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Pandemia
China passa a usar testes retais para detectar Covid-19, informa TV estatal
Informação foi confirmada pelas autoridades chinesas ao canal estatal CCTV, que explicaram que foram colhidas amostras anais de residentes em bairros da capital onde tinham sido confirmados casos de Covid-19
RTP
27/01/2021 | 13:44

Grande parte dos países já iniciou a vacinação, mas vai demorar até que toda a população mundial esteja imunizada contra o SARS-CoV-2. Por isso, a China continua a investir e a desenvolver novas técnicas para identificar casos e minimizar a propagação do novo coronavírus. Esta semana, Pequim confirmou que começou a fazer uma triagem retal a vários contatos de risco e a viajantes vindos do estrangeiro.

Depois de a China ter declarado que tinha travado a progressão do novo coronavírus no país, a 19 de março de 2020, alegando que não tinha mais nenhum caso, começou a registar novos surtos este mês. O Governo chinês está empenhado em limitar os casos de infeção e acabar, de vez, com a doença, agora com uma nova técnica de triagem.

A informação foi confirmada pelas autoridades chinesas ao canal estatal CCTV, que explicaram que foram colhidas amostras anais de residentes em bairros da capital onde tinham sido confirmados casos de Covid-19, na semana passada.

A triagem retal “ajuda a aumentar a taxa de deteção de pessoas infetadas” porque o coronavírus permanece mais tempo no ânus do que no trato respiratório, revelou o médico Li Tongzeng, do You’an Hospital, à CCTV.

Embora não seja a técnica mais comum nem a usada preferencialmente pelas autoridades, já vários individuos foram sujeitos aos “cotonetes anais”, muitos sem terem sido previamente avisados da triagem específica. Para além de milhares de pessoas no norte do país, onde surgiram mais de 1700 casos, também alunos e professores das escolas de Pequim foram testados com as habituais colheitas recolhidas no nariz e na garganta, e ainda com esta nova técnica de testagem retal, depois de ter sido identificado um caso assintomático numa instituição de ensino.

“Os testes em massa [com o novo método] foram iniciados depois de a capital chinesa entrar em quarentena parcial em Daxing e Shunyi”, começou por explicar Li Tongzeng, médico num hospital de Pequim.

“Isto aconteceu após o sequenciamento genético revelar dois casos da variante mais transmissível do coronavírus descoberta no mês passado no Reino Unido. Desde então, a capital está em alerta máximo. Mais de 1.200 pessoas foram testadas numa escola frequentada por um aluno com um caso assintomático da estirpe britânica”.

A nova técnica, contudo, não parece agradar à maioria. Principalmente a quem viaja para Pequim e é sujeito a colheitas anais.

Na segunda-feira, também os passageiros de um voo de Changchun, capital da província de Jilin, para Pequim, foram instruídos a desembarcar depois de as autoridades descobrirem que alguém de uma área considerada de alto risco estava a bordo. Os viajantes foram, então, levados para um hotel onde os profissionais de saúde colheram amostras nasais e anais, explicou um desses passageiros ao Bloomberg.

Até agora, não há relatos de que esta nova técnica de triagem esteja a ser usada noutros países, mas os media confirmam haver já diversos relatos de pessoas que não vivem em Pequim e passaram pelo novo teste “invasivo”.

“Um residente da cidade de Guangzhou relatou que fez os testes anal e nasal. Já uma utilizadora da rede social Weibo disse que se sentiu envergonhada, mas que também passou pelo novo método”.

“Cotonetes anais” versus cotonetes nasais

O novo método é relativamente semelhante à tradicional zaragatoa, mas envolve a inserção de um cotonete, embebido numa solução salina, em cerca de dois ou três centímetros dentro do ânus.

O uso da nova técnica de colheita é baseado em investigações que concluiram que há mais vestígios do vírus na região do ânus e durante mais tempo do que no trato respiratório, explicou Li Tongzeng, vice-diretor do Departamento de Doenças Respiratórias e Infecciosas do Hospital You An de Pequim, numa entrevista ao canal estatal na semana passada.

“O coronavírus sobrevive mais tempo no ânus ou em excrementos do que em amostras colhidas da parte superior do corpo”, disse o investigador.

Esses estudos indicam ainda que o vírus pode estar presente na garganta de pacientes assintomáticos durante três a cinco dias, portanto, o médico considera que devem ser consideradas as colheitas anais em vez das habituais no nariz e na garganta.

As colheitas anais podem, assim, ser mais precisas do que os testes na garganta e no nariz, especialmente na identificação de casos assintomáticos, esclareceu ainda, acrescentando que só está a seru usada esta técnica “controversa” ​​em grupos de risco.

No entanto, Tongzeng admitiu que a técnica “não é tão conveniente quanto o teste na garganta” e sugeriu que devia ser aplicada apenas a “grupos prioritários” em centros de quarentena.

Também alguns especialistas questionam a aplicação desta nova forma de triagem de casos de Covid-19.

“Não entendo por que é que Pequim acrescentou cotonetes anais. Não é como colher na garganta. É preciso um determinado lugar e o risco dessas rotas de transmissão é menor”, disse ao Bloomberg Jiang Qingwu, professor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade Fudan de Xangai. “Talvez queiram encontrar restos? É verdade que o vírus pode ser detectado no ânus”.

O canal estatal informou ainda, no domingo, que a utilização de cotonetes nas vias anais não iam começar a ser usados como método preferencial.

À medida que os casos aumentam em todo o mundo, a China impõe restrições mais rígidos às chegadas internacionais num esforço para limitar a transmissão do vírus no país.

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