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Atraso
Burocracia no acesso ao crédito dificulta retomada da indústria no RN
Empresários e entidades da indústria potiguar reclamam que recursos não têm chegado à ponta final em razão da burocracia e das exigências das instituições bancárias
Redação
16/07/2020 | 00:16

A retomada gradual das atividades econômicas no Rio Grande do Norte, após período de isolamento social em virtude da pandemia de Covid-19, ainda é lenta para a indústria potiguar que enfrenta dificuldades com o acesso ao crédito. Mesmo com queda na demanda e prejuízos, o setor manteve alguma produção e acredita que a estratégia de reabertura terá resultados mais eficientes com a desburocratização para concessão do crédito.

A crise gerada pela pandemia do Coronavírus levou o governo federal a anunciar linhas de financiamento emergencial e bancos públicos e privados passaram a oferecer, nos últimos meses, uma série de novas linhas de crédito para pequenas e médias empresas impactadas pela queda da atividade econômica, seja para capital de giro, pagamentos de salários e outras despesas operacionais. Contudo, os empresários e entidades do setor industrial potiguar reclamam que o recurso não têm chegado à ponta final em razão da burocracia e exigências dos bancos.

Para o setor de pesca extrativista, na prática, a retomada da economia ainda não ocorreu, seja pela logística de distribuição seja pela dificuldade de crédito para manter as atividades. O setor precisou demitir pessoal e mantém 30% da frota de embarcações em atividades, com tendência a paralisar totalmente nos próximos meses, caso não tenha acesso as linhas de financiamento, conforme explica o presidente do Sindicato da Indústria de Pesca do Estado do Rio Grande do Norte (Sindipesca), Gabriel Calzavara.

Cerca de 80% das operações de escoamento são pelo modal aéreo, que não retomou os voos regulares devido a pandemia do novo Coronavírus.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado (SIFT), João Lima, lembra que as linhas criadas pelo governo federal auxiliam em especial as micro e pequenas empresas, mas que a morosidade e os trâmites e garantias exigidas dificultam a tomada do crédito. E, para as empresas de grande porte, a situação é mais desafiadora.

“As linhas existem, foram criadas com foco nas pequenas neste período de pandemia. Para as grandes, é ainda mais complicado, os custos de produção, o custo Brasil é alto, há muita burocracia, não é fácil. Os juros mais baixos têm ajudado as empresas, mas é preciso reduzir os custos, facilitar o acesso ao crédito para as empresas e, assim, a economia voltar ao seu ritmo”, disse João Lima.

O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do RN (SIMETAL), Francisco Vilmar Pereira, conta que a dificuldade maior das empresas tem sido segurar a mão de obra qualificada sem ter, até então, conseguido que o dinheiro devido aos entraves dos bancos para a concessão que fazem com que o crédito não chegue às empresas. “Até agora só tivemos a divulgação desses bilhões em recursos para financiar folha de pagamento, porque não chegou em Mossoró. Estamos buscando os bancos para ver o que pode ser feito. Nosso quadro de pessoal é especializado, mas enfrentamos dificuldade na manutenção desses empregos”, afirma Vilmar Pereira.

No final de março, o governo federal anunciou linha de crédito para bancar a folha de pagamento por dois meses, num total de R$ 40 bilhões.

Mesmo com as empresas adotando medidas emergenciais, autorizadas pelas Medidas Provisórias 927 e 936 do governo federal, como antecipação de férias, redução de salários e jornadas de trabalho, o presidente do Sindicato da Indústria de Instalação e Manutenção de Redes, Equipamentos e Sistemas de Telecomunicações (Sindimest), Alberto Serejo, pondera que há dificuldades geradas com a redução do fluxo de caixa. “Além de queda de receita que muitas empresas enfrentam, foi preciso usar dinheiro para antecipar férias de funcionários. Do outro lado, muita burocracia, prazos, exigência de garantias pelos bancos até se conseguir o crédito”, encerrou Serejo.

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