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Alerta
China registra maior número de casos de Covid desde janeiro, e funcionários locais são punidos
Para tentar conter piora do surto, país limita emissão de passaportes, recorre a quarentenas localizadas e à testagem em massa; vacinação tem evitado mortes no surto
O Globo e agências internacionais
04/08/2021 | 14:27

Após meses com a pandemia sob controle, a China registrou nesta quarta-feira seu maior número de casos de Covid-19 desde 30 de janeiro, em meio à disseminação da variante Delta. O órgão disciplinador do Partido Comunista demitiu ou advertiu uma série de funcionários provinciais diante do novo surto, que as autoridades tentam conter com restrições às viagens de chineses internamente e para o exterior, testagens em massa e quarentenas localizadas.

O país contabilizou 71 novos casos de transmissão doméstica da doença, dez a mais que no dia anterior, segundo a Comissão Nacional de Saúde, número que cresce pelo quinto dia consecutivo. Cerca de 485 infecções foram registradas desde 20 de junho, quando nove zeladores do aeroporto de Nanquim foram diagnosticados com a cepa Delta após higienizarem um avião procedente de Moscou.

— A pandemia está se intensificando rapidamente e o risco de infecções importadas está aumentando — disse Mi Feng, porta-voz da Comissão Nacional de Saúde. — Diagnósticos relacionados a casos importados têm sido detectados em muitos aeroportos, portos e hospitais, resultando na transmissão em uma certa escala.

Paciente faz um teste para o novo coronavírus em Wuhan, na província de Hubei, no centro da China Foto: STR / AFP
Paciente faz um teste para o novo coronavírus em Wuhan, na província de Hubei, no centro da China Foto: STR / AFP
Pessoas fazem fila em frente ao Hankou Water Tower para teste de Covid. Autoridades decidiram testar toda sua população Foto: CHINA DAILY / VIA REUTERS
Pessoas fazem fila em frente ao Hankou Water Tower para teste de Covid. Autoridades decidiram testar toda sua população Foto: CHINA DAILY / VIA REUTERS
Membros da equipe médica têm uma reunião enquanto se preparam para fazer testes de ácido nucleico para verificar a presença de coronavírus em Wuhan Foto: STR / AFP
Membros da equipe médica têm uma reunião enquanto se preparam para fazer testes de ácido nucleico para verificar a presença de coronavírus em Wuhan Foto: STR / AFP
Residentes formam grandes filas em supermercado de Wuhan, na China, após a confirmação de novos casos de Covid-19 Foto: STR / AFP
Residentes formam grandes filas em supermercado de Wuhan, na China, após a confirmação de novos casos de Covid-19 Foto: STR / AFP
Grandes filas, carrinhos de compras lotados e prateleiras vazias. Cenas comuns no início da pandemia estão de volta à rotina de Wuhan Foto: STR / AFP
Grandes filas, carrinhos de compras lotados e prateleiras vazias. Cenas comuns no início da pandemia estão de volta à rotina de Wuhan Foto: STR / AFP
Desabastecimento: prateleiras ficam vazias enquanto as pessoas compram itens em um supermercado em Wuhan com medo de novo surto da doença Foto: STR / AFP
Desabastecimento: prateleiras ficam vazias enquanto as pessoas compram itens em um supermercado em Wuhan com medo de novo surto da doença Foto: STR / AFP
Após a confirmação de sete casos Covid-19 em Wuhan, na China, onde não havia contágios desde junho de 2020, os moradores já demonstram sinais de preocupação com o novo surto da doença Foto: STR / AFP
Após a confirmação de sete casos Covid-19 em Wuhan, na China, onde não havia contágios desde junho de 2020, os moradores já demonstram sinais de preocupação com o novo surto da doença Foto: STR / AFP
Apesar da alta taxa de vacinação e das medidas restritivas, mais de 400 pessoas em 18 das 22 províncias do país já foram infectadas com a variante Delta, mais contagiosa, nas últimas duas semanas Foto: STR / AFP
Apesar da alta taxa de vacinação e das medidas restritivas, mais de 400 pessoas em 18 das 22 províncias do país já foram infectadas com a variante Delta, mais contagiosa, nas últimas duas semanas Foto: STR / AFP
Surto da nova cepa surgiu em julho, quando funcionários da equipe de limpeza do aeroporto de Nanquim, na província de Jiangsu, no Leste do país, foram detectados com a variante após higienizarem um avião procedente de Moscou Foto: STR / AFP
Surto da nova cepa surgiu em julho, quando funcionários da equipe de limpeza do aeroporto de Nanquim, na província de Jiangsu, no Leste do país, foram detectados com a variante após higienizarem um avião procedente de Moscou Foto: STR / AFP

Tentando conter a importação de casos, os serviços de imigração chineses deixaram de emitir passaportes e outros documentos necessários para viagens ao exterior exceto quando há um motivo “imperioso”.

Até esta quarta-feira, 17 das 22 províncias chinesas haviam registrado casos de transmissão local. Na província de Hunan, onde foram registrados 15 novas infecções, a cidade de Zhangjiajie tornou-se um epicentro após mais de 2 mil pessoas se reunirem para assistir a uma apresentação de teatro a céu aberto na região cênica de Wulingyuan, cujos desfiladeiros, que inspiraram o cenário do filme “Avatar”, são um Patrimônio Mundial da Humanidade da Unesco.

Na terça-feira, o órgão anticorrupção da cidade, responsável pela supervisão das autoridades locais do PC, disse que oito funcionários em Wulingyuan foram advertidos ou punidos. Quatro funcionários do governo no distrito vizinho de Yongding também receberam advertências.

Xu Xionghui, integrante da liderança do partido em Yongding, foi demitido e sua indicação para vice-prefeito distrital, cancelada. O chefe da comissão sanitária do distrito, Wang Zhu, também foi afastado de seu cargo.

Jiangsu, província onde fica Nanquim, continua sendo a mais afetada pela Covid-19, com mais de 250 casos contabilizados nas últimas semanas. De terça para quarta-feira, foram 35 novos diagnósticos.

Em Nanquim, o distrito de Jiangning, foi posto sob quarentena parcial e muitos shoppings e lojas foram obrigadas a fechar suas portas. A cidade suspendeu voos domésticos, ônibus inter-regionais, além de vetar que táxis e carros de aplicativo deixem o município.

Medidas similares foram tomadas pela cidade vizinha de Yangzhou, cujo surto tem como paciente zero uma senhora de 64 anos que viajou para Nanquim, burlou as medidas sanitárias e foi diagnosticada em 28 de julho. A cidade registrou 32 dos 35 novos casos diagnosticados na província na terça, oito a menos que na véspera.

Outras nove infecções foram registradas na província central de Hubei, todos eles em Wuhan, o marco zero da Covid-19. A cidade, que não registrava casos desde junho de 2020, realiza a testagem em massa de seus 11 milhões de habitantes, recomenda que seus moradores fiquem em casa e pôs um complexo residencial em quarentena.

Outros seis casos foram contabilizados em Shandong, três em Yunnan, dois em Henan e um em Fujian. Também foram contabilizados 35 casos importados de outros países.

Embora não tenham sido registradas mortes no surto — algo creditado à vacinação, esses casos são o maior desafio para a estratégia da China desde que o vírus foi detectado em Wuhan. As medidas restritivas do país, que incluem testes em massa assim que um caso aparece, rastreamento de contatos, uso generalizado de quarentenas e quarentenas direcionadas, esmagaram mais de 30 surtos desde janeiro de 2020.

O maior após o controle do surto em Wuhan, ainda no meio de 2020, ocorreu há sete meses, quando mais de 2 mil pessoas se infectaram na província de Hebei, no Nordeste do país. Os casos, contudo, ficaram circunscritos à região e não se disseminaram nacionalmente.

Na China, mais de 1,7 bilhão de doses de vacinas contra a Covid-19 foram administradas até domingo, alcançando quase 60% da população. A taxa de imunização do país é uma das mais altas do mundo, mas ainda está muito longe de atingir a barreira de imunidade para a população de 1,4 bilhão, e também não se sabe ainda se as vacinas nacionais podem retardar a propagação da Delta, ainda que reduzam a gravidade dos casos.

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