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Editorial
Brasil não merece
Redação
24/04/2020 | 00:11

Enquanto o dólar voltava a disparar nesta quinta-feira sob os rumores de afastamento do ministro da Justiça, Sérgio Moro, em mais uma nova batalha pessoal do presidente Jair Bolsonaro, uma notícia ainda mais preocupante rondava o noticiário.

Dados do Ministério da Saúde confirmaram que, até a última segunda-feira (20), 2.771 pessoas morreram por alguma síndrome respiratória não identificada, abrindo a possibilidade de que tenham sido causadas por Covid-19.

Mas como a doença não foi confirmada por problemas em exames ou falsos negativos, o relatório oficial não os adicionou na contabilidade de óbitos causados pelo coronavírus, e que foi até ontem a noite de 3.313 mortes.

Ou seja, enquanto o presidente abria uma nova frente de confusão em seu ministério, uma grande e inquietante evidência de subnotificações de casos do novo coronavírus aparecia para a inquietação dos brasileiros.

Há sólidas razões para isso. E não propriamente pelo número de casos de doenças respiratórias que habitualmente matam brasileiros todos os anos.

O que chamou a atenção dos especialistas foi a disparada desses casos em 2020.

De janeiro a 20 de abril, foram registradas 55.980 hospitalizações por problemas respiratórios, contra 12.019 durante o mesmo período no ano passado – um crescimento de 366%.

Dessas hospitalizações, depois da realização de testes, 15.752 foram classificados como “não identificados” e 8.318 foram confirmados para o novo coronavírus.

Não bastasse isso, enquanto o presidente da República se ocupava numa nova crise ministerial, o número de pessoas que morreram de síndromes respiratórias não identificadas este ano já somaram 2.771 casos até agora, sendo que em 2019 foi um sexto disto.

Isso oferece uma ideia apavorante no número de mortes por coronavírus fora das estatísticas oficiais que, quer se goste ou não, orientam neste momento os planos de relaxamento referentes ao isolamento social, que – todo mundo sabe, basta andar pelas ruas – já fez água em boa parte do País.

Na sua primeira coletiva de imprensa, esta semana, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, reconheceu estar boiando acerca dos números reais da pandemia no Brasil, fruto da brutal subnotificação dos casos pela falta de testagem.

Enquanto isso, o chefe dele aumenta a pregação contra o isolamento social, pressiona até para a antecipação da volta as aulas, nomeia um general que precisou de aulas de atualização para assumir o vice comando do Ministério da Saúde e, nas horas vagas, abre uma nova crise interna no governo.

Tudo que a pandemia merece e o povo brasileiro não merece.

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