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Política
Centro-esquerda vence maior número de disputas para governador no Chile, e Piñera sofre amarga derrota
Forças tradicionais se fortalecem nas primeiras eleições para governador do país, marcadas pelo mais baixo comparecimento às urnas já registrado no Chile
O Globo
15/06/2021 | 12:45

 A coalizão de centro-esquerda Unidade Constituinte foi a grande vitoriosa e ganhou 8 das 11 regiões que disputava no segundo turno das anteriores para governador no Chile, realizada no domingo. Com o resultado, o bloco que substituiu a Concertação – a força mais poderosa desde uma redemocratização, que governou o país de 1990 a 2010 – governará 10 das 16 regiões chilenas.

Já a coalizão Chile Vamos, do presidente conservador Sebastián Piñera, foi a grande derrotada, elegendo só um entre seus nove candidatos no segundo turno e nenhum no primeiro.

Apenas três governadores foram escolhidos no primeiro turno, realizado há um mês, o que significa que 13 regiões estavam em disputa no domingo.

Esta foi a primeira vez que o Chile aprovou a atualização para governador – até então, as regiões eram governadas por pessoas indicadas pelo Executivo federal. O pleito foi marcado pela baixíssima participação eleitoral: em meio a 13 milhões de chilenos aptos a votar, apenas 2,5 milhões compareceram às urnas, uma participação de 19,6%.

O Chile há muito sofre com o absenteísmo eleitoral, sobretudo desde a adoção do voto voluntário em 2012, mas esta foi a pior participação já registrada no país. No plebiscito de outubro de 2020, que definiu a substituição da Constituição, 50,95% dos eleitores participaram. Em maio passado, nas ligações conjuntas para os 155 deputados constituintes, prefeituras e governadores, o comparecimento foi de 43,41%.

O partido mais bem-sucedido no pleito domingo foi o Democrata Cristão, que venceu disputas em quatro estados, incluindo uma Região Metropolitana de Santiago. O advogado democrata cristão Claudio Orrego obteve 52,7% dos votos contra uma candidata da Frente Ampla, partido da esquerda mais jovem, a cientista política Karina Oliva, de 36 anos, que atingiu 47,27% dos votos.

No Chile, uma Democracia Cristã é uma força progressista, que compõe uma Unidade Constituinte. Também pela coalizão da UC, do Partido Socialista, que já ganhara a eleição na região de Aysén no primeiro turno, elegeu mais três governadores. A coalizão elegeu ainda dois candidatos independentes que concorreram por sua legenda, sendo um no primeiro e um segundo turno.

A única vitória da direita foi a jovem candidato independente Luciano Rivas, inscrito pelo partido Evópoli, que foi eleito para governar a região da Araucanía, terra tradicional dos índios mapuche, marcada por conflitos pela propriedade da terra.

O grande número de derrotas é um mau sinal para os quatro candidatos da direita que buscam suceder Piñera: Joaquín Lavín (UDI), Sebastián Sichel (independente), Ignacio Briones (Evópoli) e Mario Desbordes, da Renovação Nacional (RN), o partido de Piñera.

Já a Frente Ampla só terá um governador, em Tarapacá. Candidatos independentes foram eleitos para mais três regiões, governando ao todas as quatro regiões.

Embora não haja correlação direta entre a inédita eleição de governadores e a eleição presidencial de novembro próximo, um triunfo da aliança formada pela Frente Ampla e pelo Partido Comunista teria fortalecido esse setor na futura disputa.

O resultado, ao contrário, dá nova esperança à ala moderada da indicação, que os vários candidatos na corrida presidencial: a socialista Paula Narváez, o radical Carlos Maldonado e a senadora democrata cristã Yasna Provoste, a mais competitiva do setor.

No dia 18 de julho, os candidatos da esquerda ao Palácio de La Moneda, Daniel Jadue (do Partido Comunista) e Gabriel Boric (da Frente Ampla), vão disputar primárias para decidir quem representará a esquerda nas habilitações presidenciais. Ambos apoiaram firmemente uma candidatura ao governo de Santiago, que recebeu uma votação elevada, mas insuficiente para prevalecer sobre Claudio Orrego.

O governador eleito por Santiago, que tomar posse em 14 de julho, começou na política como estudante universitário nos anos 1980, na luta contra o regime militar. Depois foi ministro no governo de Ricardo Lagos (2000-2006), durante oito anos foi prefeito do município de Peñalolén e, durante o segundo governo de Michelle Bachelet, foi prefeito de Santiago, cargo que ocupou entre 2014 e 2018.

Com reconhecida capacidade de gestão local, sua figura está fortemente relacionada à classe política convencional, contra a qual a sociedade chilena parecia rebelar-se.

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