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Acordos
Biden e Putin se encontram pela primeira vez em meio à escalada de tensões
Presidentes dos Estados Unidos e Rússia se reunirão em Genebra com relações no 'ponto mais baixo dos últimos anos', conforme classificaram
CNN
16/06/2021 | 14:25

Ao se encontrarem na tarde desta quarta-feira em Genebra, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos EUA, Joe Biden, abriram sua primeira reunião presencial como chefes de Estado, justamente no pior momento das relações entre as duas maiores potências nucleares do planeta em décadas.

— Senhor presidente, obrigada pela iniciativa de me encontrar hoje. As relações entre Rússia e EUA têm muitas questões acumuladas que exigiam este encontro de alto nível — disse Putin no início do encontro, quando os dois posaram para fotos.

Presidentes dos EUA e da Rússia se reúnem pela primeira vez em Genebra
Presidentes dos EUA e da Rússia se reúnem pela primeira vez em Genebra

Com uma longa lista de discordâncias e até ofensas pessoais, representantes dos dois países avisam que nenhum acordo ou mesmo uma declaração conjunta mais abrangente deve sair da reunião — até as entrevistas coletivas serão realizadas separadamente. Mas Putin e Biden querem usar os poucos pontos em comum como primeiro passo para uma relação mais “previsível” e “estável”.

Antes do encontro, Biden não quis detalhar quais temas levará à mesa. Ao invés disso, declarou que mostrará a Putin “quais são as áreas nas quais poderão cooperar se ele escolher assim”, assim como demonstrar as “linhas vermelhas” em posições onde não há convergência.

Contudo, o assessor de Putin Yuri Ushakov adiantou alguns dos tópicos, citando a estabilidade estratégica — voltada para o controle de armas nucleares —, a exploração econômica do Ártico, a questão climática e o combate aos crimes cibernéticos. Biden deve pressionar Moscou para que atue de forma mais contundente contra quadrilhas russas acusadas de ataques recentes contra empresas e instituições nos EUA. São temas em que existe chance de cooperação, e que devem marcar a parte “pacífica” das conversas.

— Não devemos esperar grandes avanços — afirmou Andrei Kortunov, chefe do Conselho de Relações Internacionais russo, ao jornal Moscow Times. — O principal aqui é estabilizar uma relação que atingiu um nível muito baixo.

Evitando surpresas

Biden e Putin sabem que o conceito de estabilização não significa ter laços amistosos — no máximo evitar surpresas diplomáticas, ou a chamada “previsibilidade”, mencionada por ambos nos últimos dias. Até porque os objetivos estratégicos são distintos.

O presidente americano, que há cerca de uma década afirmou ao russo acreditar que “ele não tinha alma”, quer retomar o papel de liderança dos EUA no mundo, incluindo em áreas próximas às fronteiras da Rússia. Antes da reunião em Genebra, ele participou de encontros com líderes de instituições que representam democracias liberais, como o G-7 e a Otan, a principal aliança militar do Ocidente e um dos temas de maior atrito entre Moscou e Washington.

O fortalecimento da aliança, que hoje inclui alguns países da antiga URSS e que pode eventualmente (mas dificilmente) incluir a Ucrânia, é apontado por Putin como um risco — ele destaca a presença de tropas americanas perto de suas fronteiras, como na região do Mar Báltico e, em especial, do Mar Negro, vista como área de influência russa. Biden, por sua vez, pressionará o líder russo sobre a Crimeia, anexada após um referendo não reconhecido internacionalmente em 2014, e o reforço militar perto da Ucrânia, incluindo no Leste do país, cenário de um conflito civil onde os EUA acusam a Rússia de participação direta.

Além das divergências nas políticas relacionadas a Síria, Líbia, Coreia do Norte e China, diplomatas também antecipam conversas quentes sobre a situação dos direitos humanos na Rússia, em especial a prisão do dissidente Alexei Navalny, e sobre as acusações de interferência nas eleições americanas. As respostas devem ser similares: Putin negará qualquer culpa, e apontará para uma campanha de “russofobia”, segundo ele, levada adiante pela imprensa nos EUA e setores do Partido Democrata, de Biden.

— O lado russo quer se mover em direção a uma relação hostil porém respeitosa — declarou Vladimir Frolov, ex-diplomata e analista político, ao Moscow Times. — Eles querem as coisas como eram sob Leonid Brejnev [líder da URSS entre 1964 e 1982] nos anos 1970 e 1980. Ninguém agredia verbalmente, não havia sanções contra políticos e ninguém tentava derrubar a liderança soviética ao apoiar a oposição.

‘Veterano’

Mesmo para um lugar acostumado à presença de líderes mundiais, o esquema montado para a reunião entre Biden e Putin em Genebra impressiona pelos números: serão cerca de 3.500 agentes de segurança espalhados pela cidade de pouco mais de 200 mil habitantes. Além dos dois líderes, estarão presentes seus chanceleres, Antony Blinken e Sergei Lavrov, e assessores de política externa.

Em uma mansão de cerca de 30 hectares serão recebidos pelo presidente suíço, Guy Parmelin, e devem manter conversas por cerca de cinco horas, sem pausa para refeições.

Biden será o quinto presidente dos EUA a se reunir com Vladimir Putin desde a chegada do líder russo ao poder, na noite de ano novo de 1999: antes, Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump estiveram frente a frente com o líder russo, seja como presidente, seja como o primeiro-ministro de Dmitri Medvedev. E em poucas ocasiões esse encontro teve sua relevância tão reduzida por parte de um dos envolvidos, no caso, o próprio Putin.

“A importância do encontro de Putin com Biden não deve ser exagerada. Putin não buscou o encontro. Quando Biden ofereceu a reunião, Putin não correu para aceitar o convite, mas levou algum tempo para considerá-lo”, aponta o diretor do centro de estudos Carnegie Moscow, Dmitry Trenin, em artigo publicado nesta terça. “As recentes mensagens de Putin para o mundo são menos sobre o que ele pode fazer com o presidente americano e mais sobre o que a Rússia pode fazer sozinha. Se necessário, contra as vontades do governo dos EUA.”

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