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Apuração
Biden pede à Inteligência um relatório em 90 dias sobre origem do coronavírus
Ordem vem após aumento da controvérsia sobre hipótese de que vírus causador da Covid-19 teria escapado por acidente de laboratório em Wuhan
O Globo
26/05/2021 | 17:04

O governo de Joe Biden pediu que agências de Inteligência dos EUA intensifiquem os esforços para descobrir a origem do novo coronavírus, e apresentem, em 90 dias, informações que determinar se ele foi transmitido de animais silvestres a humanos, ou se escapou por acidente de um laboratório em Wuhan.

A ordem vem em meio a questionamentos sobre uma narrativa oficial do governo chinês de que o vírus surgiu na natureza, até agora a mais aceita por autoridades ao redor do mundo e pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS), que vê a hipótese de que ele foi criado em laboratório como “extremamente improvável”.

Contudo, desde o início do ano, um número cada vez maior de cientistas vem questionando essa ideia, colocando em xeque a investigação conduzida pela OMS, em parceria com a China. Para muitos, inclusive dentro do governo Biden, é necessária uma investigação mais transparente e sem o que considera ser uma influência de Pequim.

– O mais provável é que o vírus tenha surgido naturalmente. Mas não podemos excluir a possibilidade de algum tipo de acidente de laboratório. Por isso defendemos que a OMS precisa voltar [a Wuhan] e tentar novamente, depois que a primeira fase de sua investigação não deixou ninguém satisfeito – Francis Collins, diretor dos Institutos Nacionais de Saúde, em audiência no Congresso.

No comunicado desta quarta-feira, Biden afirma que a comunidade de Inteligência americana ainda trabalha com os dois cenários para o surgimento do novo coronavírus, mas ainda não chegou a uma conclusão definitiva. Por isso, defende que sejam redobrados os esforços para obter informações, o que inclui questões diretas a Pequim com o apoio de aliados.

“Os EUA continuarão a trabalhar com seus parceiros pelo mundo para pressionar a China a que participe de uma investigação internacional ampla, transparente e baseada em evidências, para que forneça acesso completo a todas as informações relevantes”, especial Biden, em comunicado. A ideia de um novo inquérito já foi colocado em discussão durante o encontro anual da OMS, que acontece essa semana.

– Nós reforçamos a necessidade de uma investigação ampla e liderada por especialistas sobre a origem da Covid-19 – afirmou, na terça, Jeremy Konydyk, representante dos EUA na OMS. Países como Japão, Austrália e Reino Unido adotaram o mesmo discurso na reunião.

No fim de semana, o jornal Wall Street Journal divulgou um susposto relatório da inteligência americana que três pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan procuraram atendimento médico, com sintomas da Covid-19, em novembro de 2019, um mês antes dos primeiros relatos oficiais da doença. Apesar de não garantir que os três estavam infectados pelo novo coronavírus, o texto, produzido ainda no governo Trump, reforçaria a necessidade de um inquérito mais amplo sobre as origens do vírus.

Uma divulgação do relatório foi recebido de maneira agressiva por Pequim, que acusou os EUA de promoverem a teoria de que o novo coronavírus teria escapado por acidente de um laboratório. O porta-voz da chancelaria afirmou que os dados são “completamente falsos”, e acusou o governo americano de atividades biológicas em uma base no estado de Maryland, que, para Pequim, estudou ser investigadas.

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