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Editorial
Clima de pressão
Redação
28/02/2020 | 00:10

Enquanto o coronavíros apavora pessoas e mercados pelo planeta, no Brasil mais esta inquietação se soma a outras de caráter igualmente prático. Não diz respeito à saúde das pessoas, mas à saúde das instituições.

Em ambos os casos, será preciso decisão, coisa que anda em falta no governo federal.

Vejam, por exemplo, a indecisão do presidente Bolsonaro quanto a ampliar ou não a vigência da operação de Garantia da Lei de Ordem (GLO) que está sendo realizada no Ceará, dadas as condições produzidas pelo motim de policiais militares.

A GLO, que autoriza o emprego das Forças Armadas no estado, está programada para terminar nesta sexta-feira, e o Governo do Ceará já pediu a prorrogação. Acontece que, depois de se reunir ontem com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e o da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, para decidir justamente se as Forças Armadas permanecerão ou não nas ruas do Ceará, coube ao ,inistro da Defesa transmitir a indefinição do governo federal. “O presidente ainda não decidiu”, declarou Azevedo e Silva.

Pode ser que isso mude a qualquer momento, mesmo antes da publicação deste editorial que está sendo escrito no meio da tarde de quinta-feira, porém, uma coisa é certa: a indecisão presidencial revela uma situação que, por si só, enche de dúvidas uma ação que deveria ser líquida e certa: as tropas de segurança não poderiam sair de lá sem uma solução.

Como se sabe, as operações de GLO só podem ser decretadas pela Presidência, sendo empregadas “em graves situações de perturbação da ordem”, quando “há o esgotamento das forças tradicionais de segurança pública”, na definição do próprio Ministério da Defesa.

Pois bem. O Exército está nas ruas do Ceará desde o último dia 21, um dia depois de o presidente editar o tal decreto de Garantia da Lei de Ordem (GLO) a pedido do governo cearense. Isso aconteceu dois dias antes do ministro Sergio Moro sobrevoar Fortaleza para “acompanhar” a situação.

É um caso que dispensa vacilação, a menos que se queira passar a mão na cabeça dos amotinados, coisa que o Governo do Ceará não quer fazer se oferecesse uma anistia, mas que já aconteceu anteriormente e, por ironia, pelas mãos de Cid Gomes, o então governador e hoje senador licenciado (e baleado).

A paralisação da PM lá começou no último dia 18, quando encapuzados se intitulando agentes das forças de segurança invadiram quartéis e danificaram viaturas, que são patrimônio público, e três PMs foram presos em Fortaleza por cercar um carro da polícia e esvaziar os pneus.

Enquanto isso, o presidente Bolsonaro cogita voltar com tudo à tese de excludente de ilicitude, o que para muitos é o próprio direito de matar para uma corporação que, numericamente falando, é bem maior do que toda as Forças Armadas reunidas – daí a razão constitucional de ser a força de reserva, proibida de se amotinar ou entrar em greve.

Se o coronavíros já apavora, espere por mais esta novidade subproduto do desvario do governo.

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