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Entrevista
Caminho do petróleo e gás sem a estatal é promissor, diz Marcelo Rosado
Coordenador do Fórum Potiguar de Petróleo e Gás não se afastou um milímetro da crença de que é o ambiente de negócios que precisa melhorar
Marcelo Hollanda
30/12/2020 | 06:48

Diz o ditado que água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Desde que foi atrás secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Wilma de Faria (2003-2010), o empresário mossoroense Marcelo Rosado bate na mesma tecla ou na mesma pedra: o ambiente de negócios no RN precisa melhorar.

Hoje, como diretor da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte e coordenador do Fórum Potiguar de Petróleo e Gás, Marcelo não se afastou um milímetro dessa crença. Mesmo depois de ocupar diversos cargos na administração pública nos últimos anos, ele continua pregando o mesmo versículo de outrora: mais do que nunca agora, sem a Petrobras, o RN precisa descobrir o caminho das pedras.

Nesta entrevista ao Agora RN, que encerra o ciclo da terceira semana de matérias sobre o Mais RN criado pela Fiern para orientar o futuro econômico do Estado, Marcelo Rosado fala dos desafios existentes pela frente e como o RN está pronto para enfrentá-los e vencê-los.

Agora RN – Como começou seu envolvimento pessoal com o Mais RN?
Marcelo Rosado –
Quando fui secretário de Desenvolvimento Econômico do estado (governo Wilma de Faria) e abracei o projeto de criar a Agenda de Desenvolvimento do RN, vivíamos numa época em que não havia as ferramentas tecnológicas de hoje. Convidado pelo presidente Amaro (Sales), surgiu a oportunidade de avançar na proposta que tínhamos lá atrás de fornecer aos empresários uma ferramenta de informação que facilitasse a tomada de decisões. E vi que o Mais RN poderia ser essa ferramenta.

Agora RN – Que oportunidades o senhor enxerga no Mais RN que não existia na ambiciosa plataforma criada no governo Wilma?
MR –
Embora as melhores intenções tenham sido depositadas na época no programa de atração de investimentos, creio que o Mais RN reuniu uma gama de informações desde 2014, quando foi criado pelo presidente Amaro, que nos abriu os horizontes mais claro do que dispomos e de como podemos nos orientar. Ou seja, o Mais RN juntou tudo o que estava fragmentado e criou uma plataforma dinâmica, que a cada minuto vai se atualizando, o que o torna por si só extremamente fidedigno e confiável. Eu diria que o Mais RN integra informações desde oportunidades, gargalos e as leituras do que precisávamos nessa ampla leitura do RN com a finalidade de hierarquizar a pauta. É um trabalho da maior importância na medida em que ordena e democratiza as informações mais estratégicas do Estado setor por setor, inclusive abrindo espaço para análises transversais que permitam ações logísticas conjuntas.

Agora RN – Como os empresários locais receberam o Mais RN? Por onde o trabalho começou?
MR –
Eu estaria mentindo se pintasse um quadro promissor sob este aspecto. Na verdade, no início do trabalho, percebemos um baixo índice de adesão por parte das empresas e a busca por informações estratégicas não estava na velocidade desejável. Começamos por alterar formatos, o que foi feito de uma maneira muito competente pela equipe quando se criou a plataforma digital a partir de uma simplificação da interface, o que permitiu que as informações fossem mais facilmente entendidas e absorvidas pela sociedade. O trabalho começou por questões como a logística do estado, o abastecimento de água, a coleta e tratamento de esgoto, abastecimento de energia, conectividade – que é ainda um grande entrave – e, sobretudo, o objetivo era fazer com que o interior conseguisse acessar todo esse manancial. E, é claro, oferecer infraestrutura para que pudéssemos aproveitar em projetos específicos e as potencialidades existentes.

Agora RN – Ou seja, com a plataforma digital do Mais RN, estenderam-se as informações para o interior?
MR –
Nunca o Mais RN negligenciou o interior, mas a plataforma digital nos reforçou a idéia de que existem regiões do RN, como o Seridó, onde há uma grande riqueza de minérios, dos mais comuns aos mais valiosos; você tem fábricas no RN que abastecem indústrias de cerâmica do País como um todo. Portanto, há muita coisa em jogo.

Agora RN – Quais os pontos de partida o senhor qualificaria mais importantes?
MR –
Entre as frentes de trabalho que identificamos nesse contexto estão as concessões e Parcerias Público Privadas (PPPs), um trabalho que ainda está no começo, mas no qual pretendemos identificar e incorporar quais os principais projetos que poderiam amadurecer mais rapidamente, auxiliando na recuperação da economia do estado no sentido de integrar tecnologia e gerar empregos.

Agora RN – O senhor coordena o Fórum de Petróleo e Gás. Qual a importância desse setor agora que a Petrobras está saindo do RN?
MR –
Uma importância total. Temos pacificado que no RN seria difícil levantar uma bandeira para atrair, por exemplo, uma nova indústria automobilística, como Pernambuco fez e o Ceará tem hoje; ou atrair outra indústria têxtil, já que temos a principal do país aqui. Portanto, o Petróleo e Gás é um segmento que adquire total prioridade. Pois é uma vocação e uma riqueza que o estado já tem, sobretudo na região de Mossoró, Guamaré, Pendências e Macau, onde a gente pode fazer com que isso gere rapidamente empregos para o RN e royalties para os municípios, recuperando parte do que já tivemos na época áurea da Petrobrás no estado. E obter, no médio e longo prazo, as receitas que já tivemos no passado, talvez até maiores.

Agora RN – O senhor diria que a saída da Petrobras produziu um trauma no RN? O que foi feito pelas lideranças produtivas?
MR –
Nós não nos preparamos para a saída da Petrobras do estado, é fato, o que significa dizer que não houve uma transição e, sim, produziu-se um trauma para muitos que trabalhavam a ganhavam bons salários nesse segmento. A Federação das Indústrias se mexeu, criando o Fórum Estadual de Petróleo e Gás, no qual identificamos as principais bandeiras a serem assumidas pela sociedade a fim de retomar esse ambiente de investimentos. Diga-se que outros estados têm feito o mesmo trabalho, entre eles um bem adiantado, que é o Espírito Santo. A diferença é que lá se trabalha com petróleo no mar e nós trabalhamos, pelo menos por enquanto, com a produção de petróleo em terra. Sabemos que o RN é a capital brasileira do petróleo on shore, que é o petróleo produzido em terra, e a ideia é tirar o máximo proveito disso.

Agora RN – O governo estadual comprou essa briga da Fiern?
MR –
Com toda a certeza. Hoje, um trabalho adotado pela própria governadora Fátima Bezerra está voltado para a unidade de processamento de gás natural de Guamaré, a refinaria Clara Camarão, ainda sob controle da Petrobras. Assim que a planta seja transferida para a iniciativa privada, será possível receber e processar o petróleo produzido nos campos pelos novos players, gerando todo o óleo e gás produzido em nosso estado. Tudo isso é um belo recomeço.

Agora RN – A parte de poços dentro da política de desinvestimento da Petrobras já foi resolvida? Existe um plano de ação?
MR –
Algumas empresas estão se associando, arrematando esses blocos, e logo vamos perceber os investimentos voltando, junto a toda uma cadeia produtiva, desde a mão de obra que faz segurança, a engenharia e uma imensa rede de profissionais. O Sebrae e a RedePetro têm sido fundamentais na reunião de informações para o atendimento desde o pequeno prestador de serviço até os grandes. Essa política industrial que a Fiern está implementando é real, perceptível. O presidente Amaro entende que a partir de preços mais baratos de insumos na cadeia do petróleo será possível atrair mais investidores, beneficiando as respectivas cadeias produtivas. No âmbito do petróleo e gás, já tivemos a sinalização do presidente Amaro para participar de todas as mesas importantes de petróleo e gás no Brasil, passando por Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro. E na medida em que o RN for se posicionando, mostrando sua política tributária e ambiental, entraremos no jogo em paridade de armas. Estamos falando aqui de atrair R$ 5 bilhões de investimentos.

Agora RN – Como o Mais RN está preparado para esse desafio ambicioso dentro da agenda do petróleo e gás?
MR –
A Fiern tem o Senai dentro do sistema que, por sua vez, tem o HIT-Senai (Hub de Inovação e Tecnologia do Senai), que desenvolve pesquisa aplicada dentro das energias renováveis. O petróleo sempre foi um tema estratégico dentro da agenda da indústria. Ocorre que, de uns tempos para cá, com a saída da Petrobras, já por ocasião dos leilões dos poços maduros, e mais recentemente com a política de desinvestimento da estatal, a agenda do petróleo ganhou todo um novo olhar. E aí o Mais RN, que desenvolve toda uma pesquisa nesse setor, resolveu adotar medidas em relação à política do petróleo e gás. A primeira foi desenvolver uma plataforma chamada Observatório do Petróleo e Gás, que nada mais é do que um sistema, que pesquisa nos bancos de dados da Agência Nacional do Petróleo, informações estratégicas sobre o petróleo e gás no Rio Grande do Norte. Construímos a plataforma pública e nela se encontra todos os dados relevantes, como, por exemplo, nove indicadores básicos: o número de poços no RN, o processamento de Petróleo, a importação, a importação de gás natural, o histórico da produção de petróleo e gás, as rodadas de licitação, os royalties, distribuição por município, os empregos formais do setor, a rede de laboratórios de pesquisa, envolvendo petróleo e gás, e você pode pensar na Ufersa, UFRN, HIT-Senai. E a relevância do petróleo e gás na economia local por meio de sua representatividade no PIB. O RN é o estado que tem o maior número de poços de petróleo e gás. Diferentemente de Bahia, Espírito Santo e Sergipe, estamos muito à frente em número de poços e desde 2009 temos uma produção constante de petróleo. Somos destaque na produção em terra, número de reservas provadas de petróleo. Tudo isso ratifica nossa capacidade de produção em terra. E esse potencial precisa ser aproveitado, sobretudo porque temos dificuldades de desenvolver outros potenciais econômicos.

Agora RN – Qual é a importância real do petróleo para o RN?
MR –
Dos 167 municípios do RN, quase 100 recebem royalties pela atividade.

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