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Crime
Candidato à reeleição, vereador Zico Bacana é baleado durante ato de campanha no Rio
Citado em relatório da CPI das Milícias e convocado em 2018 a depor sobre caso Marielle, político do Podemos foi atingido enquanto fazia campanha
Folha de S.Paulo
03/11/2020 | 05:29

O vereador Jair Barbosa Tavares, o Zico Bacana (Podemos), foi baleado na noite desta segunda-feira 2 durante campanha na zona norte do Rio de Janeiro.

Candidato à reeleição, ele foi atingido na cabeça e, segundo sua assessoria, está bem e fez questão de ir até a Delegacia de Homicídios para colaborar com a polícia na investigação. Uma foto do parlamentar com a cabeça enfaixada e fazendo o sinal positivo com as mãos foi postada nas redes sociais no meio da madrugada.

O ataque aconteceu quando o vereador estava no Bar do Xuxa, em Ricardo de Albuquerque. Ainda não há mais informações sobre as circunstâncias do crime.

Zico é policial militar e foi citado no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio em 2008. No documento, ele foi apontado como líder da milícia que atuava em Guadalupe, na zona norte.

Em 2018, Zico foi convocado a prestar depoimento no contexto do inquérito que apura o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL).

Na época, segundo o jornal O Globo, a Polícia Civil recolheu imagens do circuito interno de câmeras da Câmara Municipal do Rio para saber quem esteve no sétimo andar do prédio, onde ficava o gabinete de Zico, no dia da morte de Marielle —em 14 de março de 2018.

Zico sempre negou qualquer relação com o assassinato da vereadora do PSOL. Nesta segunda, o vereador esteve em campanha em Ricardo de Albuquerque acompanhando um campeonato de futebol amador no local.

A Secretaria Estadual de Saúde informou, em nota, que o vereador deu entrada no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, e que estava estável na noite desta segunda.

Trecho do relatório da CPI das Milícias da Assembleia, presidida pelo hoje deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), afirmava: “Outro [grupo] liderado pelo Sgt Edmilson, Cb. PM Jair Barbosa Tavares (“Zico” ou “Zico Bacana”), Anderson e Bicudo, contaria com aproximadamente 50 integrantes e dominaria as milícias no bairro de Anchieta, nas Comunidades do Gogó da Ema e Camboatá em Guadalupe e Cavalheiro da Esperança em Ricardo de Albuquerque”.

O tráfico e a milícia representam grave ameaça para as eleições municipais no estado. Só na Baixada Fluminense, a Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial contabiliza que 12 pessoas que se candidatariam nessas eleições às Câmaras Municipais foram assassinadas desde o ano passado.

Na manhã da última sexta-feira 30 foi assassinada uma cabo eleitoral de uma influente família de políticos em Magé. Na véspera do atentado, Renata Castro esteve na Polícia Federal para fazer um registro de ameaça de morte.​

No início de outubro, dois candidatos a vereador em Nova Iguaçu foram mortos a tiros em um intervalo de 11 dias. Um deles havia sido preso em julho durante operação que mirou uma milícia do município.

Após os dois assassinatos, a Polícia Civil criou uma força-tarefa para coibir os grupos paramilitares, visando reduzir interferências no pleito eleitoral. Nesse mês, a corporação intensificou as operações e matou 17 suspeitos de integrarem milícias.

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