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Sequela?
Cientistas investigam relação da Covid com novos casos de diabetes
Há suspeita de que infecção pelo coronavírus possa, de alguma forma, desencadear doença em quem até então não a tinha
R7/Estadão Conteúdo
17/02/2021 | 14:50

A estudante universitária Giselle, de 19 anos, procurou a emergência de um conceituado hospital do Rio em meados de janeiro porque se sentia muito mal. Andava sonolenta, cansada, com falta de apetite e ainda apresentava uma forte dor abdominal. Os médicos que a atenderam trataram a dor, mas não conseguiram chegar a nenhum diagnóstico específico.

Alguns dias depois, Giselle, que prefere não revelar o sobrenome, voltou à emergência com os mesmos sintomas. Depois de uma bateria de exames, o diagnóstico: um quadro agudo de diabete do tipo 1.

Os médicos resolveram investigar por que uma pessoa jovem, sem histórico da doença, apresentou um quadro tão grave. A conclusão foi que a manifestação seria decorrente de um caso brando de covid-19, no início do ano.

Novos estudos vêm mostrando que a diabete é mais uma complicação a ser adicionada à lista dos danos causados pela covid-19.

O que os cientistas ainda não sabem é se o vírus potencializa um problema que já estava em desenvolvimento ou se é a principal causa.

“A relação pode ser bidirecional, ou seja, é possível que, em algumas situações, a covid venha a aumentar o risco de surgimento de casos de diabete, especialmente da cetoacidose diabética, uma complicação mais aguda”, afirma a professora Melanie Rodacki, do Departamento de Clínica Médica, Nutrologia e Diabete da UFRJ.

Uma análise feita por cientistas do Canadá, da Índia e da Austrália, publicada em novembro na revista Diabete, Obesidade e Metabolismo, revela que 14% dos internados com quadros graves de covid-19 desenvolveram diabete. Os cientistas reuniram dados de oito estudos, com um total de 3.700 pacientes.

Há possibilidade de que a diabete já fosse se desenvolver ou que o tratamento com corticoide tenha provocado a doença. Mas, dizem os especialistas, um efeito direto da covid também deve ser considerado.

Os pesquisadores ainda não sabem como a covid deflagraria a diabete 1 e 2, nem se os casos são temporários ou permanentes.

Outro estudo, feito na Alemanha e publicado no último dia 5 na Nature, demonstrou que as células beta do pâncreas (que produzem insulina) estavam expressando proteínas do novo coronavírus.

“Nosso estudo identificou o pâncreas como um alvo da infecção pelo SARS-CoV-2, sugerindo que a infecção das células beta pode contribuir para problemas metabólicos observados em pacientes com covid-19”, afirmaram.

“Tudo com a covid ainda é muito novo, estamos diante de uma doença nova e aprendendo muita coisa”, diz a presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), Cíntia Cercato. “Mas, basicamente, estamos vendo essa relação bidirecional.”

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