionantes 60% do seu nível histórico na última crise, entre os anos de 2015 e 2017. Esse cenário gerou o que os especialistas chamam da clássica demanda reprimida, o que explica os bons resultados do setor numa época em que isto não deveria estar acontecendo.

Outro motivo, como dizem Caio Fernandes e Ricardo Abreu, é que os imóveis estão relativamente baratos, uma vez que a alta de preço não acompanhou a inflação.

De fato, segundo ainda os cálculos do Cred Suisse, revelados esta semana pelo jornal O Estado de S.Paulo, esse fato resultou numa desvalorização média de 25% nos últimos cinco anos das moradias nas capitais do País.

Ao mesmo tempo, o aluguel de imóveis voltou a ser um investimento atrativo em muitas capitais, transformando-se num rendimento de 5% ao ano, muito maior do que os 2,25% da taxa básica de juros, a Selic.

Panorama sombrio

O certo é que a pandemia do novo coronavírus já provocou o fechamento de 522,7 mil empresas de um total de 1,3 milhão que encerraram suas atividades temporária ou definitivamente, na primeira quinzena de junho. Os dados são os primeiros resultados da “Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas” e fazem parte das Estatísticas Experimentais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número de empresas fechadas pela Covid-19 representa 39,4% do total. A maioria, 518,4 mil (99,2%), era de pequeno porte, que são as de até 49 empregados. 4,1 mil (0,8%) eram de porte intermediário, as de 50 a 499 empregados; e 110 (0%) de grande porte, que têm mais de 500 empregados.

O setor de Serviços foi o mais atingido. Foram 258,5 mil (49,5%), seguido do Comércio com 192,0 mil (36,7%), 38,4 mil (7,4%), da Construção e 33,7 mil (6,4%) da Indústria.

Para o professor Fernando Amaral, da cadeira de Finanças da UFRN e perito financeiro pelo Estado do Rio Grande do Norte, a pandemia da Covid-19 trouxe à tona a necessidade de as empresas anteciparem movimentos.

“O que se chama de ‘novo normal’ pode ensejar uma certa tendência ao minimalismo no consumo e no comportamento social. Uma casa minimalista tem menos objetos e menos coisas para limpar e desinfetar. Um comportamento social minimalista pode implicar consumir de estabelecimentos menores, consumir mais localmente, evitar aglomerações. Uma empresa minimalista reduz locações e construções para abrigar sua área administrativa e vê na solução do home office uma alternativa viável, barata e produtiva”, afirma.

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