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Entrevista
Cepa Delta pode estar circulando no RN de forma assintomática, alerta pesquisador
Alerta é feito pelo coordenador do LAIS, Ricardo Valentim, que reforça necessidade da vacinação
Diassis Oliveira
19/08/2021 | 08:28

O coordenador geral do LAIS – Laboratório de Inovação Tecnológicas em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Nortel, Ricardo Valentim, ao Agora Entrevista, nesta quarta-feira 18, falou sobre os números atuais da pandemia no estado e também dos riscos de propagação da cepa Delta, no país. Para ele “a variante já pode estar circulando no estado, com pacientes assintomáticos”. O cientista também apontou como responsável pela queda no número de casos, a imunização. Porém, reforça a necessidade dos cuidados sanitários para evitar a propagação de novas variantes.

Agora RN – Os números atuais são favoráveis à reabertura geral de atividades presencias?

Ricardo Valentim – Ainda estamos no meio da pandemia. Precisamos ter muito cuidado. Nosso laboratório vem assumindo um papel colaborativo com estado e municípios desde o início da pandemia. Hoje, percebemos que a população está aprendendo a conviver com o vírus. Os profissionais de saúde já fazem um manejo clinico com esses pacientes de forma mais avançada, isso contribui para a convivência com o vírus. O que eu vejo de mais importante nesse processo de queda nos números é a questão da imunização. Todos os imunizantes que temos disponíveis são eficazes contra o coronavírus. Isso é um dado muito positivo. Vemos que os números de casos, internações e óbitos caíram de forma significativa.

Agora RN – A variante Delta é uma ameaça para uma terceira onda da pandemia no Brasil?

Ricardo Valentim – “Temos que nos preocuparmos, sim. Essa variante já vem criando muitos problemas em vários países e estados brasileiros, já está em São Paulo, Rio de janeiro, Ceará e Pernambuco. O Rio Grande do Norte não vai ficar isolado, provavelmente já existem pacientes com essa variante circulando de forma assintomática aqui. O Brasil levou uma vantagem em relação à variante Delta, pelo número de pessoas imunizadas com a primeira dose. Isso pode, de certa forma, evitar um agravamento do estado de saúde das pessoas, caso sejam contaminadas.

Agora RN – De que forma o senhor vê a recusa pela vacina, por parte de algumas pessoas?

Ricardo Valentim – Existe uma especulação grande em relação às vacinas. No início, a população não queria tomar a AstraZeneca por causa dos fortes sintomas, não queriam a CoronaVac, porém não passa de especulação, todas essas vacinas são eficazes. Vale lembrar que o primeiro grupo a tomar a CoronaVac foi a população idosa e foram os primeiros a diminuíram a internações nos hospitais, isso demostra que é eficaz. É claro que, alguns imunizantes conferem de forma individual um nível de imunização diferente, mas todas são eficazes. O benefício da vacina é coletivo, quanto mais pessoas tomarem, mais cedo sairemos dessa pandemia. Com essa ameaça da variante Delta é importante que toda a população se vacine. A cepa Delta é uma ameaça para Brasil. Porém, nós temos como impedir essa crise com a vacinação. Diferente dos outros picos onde não tínhamos vacinas. Precisamos gerenciar esse risco, usar máscaras, álcool gel e vacinar toda a população.

Agora RN – O momento já é de planejar o retomo da de eventos e retomada geral das atividades econômicas?

Ricardo Valentim – Olha, comparando o mesmo período do ano passado, hoje temos uma queda significativa nos números, então eu direi que o momento é de planejar esse retorno. Não podemos negligenciar um cenário onde estamos num processo de imunização. É preciso planejar agora até para que os protocolos de segurança sejam aprovados pelas autoridades sanitárias. O momento de planejar é esse, para um retorno seguro, junto com a população imunizada.

Agora RN – O senhor acha que no Brasil as vacinas chegaram tarde?

Ricardo Valentim – Houve um atraso de, pelo menos, uns 45 dias. Se isso não tivesse acontecido, hoje teríamos bem mais pessoas imunizadas. Passamos os Estados Unidos com a primeira dose, na semana passada, isso poderia ter ocorrido antes. O Brasil tem um dos maiores potenciais de vacinação a nível mundial. Aqui, as pessoas querem se vacinar, há um pequeno grupo que, por ideologia, não quer, mas a grande parte quer. Lá nos EUA, há uma grande negacionismo em relação às vacinas. As autoridades precisam responsabilizar os responsáveis que geraram um verdadeiro pandemônio nessa pandemia.

Agora RN – Como tem sido possível dar continuidade às pesquisas tão importantes em um momento como esse, nuns cenários onde caíram de forma significativas os investimentos na aérea da ciência?

Ricardo Valentim – No caso das universidades, que são grandes centros de excelência, sempre foram subfinanciadas, nunca houve um financiamento direcionado, precisa-se de uma política de estado para melhorar o fenecimento no setor. O LAIS vive de projetos que têm financiamento pelo SUS. Tínhamos projetos que já vinham sendo desenvolvidos há mais de dez anos, tínhamos uma competência que vinha sendo desenvolvida há mais de dez anos. No meio dessa pandemia, o LAIS estava pronto para dar a resposta. Nosso laboratório é altamente capacitado. Foi primordial para nortear as diretrizes para estado e munícipios no combate à propagação do vírus. O Rio Grande do Nortes tem os melhores números da região Nordeste, em comparação a outros estados.

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