BUSCAR
BUSCAR
Política

Câmara deve votar taxação para super-ricos nesta semana

Proposta tranca pauta de votações desde último dia 14
Agência Brasil
23/10/2023 | 06:25

Com a previsão de arrecadar R$ 20 bilhões em 2024, e até R$ 54 bilhões até 2026, a taxação dos investimentos da parcela mais rica da população deverá ser votada nesta terça-feira 24 na Câmara dos Deputados. Desde o último dia 14, o projeto de lei em regime de urgência tranca a pauta na Casa.

O relator da proposta, deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), tenta fechar um acordo com a bancada ruralista sobre o aumento no número de cotistas nos Fiagros, fundos de investimento em cadeias agroindustriais. O parlamentar estava ainda definindo como ocorrerá o parcelamento do Imposto de Renda sobre fundos exclusivos e uma eventual equiparação de alíquotas entre esses fundos e as offshores (investimentos em empresas no exterior).

Plenário da Câmara dos Deputados teve ato sobre desoneração da folha- Foto: Reprodução
Plenário da Câmara dos Deputados - Foto: Reprodução

Pedro Paulo também tentou incluir uma solução intermediária para o fim dos juros sobre capital próprio (JCP), proposto por outra medida provisória. No entanto, a proposta não prosperou por falta de acordo no Parlamento.

O governo queria ter votado o texto na semana passada. No entanto, três partidos – PL, PP e União Brasil – pediram a manutenção do acordo para votação no dia 24, após o retorno do presidente da Câmara, Arthur Lira, de uma viagem oficial à China e à Índia.

Originalmente, o projeto de lei tratava apenas da taxação das offshores. No entanto, o presidente da Câmara incorporou ao texto uma medida provisória editada no fim de agosto, e ainda em validade, que muda a tributação de Imposto de Renda em fundos exclusivos. O procedimento é igual ao que ocorreu com a medida provisória do Programa Desenrola, apensada ao projeto de lei que regulamenta a taxa do rotativo do cartão de crédito, aprovado no início do mês.

Reforço de caixa

O governo precisa reforçar o caixa para compensar o aumento do limite de isenção da tabela do Imposto de Renda, sancionada nesta segunda-feira 28 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dinheiro também é importante para cumprir a meta de zerar o déficit primário em 2024, conforme estipulado pelo novo arcabouço fiscal, aprovado no fim de agosto pelo Congresso.

Instrumentos personalizados de investimentos, com um único cotista, os fundos exclusivos exigem pelo menos R$ 10 milhões de entrada e taxa de manutenção de R$ 150 mil por ano. Hoje apenas 2,5 mil brasileiros aplicam nesses fundos, que acumulam patrimônio de R$ 756,8 bilhões e respondem por 12,3% da indústria de fundos no país.

Atualmente, os fundos exclusivos pagam Imposto de Renda (IR), mas apenas no momento do resgate e com tabela regressiva – quanto mais tempo de aplicação, menor o imposto. O governo quer igualar os fundos exclusivos aos demais fundos de investimento, com cobrança semestral de IR, conhecida como come-cotas. Além disso, quem antecipar o pagamento do imposto pegará alíquotas mais baixas.

Quanto à taxação das offshores, o governo quer instituir a tributação de trusts, instrumentos pelos quais os investidores entregam os bens para terceiros administrarem. Atualmente, os recursos no exterior são tributados apenas e se o capital retorna ao Brasil. O governo estima em pouco mais de R$ 1 trilhão (pouco mais de US$ 200 bilhões) o valor aplicado por pessoas físicas no exterior.

Confira as propostas do relator

Fundos exclusivos

• Instrumento: originalmente era medida provisória, mas texto foi incorporado a projeto de lei;

• Como é: tributação apenas no momento do resgate do investimento;

• Tributação: alíquota de 15% (fundos de curto prazo) ou de 22,5% (fundos de longo prazo) de Imposto de Renda sobre os rendimentos uma vez a cada semestre por meio do mecanismo chamado come-cotas a partir do ano que vem. Fundos com maiores prazos de aplicação têm alíquotas mais baixas por causa da tabela regressiva de Imposto de Renda;

• Atualização antecipada: quem optar por começar a quitar o come-cotas em 2023 pagará 6% sobre o estoque dos rendimentos (tudo o que rendeu até 2023). O governo propôs dois modelos de pagamento

– 6% para quem parcelar em quatro vezes, com a primeira prestação a partir de dezembro. Na medida provisória, o governo tinha proposto alíquota de 10% nessa situação;

– 15% para quem parcelar em 24 vezes (dois anos), com primeira prestação a partir de maio de 2024.

Offshore e trusts

• Instrumento: projeto de lei;

• Como é: recursos investidos em offshores, empresas no exterior que abrigam fundos de investimentos, só pagam 15% de Imposto de Renda sobre ganho de capital se voltarem ao Brasil;

• Tributação: cobrança anual de rendimentos a partir de 2024, com alíquotas progressivas de 0% a 22,5%, mesmo se dinheiro ficar no exterior. Cobrança ocorrerá da seguinte forma

– isenção sobre parcela anual dos rendimentos até R$ 6 mil;

– 15% sobre parcela anual dos rendimentos entre R$ 6.000,01 e R$ 50 mil;

– 22,5% sobre parcela anual dos rendimentos acima de R$ 50 mil.

• Apuração: lucros das offshores serão apurados até 31 de dezembro de cada ano

• Forma de cobrança: tributação dos trusts, relação jurídica em que dono do patrimônio transfere bens para terceiros administrarem.

• Como funcionam os trusts: atualmente, legislação brasileira não trata dessa modalidade de investimento, usada para reduzir o pagamento de tributos por meio de elisão fiscal (brechas na legislação) e facilitar distribuição de heranças em vida;

• Variação cambial: lucro com alta do dólar não será tributado em duas situações

– variação cambial de depósitos em conta corrente ou em cartão de crédito ou débito no exterior, desde que os depósitos não sejam remunerados;

– variação cambial de moeda estrangeira para vendas de moeda de até US$ 5 mil por ano.

Deputada Silvia Waiãpi, acusada fazer harmonização facial com dinheiro público, vai recorrer ao TSE
Mandato da parlamentar foi cassado pelo TRE-AP; caso foi denunciado por assessora
20/06/2024 às 17:28
Câmara Municipal de Natal entrega Comenda Motorista Exemplar a 27 profissionais
Este ano, 27 profissionais receberam a Comenda, sendo 10 motoristas de transporte escolar, 12 de alternativos e cinco de aplicativos
20/06/2024 às 14:39
Professora Nilda e Kátia Pires têm muita vontade de inovar e dar certo em Parnamirim, defende Agripino
Presidente do União Brasil no RN destaca compromisso das pré-candidatas com as demandas locais e autonomia na decisão do partido
20/06/2024 às 07:56
Flávio Azevedo toma posse como senador por quatro meses após licença de Rogério
Empresário e ex-presidente da Fiern substitui Rogério Marinho no Senado, prometendo empenho durante licença do titular
20/06/2024 às 07:42
Conselho de Ética da Câmara arquiva ação contra Fernanda Melchionna
PL acusou a parlamentar de ter ofendido filhos de Bolsonaro
19/06/2024 às 19:12
Moraes manda remover reportagens sobre acusação de agressão feita por ex-mulher de Arthur Lira
Medida, que inclui vídeo da Folha, atende a pedido feito pela defesa do deputado, que tem conseguido derrubar perfis e páginas por meio de decisões do ministro
19/06/2024 às 17:41
Câmara Municipal de Natal festeja 55 anos da Associação do Ministério Público
Associação congrega quase 300 membros, entre promotores e procuradores de justiça do RN
19/06/2024 às 10:04
2024 é “preâmbulo” de 2026, diz Rogério em último discurso antes de licença no Senado
Senador afirma que, antes de decisão sobre o voto, eleitores precisam ter “nitidez” sobre o que os partidos defendem
19/06/2024 às 08:06
Lira diz que nada no projeto do aborto “vai retroagir nos direitos já garantidos”
Presidente da Câmara dos Deputados afirmou que texto será debatido por comissão representativa no segundo semestre
18/06/2024 às 21:11
PF conclui que Nikolas cometeu injúria contra Lula, mas não indicia
Ainda que não tenha decidido pelo indiciamento, a PF frisou que a conduta de Nikolas Ferreira não está protegida pela imunidade
18/06/2024 às 18:36
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.