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Opinião
China ganha corrida na indústria automobilística; leia opinião de Ney Lopes
Empresas de origem chinesa chegam ao Brasil e ocupam espaço da maioria das fabricantes tradicionais
Ney Lopes
02/12/2023 | 05:00

O século XXI consolida grande mudança no mundo automotivo. Empresas gigantes disputam a liderança do mercado de carros elétricos. As legislações com prazos para o fim da produção de veículos a combustão, obrigam as montadoras desenvolverem produtos com zero emissão e investimentos que passam de US$ 250 bilhões de 2025 a 2030.

Nessa corrida, a indústria chinesa leva vantagem. A procura no exterior por veículos de boa qualidade fabricados na China é tão grande, que montadoras chinesas têm dominado o mercado na Rússia, transportando carros por trem. O comércio dos carros elétricos promete expansão como nunca se viu.

A marca chinesa BYD, cujo nome é inicial de Build Your Dreams (“Construa Seus Sonhos”), tem plano para dominar o mercado mundial de elétricos: usar navios. Já começou a construir em Guangzhou os seus próprios navios, com a intenção de desembarcar cerca de 7000 veículos de uma só vez e colocar no mercado milhares de carros, ao mais baixo preço possível. Além disso, a empresa trabalha com a integração vertical “oito-em-um”, que os seus componentes mais importantes produzidos internamente. Carros da BYD já usam as baterias Blade (8 anos de garantia), criadas pela própria empresa para serem mais baratas, seguras e eficientes e são usadas pela Tesla e Toyota

A BYD comprou em Camaçari, a fábrica que antes era da Ford e em 2024 lançará os primeiros veículos nacionais. Na inauguração recente, esteve presente a senhora Stella Li, CEO da BYD Américas, que dançou com o grupo Olodum num grande evento organizado pela marca no Farol da Barra, em Salvador. Há meses estão à venda unidades importadas. O modelo BYD Dolphin, totalmente elétrico, foi o carro mais vendido em agosto de 2023 no Brasil.

Outras empresas de origem chinesa chegam ao Brasil e ocupam espaço da maioria das fabricantes tradicionais. Ao contrário de anos anteriores, quando grupos da China chegavam apenas para montar kits semi prontos de carros de baixo custo, agora a maioria chega com planos de produção de modelos eletrificados, nacionalização de peças, instalação de centros de pesquisa e serviços.

Outras duas – GWM e Higer Bus – em menos de dois anos, anunciam aportes de mais de R$ 20 bilhões em produção local. A. Great Wall Motors Company Limited, (GMW) é a maior montadora de veículos privada da China. Adquiriu a planta da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) e vai iniciar produção em maio do próximo ano, com um modelo híbrido flex. A Higer Bus importa ônibus elétricos. Para a montagem local a partir do próximo ano, a empresa investirá na primeira fase US$ 10 milhões em instalações em Fortaleza (CE

Percebe-se que está a caminho uma revolução, que irá gerar mobilidade tecnológica, eficiente e limpa, mudando o perfil das cidades. Esta é a tendência global, que cresce no Brasil.

*Ney Lopes é jornalista

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