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Eleições
‘Biden não é salvador, ele é o destruidor de empregos’, ataca Trump em convenção
Em meio a pandemia e protestos antirracismo, presidente americano centrou críticas ao adversário democrata Joe Biden em discurso na Casa Branca; manifestantes antigoverno tentaram abafar discurso
Estadão
28/08/2020 | 08:05

Com um discurso de mais de uma hora no gramado da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrou a convenção republicana na noite desta quinta-feira com ataques renovados a Joe Biden. O republicano apresentou Biden como uma ameaça à nação e disse que a possível eleição do democrata significará insegurança, aumento de desemprego e o fim do sonho americano.

“Biden não é o salvador da alma americana, ele é o destruidor dos empregos americanos, com o risco de ser o destruidor da grandeza americana”, disse Trump.

Com um discurso de mais de uma hora no gramado da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrou a convenção republicana na noite desta quinta-feira com ataques renovados a Joe Biden. O republicano apresentou Biden como uma ameaça à nação e disse que a possível eleição do democrata significará insegurança, aumento de desemprego e o fim do sonho americano.

“Biden não é o salvador da alma americana, ele é o destruidor dos empregos americanos, com o risco de ser o destruidor da grandeza americana”, disse Trump.

Durante uma hora e dez minutos, Trump falou ao menos 39 vezes o nome de Joe Biden, vinculando o nome do democrata a uma suposta agenda de esquerda radical. Biden, no entanto, faz campanha com uma agenda política de centro. “Em nenhum momento os eleitores enfrentaram uma escolha tão clara entre dois partidos, duas visões, duas filosofias ou duas agendas. Essa eleição vai decidir se salvamos o sonho americano ou se deixamos uma agenda socialista demolir nosso querido destino”, disse Trump. Ao explorar a tática do medo, Trump afirmou que se a oposição ganhar o poder, o governo irá demolir os subúrbios — onde vive a classe média americana –, confiscar armas e nomear juízes que vão “varrer” liberdades constitucionais.

A fórmula da campanha de Trump, apresentada nas quatro noites de convenção, é a mesma adotada em 2016: a do ataque e acusação de que a oposição representa uma agenda de esquerda radical. Há quatro anos, a retórica surtiu efeito contra Hillary Clinton. A principal diferença é que Trump, em 2020, é o presidente incumbente, que terá seu mandato avaliado no curso de uma pandemia e de crise econômica.

“Os EUA não são uma terra envolta em trevas. Os EUA são uma tocha que ilumina o mundo inteiro”, disse Trump, ao rebater Biden. Na semana passada, ao aceitar a nomeação, o candidato democrata prometeu ser um “aliado da luz” para tirar o país de uma “época de escuridão”. Biden não mencionou o nome de Trump nenhuma vez durante o discurso de aceitação da candidatura.

Tensão racial

O presidente não falou sobre os protestos em Kenosha, Wisconsin, que acontecem desde domingo quando um homem negro foi baleado à queima roupa por um policial branco. O tema tem dominado as atenções no país depois que dois manifestantes foram mortos por um jovem de 17 anos que atirou contra a multidão.

Desde que protestos contra o racismo e violência policial se espalharam pelo país após o assassinato de George Floyd, em Mineápolis, em maio, o governo Trump tem adotado o discurso da “lei e da ordem”. Em tom inflamado, ele já chamou os manifestantes antirracismo de radicais, anarquistas, saqueadores ou bandidos, um tom que repetiu nesta noite. “Seu voto decidirá se protegemos os americanos que cumprem a lei ou se damos rédea solta aos violentos anarquistas, agitadores e criminosos que ameaçam nossos cidadãos”, afirmou.

“A esquerda radical vai tirar recursos da polícia em todo o país. Ninguém estará seguro nos EUA de Biden. Meu governo sempre apoiará policiais”, disse Trump, que afirmou que seu governo “continuará a apoiar” policiais. “Se o Partido Democrata quer ficar ao lado de anarquistas, agitadores, desordeiros, saqueadores e queimadores de bandeiras, isso é com eles. Mas eu, como seu presidente, não farei parte disso. O Partido Republicano continuará sendo a voz dos heróis patrióticos que mantêm a América segura e saúdam a bandeira americana”, disse Trump

Durante a convenção, os republicanos contestaram a ideia de que há racismo sistêmico nos EUA e afirmaram que Biden pode tirar recursos da polícia – o democrata diz que não concorda em diminuir financiamento à polícia.


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