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Marcelo Hollanda
Centrão sequestrou o governo, mas o governo também sequestrou o Centrão: é uma união instável
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta sexta-feira 10
Marcelo Hollanda
10/09/2021 | 08:22

Cabo, soldado e a República
O Centrão sequestrou o governo, mas o governo também sequestrou o Centrão. É uma união instável, mas interessante para ambas as partes, enquanto durar.

Depois do divórcio os amantes vão fingir que nem se conhecem..

Até lá o que será do Brasil?

A crise contratada para o ano que vem já se insinuava no ano passado como resultado de debilidades herdadas de anos anteriores.

A reforma da previdência, destroçada pela pandemia e a inclusão de privilégios de última hora para militares, pariu um natimorto.

As outras reformas estruturais e as privatizações prometidas pelo liberal ministro da economia Paulo Guedes, soçobraram.

As investidas golpistas de um presidente que se diz conservador, mas que é apenas um reacionário de costumes e um sindicalista de reivindicações militares, embaçam o futuro.

Se antes o MST invadiu propriedades produtivas e destruía experimentos em laboratórios de empresas, bloqueando rodovias sob os olhares complacentes dos governos petistas, hoje a situação é ainda pior.

Frações barulhentas de caminhoneiros acreditaram piamente que o estádio de sítio aconteceria no Sete de Setembro. E que os ministros do STF sairiam escoltados para fora da Corte até que “nomes de bem” fossem indicados no lugar deles sob a orientação do todo poderoso presidente.

Aquele mesmo mandatário obrigado a abrir concessões imensas ao Congresso, disposto a tomar esse poder de volta rapidinho quando não precisasse mais dos parlamentares. Só que para isso ele precisaria estar ungido por uma ditadura. E isso não vai acontecer nas atuais circunstâncias.

Enquanto o deputado Arthur Lira não entender que sequestrar o orçamento federal não terá sido um bom negócio se parte do Congresso for cúmplice de um golpe de Estado, estaremos na mesma. E estar na mesma num país destroçado economicamente é fatal.

Seja como for, os riscos nunca foram tão perceptíveis aos sentidos como agora, desde que os militares largaram o osso em 1985, mas foram reaproximados do poder pelas mãos de um ex-capitão rebelde e quase expulso da corporação por pura e incorrigível indisciplina.

Como não será possível a Bolsonaro controlar todas as variáveis a tempo de aparelhar integralmente os poderes, incluindo aí tribunais, estatais e até associações de bairro, o caminho mais rápido será melar o jogo de alguma maneira.

A pergunta de ouro é: a Câmara Federal, presidida por Arthur Lira, hoje a dona da maior parte do orçamento que blinda o pedido de impeachment do presidente, permitirá que um cabo e um soldado fechem o Supremo e se encaminhem placidamente para o Congresso?

A famigerada voltou
O maior problema para a eleição do presidente Jair Bolsonaro não é o Supremo. A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é o problema. E ela chegou aos 0,87% em agosto, puxada pela gasolina e a conta de luz, segundo o IBGE. É a maior taxa para o oitavo mês do ano desde 2000, quando o indicador alcançou 1,31%. No acumulado, a inflação está acima de 10% em pelo menos oito das 16 capitais pesquisadas. A maior taxa em 12 meses está em Curitiba, no Paraná, onde o presidente Bolsonaro ainda é popular, seguido de Rio Branco, no Acre, e Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Custo Bolso
O custo Bolsonaro já é uma realidade e a instabilidade nos mercados acompanha o relator. O resultado que indica para a ‘estagflação’ da economia tem um peso catastrófico para um país de 15 milhões de desempregados no mercado formal e com a fome instalada no seio de boa parte da população. Quanto maiores forem essas dificuldades, os analistas apostam que maior será a tentação do governo de adotar medidas criativas e fora do orçamento oficial.

Vingança de Barroso
A julgar pelo longo pronunciamento do presidente do STE, ministro Luís Roberto Barroso, feito nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro não terá vida boa. Alvo preferencial do mandatário, junto com Alexandre de Moraes, Barroso bateu duramente no despreparo do governante e nas consequência da impostura oficial de suas declarações, terceirizando as culpas pelos fracassos do governo. Entre outras coisas, o ministro afirmou que “o populismo vive de arrumar inimigos para justificar o seu fiasco. Pode ser o comunismo, pode ser a imprensa, podem ser os tribunais”.

Luto
É ampla a consternação pelo falecimento de José Augusto Delgado, ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde atuou até 2008. Aos 83 anos, ele morreu em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral, deixando mulher, Maria José Costa Delgado, e três filhos, Magnus Augusto Delgado; Liane Maria Delgado Cadete e Ângelo Augusto Costa Cadete.

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