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Estratégia
Cientistas criam teste de saliva que detecta variantes do coronavírus
Exame permite que o próprio paciente faça coleta em casa e consulte resultado em aplicativo de smartphone
R7
06/08/2021 | 16:31

Cientistas desenvolveram um teste caseiro de covid-19 que pode, além de confirmar a doença, dizer a variante do coronavírus que infectou uma pessoa. Tudo isso feito em casa a partir de uma amostra de saliva.

O projeto foi conduzido por pesquisadores do Instituto Wyss para Engenharia Biologicamente Inspirada, da Universidade de Harvard, e do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussetts) e de vários hospitais da região de Boston, nos EUA.

Equipamento pode ser montado com impressora 3D

A ferramenta representa um avanço dos diagnósticos tendo em vista que a análise da variante requer o sequenciamento genético, o que implica em mais estrutura e custos.

O dispositivo se chama miSHERLOCK (SHERLOCK minimamente instrumentado) e pode ser operado pela própria pessoa, que vai acessar o resultado por meio de um aplicativo de smartphone.

“Ele distinguiu com sucesso entre três variantes diferentes do SARS-CoV-2 em experimentos e pode ser rapidamente reconfigurado para detectar variantes adicionais como Delta”, diz um comunicado do Instituto Wyss.

O método foi testado em 27 pacientes com covid-19 e 21 pacientes sem a infecção. Houve acerto em 96% dos casos positivos e de 95% dos negativos.

Além disso, o aparelho pode ser fabricado por impressoras 3D a um custo que varia entre US$ 6 e US$ 15 (R$ 31 e R$ 78).

“O MiSHERLOCK elimina a necessidade de transportar amostras de pacientes para um local de teste centralizado e simplifica muito as etapas de preparação de amostras, dando aos pacientes e médicos uma imagem mais rápida e precisa da saúde individual e da comunidade, o que é crítico durante uma pandemia em evolução”, disse Helena de Puig, autora do estudo e pós-doutora pelo Wyss Institute e MIT.

O grupo integrado por Helena desenvolveu uma reação projetada para cortar o material genético do coronavírus SARS-CoV-2 em uma região de um gene chamado nucleoproteína, que é conservado em múltiplas variantes do vírus.

” Quando a tesoura molecular — uma enzima chamada Cas12a — se liga e corta com sucesso o gene da nucleoproteína, as sondas de DNA de fita simples também são cortadas, produzindo um sinal fluorescente. Eles também criaram ensaios SHERLOCK adicionais projetados para direcionar um painel de mutações virais nas sequências da proteína spike [localizada na superfície do vírus] que representam três variantes genéticas do SARS-CoV-2: Alfa, Beta e Gama”, continua a nota.

Um dos desafios enfrentados pelos cientistas foi a forma como a amostra seria analisada, destaca o pesquisador clínico do Instituto Wyss Xiao Tan.

“Você tem que proteger a amostra enquanto está em trânsito para a instalação de teste e também se certificar de que não é infecciosa se você estiver lidando com uma doença transmissível. Para torná-lo um teste diagnóstico realmente fácil de usar, era importante simplificá-lo o máximo possível.”

Foi quando entenderam que seria melhor utilizar a saliva do que os swabs nasofaríngeos para a coleta. Só que isso criou um novo desafio, pois a saliva não processada tem enzimas que degradavam várias moléculas, aumentando a taxa de falsos positivos.

A solução foi adicionar dois produtos químicos à saliva (DTT e EGTA) e aquecê-la a 95°C por três minutos. Com isto, conseguiram eliminar o falso positivo e cortar todas as partículas virais.

Eles ainda incorporaram uma membrana porosa que foi projetada para prender o material genético do vírus em sua superfície, que poderia finalmente ser adicionada diretamente à reação SHERLOCK para gerar um resultado.

Na prática, o equipamento faz esse papel sem que o usuário precise se preocupar. Ele cospe em um local que faz todo esse processo, inclusive o aquecimento, por meio de uma bateria.

“O usuário cospe na câmara de preparação de amostra, liga o aquecedor e espera de três a seis minutos para que a saliva penetre no filtro. O usuário remove o filtro e o transfere para a coluna da câmara de reação, então empurra um êmbolo que deposita o filtro na câmara e perfura um reservatório de água para ativar a reação SHERLOCK. Cinquenta e cinco minutos depois, o usuário olha pela janela colorida do transiluminador para a câmara de reação e confirma a presença de um sinal fluorescente”, explicam os autores do estudo.

Os autores do trabalho buscaram fazer um dispositivo barato e que possa ser usado em locais sem a infraestrutura de grandes centros urbanos. Eles garantem que o miSHERLOCK está pronto para ser usado no mundo real.

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