BUSCAR
BUSCAR
Constrangimento
Biólogo denuncia ter sido vítima de racismo em voo da GOL por infestação de carrapatos
Bruno Henrique Dias Gomes diz que funcionário da companhia aérea insinuou que parasitas encontrados na aeronave tinham caído de seu cabelo; empresa vai apurar o ocorrido
O Globo
10/08/2021 | 14:29

O biólogo Bruno Henrique Dias Gomes, de 25 anos, relatou nesta segunda-feira em seu perfil no Facebook ter sido vítima de racismo durante um voo da GOL que seguia de Marabá (PA) para Brasília, no dia 7 de junho deste ano. Segundo ele, um carrapato caiu em seu celular e, em seguida, no piso da aeronave. Ao fazer a reclamação para um comissário, Gomes diz ter ele suspeitado que o parasita havia caído de seu cabelo. O passageiro, que é negro e usa cabelo afro, acusa o funcionário da companhia aérea de tê-lo ofendido com a suspeita. Outro carrapato teria caído na mulher que estava a seu lado. O comissário chegou a dizer, de acordo com Gomes, que a situação era impossível de acontecer. Procurada, a GOL confirmou a presença dos parasitas no voo e afirmou que vai apurar a denúncia contra o comissário.

“Peguei e chamei novamente o comissário, que disse que isso poderia ter vindo em bagagem ou até mesmo caído do meu cabelo”, escreveu ele. Gomes contou que na hora não deu “a devida importância” ao fato e que não quis trocar de lugar como foi sugerido porque, como é alto, outro assento o deixaria desconfortável, além de “chamar mais a atenção, já que as pessoas em volta já estavam olhando e cochichando”.

O biólogo contou que, ao descer do avião, chamou uma atendente de solo. De acordo com o relato do jovem, ela disse que Gomes poderia registrar uma queixa “mas que não dava em nada, infelizmente”. Já no balcão de reclamação o jovem afirmou que não havia ninguém. Ele foi para casa e contou ter feito uma queixa no site da GOL, no Reclame Aqui e no consumidor.gov.br. De acordo com Bruno, por causa da reclamação neste último, a companhia aérea entrou em contato com ele.

O jovem disse que foram oferecidos R$ 500 para que tivesse “uma nova experiência com a GOL”. Gomes relatou ter dito que “esse não era o foco” e, sim, que a equipe “fosse instruída melhor”. Mais tarde, o biólogo afirmou ter conversado com um parente que cursou Direito e essa pessoa afirmou que o episódio ocorrido durante o voo havia sido constrangimento e racismo.

Como é de religião de matriz africana e está de preceito, Bruno disse ainda não ter podido ir ao aeroporto para registrar uma ocorrência. Mas afirmou que em dez dias poderá ir ao local para “resolver isso e dar prosseguimento com as questões jurídicas, até porque a Gol não entrou mais em contato”.

Empresa vai apurar o ocorrido

Em nota, a GOL afirmou que vai apurar o ocorrido e que “não compactua com quaisquer atitudes discriminatórias”:

“A GOL recebeu relatos de carrapatos durante o voo G3 1884, no dia 7 de junho na rota Marabá-Brasília, e acredita que os insetos possam ter sido transportados acidentalmente em alguma mala de mão.

Todas as aeronaves da Companhia passam por procedimentos diários e rigorosos de sanitização, e a dedetização das aeronaves é realizada periodicamente, em curtos intervalos de tempo, como parte da rotina mandatória de manutenção. Como forma de compensação ao Cliente e para que ele tenha uma nova oportunidade e experiência em voar com a GOL, foi lhe oferecido crédito disponível para uso até 31/07/2022, conforme também consta no site Consumidor.gov.

A GOL também reitera que não compactua com quaisquer atitudes discriminatórias, preza pelo respeito e pela valorização das pessoas e vai apurar o ocorrido”.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - redacao@agorarn.com.br
Comercial: (84) 98117-1718 - publica@agorarn.com.br
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.