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Coluna
Bolsonaro se fez no baixo clero do Congresso atacando inimigos pontuais e fazendo política sindical
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta quarta-feira 4
Marcelo Hollanda
04/08/2021 | 08:37

Personalizar o inimigo é o método

Bolsonaro se fez no baixo clero do Congresso atacando inimigos pontuais e fazendo política sindical, só que mirando o público fardado.

Seu último e mais famoso desafeto, depois da deputada Maria do Rosário, aquela que não merecia ser estuprada por ser feia, nas palavras do capitão, foi o deputado Jean Wyllys.

Ambos cresceram mutuamente atacando um ao outro, sendo que Bolsonaro por ser mais antigo no ofício, cresceu mais. E virou presidente da República, amedrontando seu rival que saiu do país.

Agora, a bola da vez atende pelo nome de Roberto Barroso, o ministro do Supremo que preside a Corte eleitoral.

É mais fácil para Bolsonaro e o bolsonarismo alvejar um único alvo, embora, na prática, a extrema direita brasileira não faça muita diferença na hora de atacar alvos.

Mas, ao personalizar um inimigo e colocar sua cabeça a prêmio, Bolsonaro simplifica ao extremo o debate, deixando-o ao gosto da desinformação de seus aliados, comandados por palavras do tipo: senta, rola, bate o rabinho, amigo e ataca.

Nesta terça-feira, depois de lançar dúvida sobre a correção do prefeito Bruno Covas de assistir a uma partida de futebol com o filho, pouco antes de morrer de câncer, o presidente voltou a bater em Luís Roberto Barroso.

“O que eu falo não é um ataque ao TSE ou ao Supremo Tribunal Federal. É uma luta direta com uma pessoa apenas: ministro Luís Barroso, que se arvora como dono da verdade”, afirmou.

Em nome da liberdade de expressão que sustenta todos os seus absurdos, Bolsonaro quer separar o ministro de seu grupo para abatê-lo mais fácil.

Quando, na verdade, Barroso não tem absolutamente nada a ver com a questão a não ser a de um operador da legislação eleitoral vigente.

De um sistema absolutamente ilibado, inovador no mundo e sem fraudes comprovadas.

Ponto.

Mas o pretexto para melar as eleições não vai colar desta vez.

Porque a democracia brasileira, com todas as suas belezas, não pode ser estuprada.

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